Síndrome de Asperger e Autismo

DSC04284 Neste artigo existem, além de ilações de cunho pessoal, fruto de leituras e da atividade clínica sistemática ao longo dos anos, textos ilustrativos, clips e comentários sobre obras ligadas ao tema. Há também informação sobre a genética do autismo. A descoberta de elos entre o autismo e o DNA promete melhorar o  diagnóstico e levar o tratamento para novos patamares.

ITA2 O artigo foi escrito em Itaúna (Saquarema – RJ), em 27/03/2009.

“Lindo dia, sol, praia, temperatura da água perfeita… O mundo de Darwin”.

Luganus

Quando observo  a Síndrome de Asperger, notadamente casos como o de Henry Cavendish, Daniel Tammet e Temple Grandin, sob a perspectiva da Teoria da Evolução de Charles Darwin, passando pela idéia de Stephen Jay Gould e chegando à Psicologia Evolutiva ( a partir dos estudos de Edward Wilson)…  Observo então, nesta incrível escalada do tempo, a possibilidade de estarmos diante de mutações embrionárias que irão representar mais um salto de qualidade na espécie humana; talvez, proporcionalmente, bem maior do que o salto do Homem de Neandhertal para o Cromagnon. Conforme, inclusive, o desenvolvimento do conceito de memética de Richard Dawkins, e pesquisas como a do prof. A. Snyder, usando a EMT ( Estimulação Magnética Trancraniana)… Poderá haver uma aceleração exponencial neste diálogo  da herança genética com a aprendizagem.

Pintura

Talvez esta seja a esperança derradeira no futuro remoto em que o Universo (segundo pesquisas atuais) irá se tornar inóspito à vida, tal qual a conhecemos também. Mesmo agora, sob o vaticínio da Hipótese (agora Teoria! ) de Gaia por James Lovelock, cérebros privilegiados poderão fazer a diferença para a sobrevivência do planeta Terra.

Tais cérebros privilegiados, diga-se, seriam a fusão de capacidades cognitivas e emocionais, num nível (qualidade) e grau (quantidade) que deixariam Antonio Damásio e sua mulher Hanna deliciados.

Damascio casal

A sensibilidade e afetividade dos terráqueos com  a lógica dos vulcanos, para usar uma metáfora que tenta se reificar no personagem  vivido por Leonard Nimoy, o Sr. Spock de Jornada nas Estrelas (que Temple Grandin aprecia, segundo ela  revela na obra de Oliver Sacks ).

grandin_templeTemple Grandin (foto)

Abaixo foto do ator Leonard Nimoy, o Sr. Spock de Jornada nas Estrelas.

LeonardNimoy[1]

Justamente, o caso de Temple Grandin, descrito por  Oliver Sacks na obra Um Antropólogo em Marte, chama a atenção neste sentido, já que se trata também do espectro autístico porém evidenciando a enorme capacidade empática (emocional) para com os animais…

Ainda no que tange à “metáfora Spock” há uma técnica aplicada pelos vulcanianos que permite penetrar na mente e na emoção do outro. Assim, existe aí, nesta interpretação / idealização, uma perspectiva teleológica, um “outcome”, que seria também o aprimoramento do domínio de si próprio atavés do “exercício de conhecer também os outros”, mas sem a interferência dos pré-conceitos, ou seja uma verdadeira e poderosa fusão da lógica e do emocional, uma psico-lógica-afetiva.

spock 1

Abaixo

Homenagem ao amigo e irmão, grande mestre na dupla arte da sensibilidade e da lógica, Marcelus Osnoff Spock

Vide link http://www.soundclick.com/bands/default.cfm?bandID=4213

OsnoffSpockk

A GENÉTICA DO AUTISMO

By Steve Connor

Descoberta de elo entre doença e DNA promete melhorar diagnóstico e levar a um melhor tratamento

Cientistas descobriram o primeiro elo significativo entre o autismo e DNA, num estudo que pode revolucionar a compreensão desta desordem comportamental que afeta milhões de pessoas em todo mundo. Os pesquisadores acreditam que as mudanças que acharam na estrutura genética de crianças autistas têm um importante papel no desenvolvimento da condição. Suas descobertas podem eventualmente levar a testes de diagnóstico precoce e a novas formas de tratamento baseadas em ataques aos erros fundamentais do código genético dos pacientes. Mas os pesquisadores também alertam que os achados, provenientes do maior estudo internacional sobre autismo, ainda são preliminares e levará alguns anos de investigação até que se consiga entender e tratar as alterações genéticas que aumentam a susceptibilidade de uma pessoa à desordem. Os resultados foram obtidos a partir da análise de quase 1 mil autistas e da comparação do seu DNA com o de mais de 1,2 mil pessoas não afetadas. Os cientistas encontraram uma série de importantes diferenças no DNA dos dois grupos que acreditam poder explicar o porquê de o autismo ter um fator genético que pode levar ao desenvolvimento da condição sob algumas circunstâncias. — Nossos resultados apontam a importância dos genes entre os fatores de susceptibilidade ao autismo. Eles levarão a uma mudança de paradigma ao se procurar entender as raízes do autismo — diz Stephen Scherer, do Hospital Infantil de Toronto e um dos principais autores do estudo, publicado pela revista “Nature”. — Descobrimos que as variações genéticas que encontramos são raras em sua frequência, o que significa que a maioria dos indivíduos com autismo provavelmente é bem única, cada uma tendo sua própria forma genética de autismo — acrescentou. O autismo é uma complexa desordem neurológica que normalmente é diagnosticada nos primeiros anos da infância, mas também pode não ser reconhecida durante anos. Ele inibe a habilidade da criança em se comunicar e desenvolver relações sociais normais. O autismo, que pode ir de moderado a severo, afeta perto de 1% das crianças e sua incidência aumentou dramaticamente nos últimos anos, parte em razão de um espectro de diagnóstico mais amplo e melhor reconhecimento do problema. O autismo tende a ser hereditário e é sabido que tem fortes componentes genéticos e ambientais. O Projeto Genoma do Autismo, que envolve mais de 1,5 mil famílias em EUA, Canadá, Reino Unido e resto da Europa, tem como objetivo identificar o lado genético da desordem por meio do levantamento do DNA dos pacientes. Os pesquisadores se concentraram em um tipo de diferença genética que distingue uma pessoa da outra, chamado “variações no número de cópias” (CNVs, na sigla em inglês), em que o mesmo trecho do DNA contendo até 20 genes é replicado diversas vezes. Eles descobriram que as crianças autistas normalmente têm 20% mais CNVs do que crianças comuns. Eles também descobriram que muitos das CNVs de crianças autistas não são provenientes de seus pais, mas recém-formadas, provavelmente antes da concepção, durante a formação dos óvulos ou espermatozóides, como as mudanças cromossômicas que levam à síndrome de Down. Algumas CNVs também envolvem genes conhecidos por afetar a desenvolvimento do cérebro. Três dos genes alterados, por exemplo, são relacionados à comunicação entre neurônios, e um deles já havia sido associado ao autismo e outros distúrbios mentais. Hans Asperger (foto)

