Tributo a Richard Feynman

imagesTributo a Richard Feynman
Após ler mais três obras sobre Richard Feynman fiquei mais fascinado ainda por este grande cientista. Tanto o seu lado humano quanto a sua incrível capacidade científica, avaliada naturalmente por suas contribuições à ciência, são admiráveis.
A leitura destas obras… Está a brincar Sr. Feynman, Nem sempre a brincar, Sr. Feynman (ambos da editora Gradiva, daí o portugues de Portugal, como no caso da nave espacial Challenger, chamada de Vaivem) e O arco-íris de Feynman (ed. Sextante, escrito por L. Mlodinow, seu colega no Caltech), permite apreciar momentos de alta sensibilidade, alguns trágicos inclusive, como todo o processo da morte de sua mulher, até momentos hilários e outros geniais.
Estas obras podem dar uma imensa contribuição a formação do caráter dos jovens pretendentes a uma carreira científica (por exemplo, a metáfora do jogo de xadrez dos deuses, no vídeo 3/4), mas não apenas isto… As palavras de Richard Feynman são um guia, no mais das vezes divertido, para se levar uma vida saudável evitando ao máximo colocar bobagens no seu sanduíche. (Esta era uma brincadeira entre ele e Leonard Susskind; caro leitor você a entenderá quando assistir ao primeiro vídeo).
Na verdade, resolvi extrair do YouTube uma série de vídeos em que o próprio Richard Feynman explana várias questões, desde a sua participação no projeto da bomba atômica (vídeo 2/4) , revelando o drama e os paradoxos desta vivência, até questões específicas… Em particular quando o repórter faz uma pergunta (vídeo 4/12) e R. Feynman o questiona sobre a própria pergunta feita… “O que vc quer saber?”. É um show sobre formular questões de maneira a se saber aonde se quer chegar. O uso do por que, ao invés do como. Na área da Programação Neurolinguística, R. Bandler e J. Grinder, explicaram a importância de se saber definir um objetivo, ou seja, se você plantar abacaxi pensando em colher banana estará usando as sementes erradas. Desta forma, psicólogos, físicos e outros interessados poderão apreciar um acervo de conhecimento vendo e ouvindo este físico raciocinar e questionar sobre inúmeros temas.
rindo“O primeiro princípio é: você não deve enganar a si mesmo – e você é a pessoa mais fácil de ser enganada”. Richard Feynman (1918 – 1988), Discurso na Caltech, formatura de 1974.


Leonard Susskind: Meu amigo Richard Feynman

Richard Feynman: O Prazer de Descobrir as Coisas (1981)

Feynman Livros (4)
Feynman Livros (3)
BBC Horizon 1981 – Richard Feynman – 1/4 (Legendas em Português)

BBC Horizon 1981 – Richard Feynman – 2/4 (Legendas em Português)

BBC Horizon 1981- Richard Feynman- 3/4 (legendado)

BBC Horizon 1981- Richard Feynman- 4/4 (legendado)

Nasceu em Nova York e cresceu em Far Rockaway. Desde criança que já demonstrava a sua facilidade com as ciências e com a matemática. Formou-se em Física no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, que, graças a John Slater, Julius Stratton e Philip Morse, além de outros professores, era um curso muito conceituado.
RichardFeynman Ainda durante o seu curso de graduação, em colaboração com Vallarta, Richard Feynman publica um artigo sobre os raios cósmicos. Outro artigo foi publicado ainda naquele ano, assinado somente por Feynman, sobre as forças moleculares. Juntamente com os seus trabalhos na área de física teórica, Feynman foi um pioneiro na área da computação quântica e introduziu o conceito de nanotecnologia.
No dia 28 de Dezembro de 1959 o físico Richard Feynman deu uma conferência no encontro anual da Sociedade Americana de Física sobre o controlo e manipulação da matéria à escala atómica. Feynman defendeu que não existia nenhum obstáculo teórico à construção de pequenos dispositivos compostos por elementos muito pequenos, no limite compostos átomo a átomo, nem mesmo o princípio da incerteza de Heisenberg.
Realizou a sua pós-graduação Feynman em Princeton, sede do Instituto de Estudos Avançados, do qual participa Albert Einstein. Lá, fica sob a supervisão de Wheeler, com o qual cria uma teoria de electrodinâmica clássica equivalente às equações de Maxwell.
A maior contribuição de Feynman à Física foi o desenvolvimento da electrodinâmica quântica, a qual foi desenvolvida paralelamente por Julian Schwinger e Sin-Itiro Tomonaga. Na década de 50, Feynman trabalha na teoria das interações fracas, e nos anos 60, ele trabalhou na teoria das interações fortes. Também trabalhou na superfluidez do hélio líquido.
Publicou vários livros, alguns editados em Português, dentre os quais:
feynman1«ESTÁ A BRINCAR SR. FEYNMAN!»
Retrato de um físico enquanto homem
Richard P. Feynman, Gradiva, 1998. Tradução de Isabel Neves.