A Síndrome de Asperger (SA) pode ser definida como perturbação do desenvolvimento que se manifesta por alterações, sobretudo, na interacção social e na comunicação e no comportamento. O termo utilizado pela primeira vez por Lorna Wing, num artigo publicado em 1981, no qual descreveu um grupo de crianças e adultos cujas capacidades e comportamentos se assemelhavam aos descritos pelo pediatra vienense Hans Asperger. Pediatra Vienense Hans Asperger avaliou crianças cuja interaccção social era pobre, que apresentavam falhas de comunicação e desenvolviam interesses especiais. Lorna Wing constatou que algumas crianças apresentavam, numa fase inicial, as características clássicas do autismo, desenvolvendo mais tarde algumas competências ao nível da linguagem e da socialização, que as colocavam fora do âmbito do diagnóstico do autismo clássico( ou Síndrome de Kanner). Actualmente a SA é considerada um subgrupo do espectro do autismo, com critérios de diagnóstico específicos.

Síndrome de Savant


Trecho de artigo (de out/nov de 2003) extraído no endereço abaixo

http://www.revistamedicaanacosta.com.br/8(4)/artigo_3.htm

Síndrome de Savant: relato de caso e revisão da literatura

Renata Silva Jorge (1)
Djalma Aranha Braga (2)

(1) Acadêmica do 5º Ano de Medicina da UNIMES
(2) Neuropsiquiatra e Preceptor do Estágio de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital Ana Costa, Santos.


A Síndrome de Savant é uma condição rara, em que a pessoa portadora das mais variadas desordens mentais, incluindo o autismo, apresenta brilhante talento ou habilidade contrastando fortemente com suas limitações. Esta condição pode ser congênita ou adquirida. Aproximadamente uma a cada dez (10%) pessoas autistas tem Síndrome de Savant. Em outras formas de transtorno mental, retardamento ou lesão cerebral, Savant está presente em menos de 1% dos casos.8 Porém, como estas outras formas de doenças mentais são muito mais comuns do que o autismo, podemos dizer que 50% das pessoas com Síndrome de Savant são autistas e os outros 50% sofrem de algum outro tipo de transtorno, como falhas no desenvolvimento, retardamento mental ou seqüelas de um dano cerebral.

RELATO DE CASO
ELPFP, 5 anos, masculino, natural do Guarujá, com amaurose bilateral por um defeito na formação do nervo óptico (enxerga apenas luzes). Desde o nascimento apresenta retardo no DNPM. Preenche os critérios para Autismo segundo o DSM-IV (comprometimento qualitativo da interação social e da comunicação; uso estereotipado e repetitivo da linguagem; padrões restritos e repetitivos de comportamento; preocupação insistente com um ou mais padrões estereotipados e restritos de interesse; maneirismos motores estereotipados e repetitivos – p. ex., agitar ou torcer mãos ou dedos, ou movimentos complexos de todo o corpo)1. É capaz de cantar várias músicas, repetindo-as completamente a partir da primeira vez que as ouve. Durante este ato, cessam-se os movimentos estereotipados.
Após terminar de cantar, os movimentos estereotipados e automatismos retornam e o menino demonstra-se bastante agitado. Atualmente apresenta problemas comportamentais que estão sendo inibidos, e os familiares estão sendo orientados quanto ao manejo da criança. Os principais objetivos em relação à condução deste caso são: aumentar a comunicação verbal; diminuir ecolalia e estereotipia; estimular percepção tátil, noção espacial e temporal; desenvolvimento de autonomia e independência. Segundo relatos de sua mãe, o menino está começando a interagir com outras crianças na APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) que freqüenta. A deficiência visual dificulta a aprendizagem do aluno em alguns aspectos, porém o mesmo tem uma boa compreensão, conseguindo memorizar facilmente seqüências e rotinas. Quanto às atividades pedagógicas, o professor é facilitador e orientador, inibindo os comportamentos inadequados de forma que o mesmo utilize suas potencialidades de forma positiva.

DISCUSSÃO
Sem dúvida, savants estiveram presentes durante toda a história. No final do século XVIII, B. Rush já havia relatado casos semelhantes. Entretanto, o termo “Savant” não foi aplicado a estas pessoas especiais até 1887, quando o Dr. J. Langdon Down, descreveu cerca de 10 casos com grande riqueza de detalhes onde havia um grande contraste entre superioridade e incapacidade na mesma pessoa. As habilidades especiais incluiam talentos extraordinários para música, artes, matemática e mecânica, sempre acompanhados de uma memória fenomenal, presente em cada um dos casos. Dr. Down é mais conhecido por ter nomeado a Síndrome de Down, mas os casos dessas pessoas com habilidades especiais em contraste com suas deficiências, chamou muito a sua atenção. Sendo assim, foi ele quem cunhou o termo “idiot savant” para designar estes indivíduos extraordinários. Dr. Down resolveu juntar estas duas palavras porque na época, “idiot” (idiota) era um termo científico utilizado para designar pessoas com um certo grau de retardamento mental (Q.I. abaixo de 25) e “savant” ou “pessoa inteligente” é derivado da palavra francesa savoir que significa saber. Porém o termo “idiot savant” (idiota inteligente) não é mais utilizado para designar estas pessoas especiais, pois notou-se que quase todos os casos descritos a partir daquela época, ocorriam em pessoas com Q.I. acima de 40. Desta maneira, este termo foi substituído por outro mais adequado e melhor aceito, “Síndrome de Savant”. Além disso, não é o baixo Q.I. ou o retardamento mental, seja ele apresentado como um sintoma ou uma doença isolada que determina se uma pessoa é ou não um savant. O termo Síndrome de Savant engloba uma série de diferentes transtornos mentais, onde o retardamento mental está incluído, porém não se restringe a ele. O termo deficiência mental, quando aplicado à Síndrome de Savant pode incluir transtornos como Autismo, Asperger, Hiperlexia ou Sd. de Williams, por exemplo. Em algumas destas pessoas, o Q.I. pode ser normal ou até mesmo acima do normal.
A Síndrome de Savant ocorre de 4 a 6 vezes mais freqüentemente em homens do que em mulheres. Parte disto se deve ao fato de que ela ocorre em aproximadamente 10% das pessoas autistas, que se apresentam com esta mesma desproporção homem/mulher. Além disso, Geschwid e Galaburda demonstraram com detalhes em uma recente pesquisa que no desenvolvimento do feto humano, o hemisfério esquerdo do cérebro sempre completa sua formação mais tarde que o hemisfério direito7. Sendo assim, o hemisfério esquerdo do cérebro é exposto por um período maior de tempo à injúria cerebral de qualquer natureza. Um certo tipo de dano neuronal pode ser produzido pela circulação de testosterona, que no feto masculino alcança níveis muito altos e pode ser, em alguns casos, neurotóxica. Esta mesma injúria de desenvolvimento mediada pela testosterona, causando dano ao hemisfério cerebral esquerdo antes do nascimento pode explicar a mesma desproporcionalidade homem/mulher observada em algumas outras formas de disfunção do sistema nervoso central, como gagueira, dislexia, hiperatividade, dificuldades de aprendizagem e transtorno autista propriamente dito.
Durante todo o século passado, foi observado que na maioria dos casos, as habilidades presentes na Síndrome de Savant estão curiosamente restritas à apenas cinco áreas do conhecimento geral – música, arte, cálculo ou outras habilidades matemáticas, cálculos de calendário e habilidades mecânicas/espaciais.
A habilidade musical geralmente é a mais comum. Algumas pessoas com Síndrome de Savant podem tocar piano com perfeição, sem nunca ter estudado para isso. Elas são capazes de reproduzir músicas que ouviram por uma única vez, ou mais raramente, criar suas próprias composições. A tríade incapacidade mental, cegueira e geniosidade musical foi relatada com certa freqüência no século passado. Este é um fato curioso, particularmente se considerarmos a relativa raridade de cada uma dessas circunstâncias individualmente. O talento para as artes, como pintura ou desenho, é o segundo mais freqüente. Outras formas de talento artístico, como habilidade para fazer esculturas também podem estar presentes. Cálculos de calendário (datas) é particularmente comum entre os “savants”, especialmente se considerarmos o quanto esta habilidade é rara na população em geral. Estes indivíduos são capazes de dizer o dia da semana em que qualquer data irá ocorrer em um ano particular. Esta habilidade também inclui o fato de nomear todos os anos do próximo século em que a Páscoa irá cair no dia 23 de Março, por exemplo. Além disso, eles também conseguem dizer todos os anos nos próximos vinte, em que o dia 4 de Julho será uma Terça-feira.
Outras habilidades são ocasionalmente vistas, incluindo aquisições multilinguais ou idiomas incomuns. Tipicamente uma habilidade destas em particular ocorre predominantemente em cada pessoa com a Síndrome de Savant. Entretanto, em alguns casos múltiplas habilidades podem ocorrer na mesma pessoa. Qualquer que seja o tipo de habilidade, esta estará sempre relacionada a uma memória prodigiosa, e é este tipo de memória – extraordinariamente profunda, mas ao mesmo tempo muito limitada – que está presente em todas as várias habilidades especiais e une as condições que caracterizam a Síndrome de Savant.
Há alguns exemplos interessantes de pacientes portadores da Sd. de Savant na literatura atual. Kim Peek, sabe mais de 7600 livros de cor tão bem quanto qualquer código de área, rodovia, cep e estação de televisão dos Estados Unidos. Dele veio a inspiração para o personagem de Dustin Hoffman, Raymond Babbit, no filme Rain Man de 1988. Kim é também portador de retardamento mental e necessita da ajuda de seu pai para realizar muitas das tarefas básicas do dia-a-dia. Outro exemplo interessante é o de Leslie Lemke que é cego e sofre de paralisia cerebral. Apesar de nunca ter estudado piano, compõe músicas e é capaz de reproduzir diversas sinfonias, mesmo tendo-as ouvido por uma única vez. Richard Wawro é um pintor escocês renomado e conhecido internacionalmente. Desde os 17 anos de idade expõe seus trabalhos, que têm colecionadores famosos como Margaret Thatcher e Papa João Paulo II, entre outros. Ele é autista.

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Existe um grande número de teorias que tenta explicar o que causa a Sd. de Savant, porém nenhuma delas consegue explicá-la totalmente. Dentre essas teorias, há uma que se destaca por conseguir dar uma explicação consistente e plausível à maioria das habilidades savant. Esta teoria se baseia na injúria do hemisfério esquerdo do cérebro com a subseqüente compensação do hemisfério direito cerebral. É conhecido que os dois hemisférios cerebrais tendem a ter funções especializadas.
As habilidades mais freqüentemente observadas nos savants são aquelas associadas com o hemisfério direito, enquanto que suas deficiências se relacionam àquelas associadas ao hemisfério esquerdo. Estudos de imagem (tomografia computadorizada e ressonância magnética) demonstraram que realmente em alguns casos da Sd. de Savant há lesão do hemisfério esquerdo e essas lesões documentadas corresponderam às deficiências de funções do hemisfério esquerdo em detalhados testes neuropsicológicos. Recentes estudos de PET scan em pessoas idosas, que eram aparentemente normais e passaram a desenvolver habilidades semelhantes àquelas presentes na Síndrome de Savant demonstraram além de uma demência fronto-temporal, defeitos no lobo temporal esquerdo, reforçando a veracidade desta teoria.

DSC04354WILLIAMS, C. & WRIGHT, B. Convivendo (How to live) com Autismo e Síndrome de Asperger – Estratégias práticas para pais e profissionais / Ilustrações de Oliver Young / São Paulo. Ed. MBooks. 2008.

“Uma obra excelente para clarificar e ajudar. A obra é dividida em três partes: descreve os comportamentos que podem alertar os pais sobre a possibilidade do filho ter autismo / tenta explicar a percepção do mundo pelo autista / oferece estratégias e planejamento em busca de soluções para integrar e desenvolver”.

Prof. Celso Lugão da Veiga (IP-SPA-UERJ)

Na verdade, a Síndrome de Savant não é um transtorno ou uma doença por ela mesma. É, ao invés disso, uma condição em que extraordinárias habilidades e memória prodigiosa são superimpostas à uma disfunção cerebral de base que surge de um defeito do desenvolvimento ou à algum transtorno mental. Portanto, não há tratamento para a Síndrome de Savant, além daquele direcionado à disfunção de base do sistema nervoso central, como autismo ou transtorno de Asperger, por exemplo. Em casos de pessoas com alguma outra forma de lesão do sistema nervoso central, como demência fronto-temporal, por exemplo, o tratamento e reabilitação, seriam àqueles direcionados aos sintomas residuais de tal injúria.