São histórias da vida de Richard Feynman, físico e vencedor do Prémio Nobel da Física, contadas na primeira pessoa, com muito humor. Feynman não corresponde à ideia de um cientista normal – ele consegue explicar conceitos científicos profundos de uma forma bastante clara a leigos. O grande e mais famoso exemplo disto foi demonstrado no dia em que ele foi chamado a Washington para explicar aos políticos e à imprensa as razões do vaivém Challenger ter explodido. Quando toda a gente estava à espera de um discurso longo, aborrrecido e incompreensível, Feynman limitou-se a colocar um elástico de borracha num copo com gelo, retirou-o do copo, esperou alguns momentos, e em seguida dobrou o elástico, partindo-o. E encarando a audiência espantada com estes procedimentos, simplesmente disse que o vaivém continha anéis de borracha que enrijeceram com o frio que se fazia sentir nessa altura, e quando se deu o lançamento do vaivém Challenger, os anéis partiram-se, fazendo o Challenger explodir.
nem sempre«NEM SEMPRE A BRINCAR, SR. FEYNMAN!»
Novos Elementos para o Retrato de Um Físico enquanto Homem
Richard P. Feynman, Gradiva

Neste livro, o tema central é o desastre do vaivem Chalenger, girando o texto em volta da comissão de investigação deste acidente. Sendo algo extenso, é rico em episódios hilariantes, numa simplicidade que associa o raciocínio de um génio a um texto com um fio condutor bastante divertido, como só alguém como Feynman conseguiria.
livro CampusNo Brasil foram traduzidos pela editora Campus.

Entre 1951 e 1952, Feynman passou alguns meses no Brasil, e deu aulas na Academia Brasileira de Ciências. A seguir, estão algumas opiniões que o próprio Feynman registra sobre a forma como nós, brasileiros, estudamos ciências*.
Isto foi relatado no site de Fábio Prudente, professor do curso de Eletrônica no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe.
http://fprudente.blogspot.com.br/2009/11/fala-serio-sr-feynman.html

“Em relação à educação no Brasil, tive uma experiência muito interessante. (…)”

Feynman descreve uma longa sequência de perguntas que fizera aos alunos, envolvendo a polarização da luz quando refletida por uma interface entre dois meios com índices de refração diferentes, mesclando perguntas teóricas (fórmulas) e práticas (observação da luz refletida, na superfície da baía, que podia ser vista pela janela)…

Depois de muita investigação, finalmente descobri que os estudantes tinham decorado tudo, mas não sabiam o que queria dizer. Quando eles ouviram “luz que é refletida de um meio com um índice de refração”, eles não sabiam que isso significava um material como a água. Eles não sabiam que a “direção da luz” é a direção na qual você vê alguma coisa quando está olhando, e assim por diante. Tudo estava totalmente decorado, mas nada havia sido traduzido em palavras que fizessem sentido. Assim, se eu perguntasse: “O que é o Ângulo de Brewster?”, eu estava entrando no computador com a senha correta. Mas se eu digo: “Observe a água”, nada acontece – eles não têm nada sob o comando “Observe a água”.
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Depois participei de uma palestra na faculdade de engenharia. A palestra foi assim: “Dois corpos… são considerados equivalentes… se torques iguais… produzirem… acelerações iguais. (…). Os estudantes estavam todos sentados lá fazendo anotações e, quando o professor repetia a frase, checavam para ter certeza de que haviam anotado certo. Então eles anotavam a próxima frase, e a outra, e a outra. Eu era o único que sabia que o professor estava falando sobre objetos com o mesmo momento de inércia e era difícil descobrir isso.

Eu não conseguia entender como eles aprenderiam qualquer coisa daquela maneira. Ele estava falando sobre momentos de inércia, mas não se discutia quão difícil é empurrar uma porta para abrir quando se coloca muito peso longe do eixo, em comparação quando você coloca perto da dobradiça – nada!
Ao final do ano letivo, ele foi convidado para apresentar um seminário, sobre suas experiências com o ensino no Brasil… em sua fala, disparou:

“O principal propósito de minha apresentação é provar aos senhores que não se está ensinando ciência alguma no Brasil.” (…)

Então ergui o livro de Física Elementar que eles estavam usando. “Não são mencionados resultados experimentais em lugar algum nesse livro, exceto em um lugar onde há uma bola, descendo um plano inclinado, onde ele diz a distância que a bola percorreu em um segundo, dois segundos, três segundos… Os números têm erros – ou seja, se você olhar, você pensa que está vendo resultados experimentais (…), no entanto, (…) se você realmente fizer esse experimento, produzirá cinco sétimos da resposta correta, por causa da energia extra necessária para a rotação da bola (que o autor do livro desconsidera).