Os talentos e habilidades especiais que os savants demonstram são úteis no tratamento e reabilitação de seu transtorno ou doença de base. Em muitos casos essas habilidades extraordinárias podem ser usadas como uma forma de engajamento social. A pessoa deficiente pode incrementar sua capacidade de comunicação e interação social, promovendo o desenvolvimento de hábitos da vida cotidiana e independência. Desta maneira as habilidades especiais podem até servir como “condutores de normalização” para o savant.

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A SA é mais comum nos rapazes (5/1), e afecta cerca de 20 a 40 pessoas em cada 10mil. Em Portugal estima-se que o número de crianças com esta síndrome ronde os 40 mil. Tem-se discutido muito sobre as causas da SA. Os estudos efectuados têm avançado várias causas possíveis, desde biológicas( estando implicados diversos aspectos da estrutura do cérebro) a genéticas. Esta informação foi retirada de uma brochura da Apsa de Março de 2007  O dia internacional de Asperger é dia 18 de fevereiro (homenagem a Hans Asperger, nascido em Viena a 18 de Fevereiro de 1906). Daniel Tammet: Savant sinesteta Enviado por raulespert. – College experience videos. azul Em ‘Nascido em um dia azul’, Daniel Tammet relembra sua infância, quando se sentia isolado e limitado pela incapacidade social que marca pessoas como ele – um portador da síndrome de Savant e da síndrome de Asperger. Crianças com esses distúrbios têm dificuldades de relacionamento, de compreender frases ou piadas de duplo sentido, de captar nuances emocionais do comportamento humano ou de dirigir automóveis. Apesar dessas limitações, ele se tornou professor de línguas estrangeiras, é atração de programas de televisão e de universidades com suas habilidades singulares para fazer cálculos com velocidade, graças à forma especial como consegue lidar com números.

Nascido+num+dia+azul+DANIEL+TAMMET

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Ciência e Cultura

Print ISSN 0009-6725

Cienc. Cult. vol.56 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2004

Ciência e Literatura

OLIVER SACKS É UM ANTROPÓLOGO EM MARTE

Oliver Sacks

O inglês Oliver Sacks é um neurologista com muitos pacientes para estudar e histórias para contar. O olhar de Sacks sobre seus pacientes, nos nove livros que já publicou, torna-os extremamente interessantes revelando mistérios da mente humana. Algumas das obras, pelo potencial em dramaturgia, foram adaptadas para o cinema. O filme mais conhecido éTempo de despertar, baseado no livro de mesmo nome,produçãode 1991, tendo Robin Williams e Robert De Niro nos papéis principais. O livro conta a história de um grupo de pacientes com letargia encefálica, que retornam subitamente ao mundo após décadas de “sono”. Presenciar o “renascimento” dessas pessoas permitiu a Sacks repartir a experiência daquelas vidas incomuns – que maravilharam e intrigaram o autor – com muitas outras pessoas, via literatura e cinema.

Além de um humanizado neurologista, Sacks também se revela um exímio contador de histórias. Em sua obra, a complexidade de seus casos clínicos aparece em narrativas envolventes e muito próximas do cotidiano das pessoas. Muitas vezes, os pacientes parecem ser apenas um pretexto para Sacks compartilhar com os leitores a dura fragilidade humana e os esforços empregados para a sobrevivência em meio a grandes adversidades que transformam a vida em uma realidade, muitas vezes, quase insuportável.

O caso do pintor que ficou daltônico, contado no livro Um antropólogo em Marte, é um exemplo da incrível capacidade de adaptação humana a condições adversas. Esse pintor torna-se completamente daltônico devido a um acidente de carro, deixa de viver no mundo colorido conhecido para olhar a vida nas tonalidades cinza, preta e branca. Sacks consegue transmitir as emoções causadas por essa transformação na vida de um artista que tinha na cor sua inspiração, e relata o lento processo de adaptação, nada fácil, à nova realidade.

Em A ilha dos daltônicos, o neurologista depara-se com uma situação peculiar numa ilha do Atol de Pingelap, no Pacífico. Isolados, os habitantes da ilha nasciam daltônicos e desenvolviam um tipo de vida completamente adaptado a essa condição. E, se lembrarmos de Darwin e Wallace, podemos entender ainda melhor o fascínio de Sacks pelo caso, porque a ilha foi um dos objetos do estudo que deu origem à teoria da evolução, e não dá para pensar em evolução sem pensar em adaptação, aliás, em muitas adaptações – como as dos pacientes de Sacks.

Garimpando reações e emoções na vida de seus pacientes, Sacks encontra um repertório rico para desenvolver seu viés literário. O escritor tira o avental e segue em busca de respostas mais abrangentes sobre a vida humana, incorporando à sua formação de neurologista a visão de antropólogo. Mostra que não é preciso ir longe, fazer uma grande viagem, cruzar oceanos, para descobrir um mundo sempre surpreendente, que existe dentro do “pequeno” espaço da cabeça das pessoas.

Juliana Schober

As obras abaixo forma traduzidas pela excelente Editora CIA das Letras.

NEUROPSICOLOGIA NEUROPSICOLOGIA ANTÔNIO DAMASIO: O CÉREBRO À PROCURA DA ALMA

Ëdition Spéciale Science & Vie, 1996 Por René Bernex Tradução de Paulo F. de M. Nicolau

Para  o neurocientista português, atualmente radicado nos E.U.A. Prof. Dr. Antônio Damasio, a razão pura não existe: nós pensamos com o nosso corpo e nossas emoções. O retrato de um pesquisador que deu à alma uma base neurobiológica.

“Os fenômenos mentais  se integram verdadeiramente ao corpo tais como  eu os visualizo, são capazes de dar lugar às mais altas operações, como aquelas que revelam a alma e o nível espiritual. Sob meu ponto de vista, não obstante, todo o respeito que devemos concordar em noção da alma,  podemos dizer que por último esta reflete somente um estado particular e complexo do  organismo”.

A Cartografia do Pensamento

Graças às novas tecnologias  imaginárias médicas que Damasio pôde montar a cartografia do pensamento.

Kris Snibble/Haward News Office
“Religiosos e cientistas deveriam deixar de lado as diferenças. Para ambos, a natureza é sagrada, pois dela depende a criação humana”

Autor de um celebrado estudo sobre a fartura de seres vivos no planeta, chamado Diversidade da Vida, o biólogo americano Edward Wilson foi um dos pioneiros a alertar sobre a extinção em massa de espécies causada pela atividade humana no século XX. Em sua mais recente empreitada – cujo resultado está no livro A Criação, a ser publicado em setembro nos Estados Unidos –, ele analisou as relações entre religião e ciência e propôs uma solução para o confronto ideológico nesse campo. “Religiosos e cientistas deveriam ter um objetivo comum: defender a natureza, porque dela depende a criação humana”, diz Wilson. Fundador da sociobiologia, ciência que estuda as bases genéticas do comportamento social dos animais, inclusive o ser humano, ele ganhou duas vezes o Prêmio Pulitzer – por Formigas, inseto do qual é o maior especialista mundial, e Sobre a Natureza Humana, em que estuda o modo como a evolução se reflete na agressividade, na sexualidade e na ética humana. Aos 76 anos, aposentado mas em plena atividade como professor e escritor, Wilson concedeu a seguinte entrevista de seu escritório na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. 

Veja – Mais de 80% da população dos Estados Unidos não acredita na teoria da evolução. Trata-se de um fenômeno tipicamente americano?
Wilson – Para 51% dos americanos, a espécie humana foi criada por uma força superior alguns milhares de anos atrás. Outros 34% acreditam que houve uma evolução guiada por Deus. Os 15% restantes dizem que os cientistas estão corretos. Esses números são extraordinários porque representam exatamente o oposto do que pensam os europeus. Na Europa, 40% da população dá razão à tese de que as espécies evoluíram pela seleção natural. Apenas uma minoria concorda com os criacionistas, que descartam a teoria da evolução.

Veja – O que explica o vigor do criacionismo, a ponto de estar em cogitação ensiná-lo nas escolas americanas, em oposição à teoria da evolução das espécies?
Wilson – Algumas organizações religiosas estão conseguindo introduzir no governo americano a tese do design inteligente. Isto é, que foi Deus quem guiou a evolução. Ajuda o fato de termos um presidente, George W. Bush, que acredita que Deus fala com ele quando toma certas decisões ou vai à guerra. Isso fortalece as crenças fundamentalistas mais radicais da população. Para completar, após os atentados de 11 de setembro, a população americana, sentindo-se vulnerável, agarrou-se à idéia de que o país precisa se voltar mais para a religião. Em meu próximo livro, A Criação, faço um apelo às pessoas religiosas. Peço que deixem de lado suas diferenças com as pessoas seculares e os cientistas materialistas, como eu, e se juntem a nós para salvar o planeta. A ciência e a religião são as duas forças mais poderosas do mundo. Para ambas, a natureza é sagrada.

Veja – O senhor sustenta existir uma relação direta entre a seleção natural e o sentimento religioso. Qual é?
Wilson – A religião está sempre dizendo às pessoas que sobrevivam, e esse é um princípio básico da seleção natural. A religião estimula a mente humana a transpor as dificuldades, a juntar-se a outros indivíduos e a se comportar de maneira altruísta em favor do grupo. O objetivo é a sobrevivência do grupo. Isso explica por que as religiões são tão tribalistas.

Veja – Qual é o erro da teoria do design inteligente, a idéia de que a complexidade dos organismos vivos é a melhor prova da existência de um projetista divino?
Wilson – O único argumento dos defensores do design inteligente é que a ciência não consegue explicar todos os detalhes da evolução e dos fenômenos naturais. Para eles, isso é o suficiente para justificar a crença numa força sobrenatural por trás do inexplicável. Obviamente, não se trata de um argumento científico. A motivação dos cientistas é justamente a de descobrir a verdade sobre o que ainda não se consegue explicar. Ao adotar a crença de que a evolução é uma invenção de Deus, a religião coloca em risco sua credibilidade e prestígio. Se os defensores do design inteligente tivessem evidências da existência de forças sobrenaturais nos processos físicos e biológicos, os cientistas seriam os primeiros a estudar esses fenômenos.

Veja – É possível aceitar a teoria da evolução e, ao mesmo tempo, ser religioso?
Wilson – Sim, claro. Eu próprio me considero um espiritualista. Acredito na grande força do espírito humano. Mas não creio em vida após a morte ou em uma alma separada do corpo e da mente. A criatividade, a estética, o sentimento de totalidade e o amor são essencialmente parte do funcionamento da mente. Sabemos que o cérebro se comporta de maneira diferente quando ocorrem mudanças químicas no organismo ou quando nos machucamos. Isso sugere que a essência humana depende de um sistema celular complexo. Não há incoerência alguma em acreditar que os sentimentos têm uma base física e, ao mesmo tempo, ter uma visão espiritual da mente humana.

Veja – O senhor não se sentiria reconfortado se soubesse que existe vida após a morte?
Wilson – Pense no que significaria passar o resto da eternidade no céu. Não fomos feitos para isso. A mente humana foi construída para durar por um tempo limitado. Ultrapassar esse limite seria obrigar o indivíduo a uma existência infernal. Uma pesquisa com a elite científica dos Estados Unidos mostrou que 85% dos pesquisadores não se importam se existe ou não vida após a morte. Eu não me importo.

Veja – O senhor afirmou certa vez que se considera um deísta provisório. O que quer dizer com isso?
Wilson – Primeiro é preciso definir teísmo e deísmo. O teísmo é a crença de que Deus intervém nos assuntos humanos. Deus seria capaz de fazer milagres e está diretamente ligado ao discurso humano. Já o deísta é aquele que aceita a possibilidade de existir uma força superior que estabeleceu as leis responsáveis pela criação do universo. O deísta, no entanto, não acredita que Deus esteja envolvido nos assuntos diários dos seres humanos. Enquanto não soubermos dar uma melhor explicação para o início do universo, considero-me um deísta provisório. A ciência está avançando rapidamente. Quem sabe em breve os físicos já possam explicar de onde viemos.

Veja – Muitos críticos dizem que a ciência é uma espécie de religião e que a teoria da evolução exige devoção. O senhor concorda?
Wilson – Não. Existe uma grande diferença. A religião exige fé, uma fé sem questionamentos. A ciência não tem nada parecido com isso. Baseia-se em um conjunto de conhecimentos acumulados e tem uma trajetória de agregar mais e mais informações que explicam o mundo. É um processo de busca, de exploração e descoberta. Totalmente diferente de religião.