(…) Ao folhear o livro aleatoriamente, posso mostrar que não há ciência, mas sim memorização, em todos os casos. Por exemplo:

“Triboluminescência é a luz emitida quando os cristais são friccionados…”

Digo: e aí? você fez ciência? Não! Apenas foi dito o significado de uma palavra, em termos de outras palavras. Não foi dito nada sobre a natureza – quais os cristais que produzem luz quando friccionados, nem por que eles produzem luz. Alguém viu algum estudante ir para casa e verificar isso experimentalmente?

Por fim, disse que não conseguia entender como alguém podia ser educado neste sistema autopropagante, no qual as pessoas passam nas provas e ensinam os outros a passar nas provas, mas ninguém sabe nada.

Como eu gostaria que essas fossem mais algumas das divertidas anedotas do Dr Feynman… mas infelizmente, ele está falando sério. É exatamente assim que nossas escolas funcionam! – e o pior, sua descrição, feita em 1951, ainda é bastante atual.
SE o leitor quiser ler um artigo mais abrangente sobre as impressões de Feynman e a questão do ensino das ciências no Brasil, veja o artigo O SENHOR FEYNMAN NÃO ESTAVA BRINCANDO: A EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA BRASILEIRA no site http://www.abenge.org.br/CobengeAnteriores/2011/sessoestec/art1747.pdf
Trecho do artigo… O físico Richard Feynman reconheceu em pouco tempo e descreveu com maestria os maiores problemas da educação no Brasil. Infelizmente, mesmo estando disponível um depoimento tão sincero e chocante, pouco se fez nos últimos sessenta anos em termos de reformular as bases do sistema educacional de modo a aumentar a qualidade do ensino.Certa vez, conversando com um colega de outro curso na UERJ, ouvi o seguinte: “Quando aplico provas dissertativas ou que exigem raciocínio, o que por excelência exige o pensamento analógico, o resultado é catastrófico!” Eu tenho a mesma experiência com uma boa parte dos alunos de psicologia, disse-lhe. Parece que isto também é um obstáculo ao exercício e a aprendizagem da psicoterapia, pois não existem fórmulas prontas para se atender alguém. O psicoterapeuta tem que raciocinar em cima dos parâmetros para os quais ele foi treinado e inventar uma intervenção para aquele caso.
BBC Series 1983 – Richard Feynman – 1/12 (Legendas em Português)

BBC Series 1983 – Richard Feynman – 2/12 (Legendas em Português)

BBC Series 1983 – Richard Feynman – 3/12 (Legendas em Portuguê

BBC Series 1983 – Richard Feynman – 4/12 (Legendas em Português)

BBC Series 1983 – Richard Feynman – 5/12 (Legendas em Português)

BBC Series 1983 – Richard Feynman – 7/12 (Legendas em Português)

O significado de tudoOutros livros da editora Gradiva são: O significado de tudo. Sinopse: São muitos os que reconhecem as contribuições de Feynman para a Física do século XX, mas nem tantos saberão como estava envolvido com o mundo à sua volta e quão profundamente prestava atenção às questões religiosas, polítucas e sociais.
O prazer da descobertaO prazer da descoberta: Sinopse
Richard Feynman foi indubitavelmente um dos maiores físicos do século XX. O Prazer da Descoberta é uma colectânea soberba dos melhores textos breves deste cientista – desde entrevistas a discursos, conferências e artigos publicados.
Das reflexões sobre o lugar da ciência na nossa cultura às descrições das propriedades fantásticas da física quântica ou ao discurso de aceitação do Prémio Nobel, este livro vai fascinar qualquer pessoa interessada em Feynman e no mundo das ideias. Quase todos os textos agora publicados são, pela primeira vez, tornados acessíveis ao grande público.
Feynman dá-nos aqui a conhecer, por suas próprias palavras, os pontos altos da carreira: do trabalho apaixonante na bomba atómica (quando, juntamente com outros cientistas, correu contra o tempo, tentando construir o engenho antes dos alemães) à solução do enigma do desastre do Challenger. É bem verdade que Feynman ajudou a dar ao mundo a forma que lhe conhecemos.
O Prazer da Descoberta de Richard P. Feynman

feynman300uh0Excerto
«Quando eu conheci Richard Feynman percebi logo que tinha entrado noutro mundo… Procurei todas as oportunidades para o ouvir falar, para aprender a nadar no dilúvio das suas ideias. Ele adorava conversar e recebia-me como ouvinte. E assim ficámos amigos para a vida.»
FREEMAN DYSON, do Prefácio

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