Veja – O senhor vê progresso na evolução?
Wilson – Sim, porque em bilhões de anos a evolução tem produzido espécies cada vez mais complexas, um maior número de organismos e ecossistemas mais sofisticados. Se tomarmos exemplos isolados, no entanto, veremos que nem sempre a evolução significa progresso. Afinal, ela é fruto de mutações e mudanças genéticas aleatórias. Há casos de parasitas que perderam os olhos e de animais que perderam os pés. Se complexidade é progresso, então essas espécies regrediram.

Veja – O fato de o ser humano ter evoluído a ponto de controlar a natureza como nenhum outro animal nos dá o direito de fazer o que quisermos com as outras espécies?
Wilson – A espécie humana sem dúvida é a mais sagrada do planeta. Afinal, é a mais inteligente e a única civilizada. Nos estágios iniciais da nossa evolução, quando os seres humanos viviam da caça e em bandos, o objetivo era derrotar a natureza, porque isso era uma questão de sobrevivência. Hoje, derrotar a natureza significa destruir parte do que resta de vida na Terra. Temos de saber quando parar. Estamos arruinando a natureza só para abrir um pouco de espaço para mais seres humanos. Isso não é progresso, nem sob o aspecto moral, nem como opção para garantir o futuro da humanidade. Nós precisamos da natureza para garantir a produtividade na biosfera. A espécie humana foi bem-sucedida demais.

Veja – Um estudo da ONU estimou que em 2050 a população da Terra atingirá o pico de 9 bilhões de pessoas, para então estabilizar. Como podemos melhorar a situação econômica de tanta gente e, ao mesmo tempo, impedir a destruição da natureza?
Wilson – A maioria dos especialistas acredita que os recursos existentes na Terra suportariam essa superpopulação sem destruir a natureza. É preciso aumentar a produtividade da terra, e, para isso, temos de utilizar sementes geneticamente modificadas. A espécie humana depende de apenas vinte tipos de planta para se alimentar. Arroz, milho e trigo são as principais. Existem, no entanto, mais de 50.000 plantas cultiváveis. Muitas delas podem se tornar viáveis economicamente com a modificação genética. Se soubermos preservar o que restou da natureza e torná-la mais produtiva, conseguiremos alimentar os 9 bilhões de pessoas previstos para 2050.

Veja – Por que existe resistência tão grande aos alimentos geneticamente modificados?
Wilson – O primeiro medo é o de que existam riscos ambientais no uso de transgênicos. Há quem tema, por exemplo, que possam dar origem a superbactérias, resistentes a qualquer tipo de remédio. Essa é uma visão hollywoodiana. Não existem evidências de que isso possa ocorrer. Já há as superbactérias, mas elas são naturais. Em geral são espécies de outros países ou continentes trazidas sem querer em navios ou aviões. Em ambientes sem a competição de outras espécies, essas bactérias se espalham e acabam se tornando pestes sérias. O segundo temor é o de que os alimentos transgênicos possam ser prejudiciais à saúde humana. Até agora também não há evidências disso, apesar dos inúmeros estudos. Nos Estados Unidos, 40% dos alimentos consumidos pela população são geneticamente modificados. Há quem diga que isso não é natural. Bobagem. Na prática, temos feito isso há 10.000 anos. Desde que a agricultura foi inventada, criamos plantas e animais modificando sua genética e escolhendo as melhores espécies. Isso não é diferente de introduzir novos genes diretamente em uma espécie. Não é o gene que interessa, e sim se o produto criado com ele é bom.

Veja – Por que é tão urgente preservar a biodiversidade do planeta?
Wilson – Um cálculo feito em 1997 por biólogos e economistas mostrou que as espécies de todos os ecossistemas contribuíram com 30 trilhões de dólares em “serviços”, como limpeza e retenção de água, regeneração de solo e limpeza da atmosfera. Esse valor era, naquele momento, próximo ao de toda a produção humana. Dependemos da biodiversidade mais do que imaginamos. Outro aspecto é que estamos começando a compreender como as espécies que surgiram 1 milhão de anos atrás foram extintas e substituídas por outras. Isso é importante para entendermos a origem da vida. Precisamos desse conhecimento. Os cientistas identificaram apenas 10% das espécies e organismos existentes no planeta. Conhecer os 90% restantes tem um valor inestimável.

Veja – Alguns cientistas dizem que a espécie humana está vivendo uma evolução acelerada. A tese é a de que a humanidade está começando a decidir sobre sua própria evolução. O senhor concorda?
Wilson – Sim, em meu livro dei a esse fenômeno o nome de evolução voluntária. Estamos próximos de atingir um estágio de desenvolvimento em que poderemos escolher o caminho da nossa evolução. Em breve poderemos eliminar totalmente doenças genéticas, como fibroses, simplesmente substituindo os genes defeituosos. Essa é uma forma de conduzir a evolução. A questão é se deveria ser permitido usar a engenharia genética para melhorar indivíduos humanos. Em alguns anos, os pais poderão escolher se o filho será um bom atleta ou um bom músico. Devemos permitir isso? Trata-se de uma questão ética que ainda não foi analisada em profundidade. Simplesmente porque ainda não estamos enfrentando os problemas relacionados a essas possibilidades tecnológicas. Em algum momento, a humanidade deverá decidir sobre isso, e aí teremos a evolução voluntária. Precisaremos ser muito cuidadosos ao mudar a natureza, pois é ela que nos faz humanos.

Veja – Qual o limite?
Wilson – Não sei, está fora do meu alcance. Precisamos de mais conhecimentos sobre genética, saber melhor o que somos, qual é a natureza humana e quais as conseqüências dessas mudanças na organização da nossa sociedade atual. É uma grande pergunta. Nós mal conseguimos entender a nós mesmos nas condições atuais. Tentar entender como seríamos se nos alterássemos geneticamente é um passo gigantesco.

Veja – Em sua opinião, é eticamente aceitável tentar encontrar uma explicação genética para o comportamento homossexual?
Wilson – Sim. Quanto mais soubermos, quanto mais verdades tivermos, mais teremos capacidade de resolver questões que mobilizam a sociedade. Já existem algumas evidências de que a homossexualidade acontece por um componente genético hereditário. Parte da variação da preferência sexual deve-se aos genes. Se soubermos o que está envolvido nisso, poderemos tomar decisões racionais e morais sobre o assunto. Se a ciência provar que a homossexualidade tem uma base genética e que o gene está bem distribuído pela população, os gays vão poder dizer: “A evolução natural nos fez assim, e, por isso, não há nada de errado no que fazemos e no tipo de vida que levamos”. Esse é um ótimo argumento. Por outro lado, se descobrirmos que a homossexualidade não tem nenhuma origem genética, ganhará força a tese de que esse comportamento sexual tem como causa um trauma ocorrido na infância. Os defensores dessa tese terão argumentos para querer curar ou corrigir os homossexuais. Até descobrirmos a verdade sobre isso, essa discussão vai continuar indefinidamente. Por isso, quanto mais soubermos, mais livres seremos.

De acordo com o jornal Salt Lake City Tribune, no último sábado, 19, faleceu na cidade de Salt Lake City, no estado de Utah, nos Estados Unidos, o homem que inspirou a criação do personagem Raymond Babbit no filme “Rain Man“. Kim Peek morreu de parada cardíaca aos 58 anos. Peek sofria de infecção das vias respiratórias, segundo informou seu pai, Fran Peek, ao jornal.

Kim Peek, dotado de capacidade de memorização fora do comum, serviu de inspiração ao roteirista Barry Morrow para criar o personagem vivido por Dustin Hoffman em 1988. O filme conquistou quatro prêmios Oscar, incluindo de melhor ator.

“Ele era especial“, comentou o neuropsiquiatra Daniel Christensen, da Universidade de Utah. “Sua memória e sabedoria eram simplesmente incríveis“. Portador da “Síndrome de Savant”, Peek tinha a capacidade de decorar tudo o que lia.

“Com 16 anos, leu toda a obra de Shakespeare, o Antigo e o Novo Testamento“, contou Fran Peek. Depois de nascer, os médicos haviam diagnosticado que Kim sofreria de um retardamento mental e aconselharam a seus pais que o confiassem a uma instituição especializada.

Segundo pessoas próximas, Kim Peek mantinha uma vida reclusa, devorando obras inteiras. Sua capacidade de absorção e observação eram impressionantes, embora não conseguisse realizar tarefas mais simples, como se vestir. Mas tudo mudou quando em 1984 conheceu Barry Morrow. O roteirista, fascinado por sua história, resolveu adaptar sua vida para o cinema.

O filme “Rain Man”, dirigido por Barry Levinson, foi um grande sucesso mundial. Kim Peek passou a dar palestras e foi considerado um gênio em diversos temas, como história, literatura e matemática.

Síndrome de Savant é considerada um distúrbio psíquico com o qual a pessoa possui uma grande habilidade intelectual aliada a um déficit de inteligência. As habilidades savants são sempre ligadas a uma memória extraordinária, porém com pouca compreensão do que está sendo descrito.

Encontrada em mais ou menos uma em cada 10 pessoas com autismo e em, aproximadamente, uma em cada 2 mil com danos cerebrais ou retardamento mental, a síndrome de savant é citada na literatura científica desde 1789, quando Benjamim Rush, o pai da psiquiatria americana, descreveu a incrível habilidade de calcular de Thomas Fuller, que de matemática sabia pouco mais do que contar. Em 1887, no entanto, John Langdon Down, mais conhecido por ter identificado a síndrome de Down, descreveu 10 pessoas com a síndrome de savant, com as quais manteve contato ao longo de 30 anos – como superintendente do Earlswood Asylum (Londres). Langdon usou o termo idiot savant (sábio idiota), para identificar a síndrome, aceito na época em que um idiota era alguém com QI inferior a 25.

Conheçam abaixo uma lista com os 10 mais espetaculares Savants do Mundo.

1 – KIM PEEK:

Quando foi diagnosticado com retardo mental, um médico disse ao seu pai que ele nunca conseguiria aprender nada, que deveria ser institucionalizado e esquecido. Mas Kim começou a ler enciclopédias aos quatro anos de idade. E terminou o currículo do High School (2º grau), aos 14 anos.

– Kim começou a ler enciclopédias aos quatro anos de idade. E terminou o currículo do High School (2º grau), aos 14 anos.

– Ele costuma memorizar listas telefônicas inteiras.

– Sabe, de cada cidade dos EUA, quais são todas as suas estradas, estações de TV, códigos de área, códigos postais, etc.

– Sabe também da história de todos os países.

– Conhece toda a árvore genealógica e todos os detalhes da vida de todos os presidentes dos EUA.

– Lembra-se de todas as realizações da NASA.

– Finalmente, parece que ele mantém em sua mente tudo o que ele lê.

Páginas de livros que podemos ler em 3 minutos ele lê em 8 ou 10 segundos. Ele utiliza um olho para ler cada página simultaneamente.

Kim sabe qual foi o dia da semana de qualquer data passada. Por exemplo, se perguntarmos que dia da semana foi 27 de março de 1977, ele responderá que foi um domingo.

Peek serviu de inspiração para o personagem Raymond Babbit, que Dustin Hoffman representou em 1988 no filme Rain Man.

2 – LESLIE LEMKE:

Leslie Lemke, nascido prematuro em Milwaukee, 1952, foi rejeitado pela mãe por ser portador de deficiência cerebral. Com complicações na retina, ficou totalmente cego devido ao glaucoma.

Aos 14 anos tocou, com perfeição, o Concerto nº 1 para piano de Tchaikovsky, depois de ouvi-lo pela primeira vez enquanto escutava um filme de televisão. Lemke jamais tinha tido aula de piano, é cego, mentalmente incapacitado e tem paralisia cerebral.

Em 1983, Leslie ganhou fama mundial, sendo convidado pelos reis da Noruega. Fez também uma turnê no Japão, mantendo sempre a política de shows beneficentes em escolas, hospitais, prisões, igrejas.

http://br.youtube.com/watch?v=0x41x7VPwTk

3 – ALONZO CLEMONS:

Alonzo Clemons pode criar réplicas de cera perfeitas de qualquer animal, não importa quão brevemente o veja. Suas estátuas de bronze são vendidas por uma galeria em Aspen, Colorado, e lhe deram reputação nacional. Clemons é mentalmente incapacitado.

4 – GOTTFRIED MIND:

O autista suíço Gottfried Mind (1768-1814), um dos primeiros casos de autismo registrado na literatura médica, alcunhado de “Rafael dos gatos”, em homenagem ao grande pintor renascentsita Raphael, produziu diversos quadros relativos ao gato, animal que idolatrava. Chegou a esculpi-lo em castanhas. Não há na história da humanidade, nenhum outro pintor que tenha pintado o bichano de forma tão real quanto Gottfried.

5 – GILLES TRÉHIN:

Gilles Tréhin sofre de autismo. Desenhista prodígio e fascinado por grandes cidades, resolveu criar a sua própria. Batizou-a de Urville. Aos 12, começou a fazer os primeiros esboços da cidade. Hoje, existe até um livro publicado sobre a sua criação. Os detalhes são impressionantes. Mapas do metrô, descrições minuciosas sobre a economia, geografia e história da cidade e sua vida cultural. Descrições detalhadas sobre seus edifícios e sua arquitetura.

http://br.youtube.com/watch?v=gKBQJqfeI4o

6 – JEDEDIAH BUXTON:

Jedediah Buxton (1705-74) era analfabeto, porém possuía uma capacidade fora do comum para cálculos e notável aptidão para solucionar os mais difíceis problemas. Em uma visita a Londres, foi levado a ver Garrick na peça Ricardo III e passou o tempo a contar as palavras pronunciadas pelos atores. Calculou o produto de um farthing (moeda inglesa) elevado à potência 139. O resultado, expresso em libras, alcança 39 dígitos. À parte seu talento para os números, sua inteligência era abaixo de medíocre.

7 – ORLANDO SERREL:

Orlando Serrell, que adquiriu a Síndrome de Savant após uma forte pancada na cabeça, sabe o dia da semana e o clima desde o dia do acidente sem precisar pensar.

8 – STEPHEN WILTSHIRE:

http://br.youtube.com/watch?v=a8YXZTlwTAU

Stephen Wiltshire tem uma história assaz interessante. Detentor de uma incrível capacidade de memorização, Stephen é capaz de memorizar os traços de uma cidade inteira, bastando observá-la por algum tempo.

Como de praxe a história começou lá no começo… Ainda com três anos, Stephen Wiltshire foi diagnosticado como sendo autista. E como característica de sua doença, Stephen vivia sozinho em seu próprio mundo. E não apenas isso, Stephen Wiltshire também era mudo. Na verdade, não era bem um mudo, mas ele não falava, tinha dificuldades.

Seus desenhos são apenas detalhes, pois incrível mesmo é a sua capacidade de memorização. Sua memória fotográfica é capaz de memorizar uma cidade inteira, bastando apenas um vôo pela cidade em questão. E foi assim que Stephen pintou Tokyo, Hong Kong, Roma entre outras cidades.

9 – ELLEN BRODREAUX:

Caso raro entre o sexo feminino, Ellen é uma Savant cega, com um memória e um sentido musical extraordinários. Capaz de executar qualquer música apenas ouvindo-a pela primeira vez, a guarda em sua memória que funciona como uma enorme biblioteca musical.

10 – DANIEL TAMMET:

Daniel Paul Tammet é um inglês que sofre da Síndrome de Savant.

Ele tem capacidades especiais na memorização de números e grande facilidade na aprendizagem de línguas.

Foi capaz de dizer 22.514 dígitos de Pi e de aprender a falar islandês numa semana. Atualmente fala onze línguas diferentes.

Tammet diz que cada número inteiro até 10.000 possui uma forma, textura e cor únicos e utiliza essa capacidade para realizar cálculos matemáticos.

Escreveu o livro “Born on a Blue Day” (Nascido num dia azul, cor que representa, para ele, as quartas-feiras, dia em que ele nasceu).

A Tribute to Kim Peek (1951-2009)

by Daniel Tammet

I would like to say a few words to pay tribute to Kim Peek, who passed away December 19th, at age 58. I was informed yesterday morning, but wanted to await Kim’s father Fran’s permission before making the news public.

For those who don’t know, Kim was the inspiration for Dustin Hoffman’s character in the Oscar-winning movie ‘Rain Man’.

I met Kim and his father Fran in July 2004, in Salt Lake City, Utah. Our time together was filmed for the documentary film “Brainman” (pun intended) and many viewers subsequently told me that this sequence was the highlight of the film. I also dedicated a chapter of my 2006 memoir “Born On A Blue Day” to our encounter.

Kim was a remarkable human being, blessed with astonishing mental gifts; he also battled numerous handicaps throughout his life. At the same time, he was funny, provocative, and down-to-earth. I remember fondly how he regaled me (and the documentary’s film crew) with all manner of facts and jokes, tunes and anecdotes. When I interviewed his father Fran, he was unsurprisingly extremely proud of his son, and vividly described Kim’s history and current life, which included much travel across the States with the important message that difference needn’t be a disability, because everyone’s different.

The memory I most treasure of Kim is of our mutual feelings of joy and excitement at finding someone who understood, in some small way, what it was like to think and feel and perceive the world very differently. We spent a long time swapping facts and figures with the kind of affection normally reserved for the gossip and reminiscences of old friends. And it really did feel as if we had known each other for years. There was a warm and wonderful ease and intimacy between us. I was and remain profoundly moved and inspired by the experience.

Meeting Kim and Fran helped me to learn much about what it means to be a savant, and a man. Kim faced his condition, its blessings and its burdens, with great courage, humour, and dignity. I must also pay homage to the tremendous and untiring dedication of Fran, on whom Kim depended and of whom he famously said: “We share the same shadow.”

Rest in Peace.

he Academy-award winning film Rain Man brought national—indeed international—attention to the Savant Syndrome Condition. But since it was first described a more than a century ago, the phenomenon of the savant—islands of genius and a-bility in stark juxtaposition to handicap and dis-ability—has remained unexplained. This site explores this fascinating condition in depth, and provides profiles of specific savants, some of whom have prodigious skills and abilities.

Darold A. Treffert, MD, past-president of the Wisconsin Medical Society and a psychiatrist at St. Agnes Hospital in Fond du Lac, Wisconsin has studied savant syndrome for years. He was a consultant to the movie Rain Man. On this web site he describes the condition, reviews and summarizes the world literature on the topic since the early reports, describes more recent cases and catalogs and categorizes savant abilities. He also provides a bibliography for references and text & video profiles of persons with savant syndrome.

His first book—Extraordinary People: Understanding Savant Syndrome—was updated most recently in 2006 and is available in ten languages. It is available through the www.iuniverse.com web site, Barnes and Noble at www.bn.com and www.amazon.com.

His most recent book—Islands of Genius: The Bountiful Mind of the Autistic, Acquired and Sudden Savant—was published by Jessica Kingsley, Inc., London. It was released in April, 2010 in the United States and will be available in May, 2010 in the U.K. and Europe. This book provides an update on well-known savants Dr. Treffert has been following for years and explores new cases, particularly the ‘acquired savant’ in which neurotypical persons demonstrate previously dormant savant skills, sometimes at a prodigious level following head injury or CNS disease. It also explores genetic memory—how savants ‘know things they never learned’. Both the acquired savant and genetic memory have vast implications for accessing dormant potential—a little Rain Man perhaps—within us all. There is a color illustration section of savant art, and special section outlines techniques for ‘training the talent’ (art, music, math) in these special people. The book is available at www.jkp.com or through Amazon or Barnes and Noble.

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