IMPROVISAÇÃO, HIPNOSE & PSICOTERAPIA

DSC03153 IMPROVISAÇÃO, HIPNOSE & PSICOTERAPIA by Celso Lugão da Veiga

( Foto: A Árvore Sefirótica,  na concepção de Diogo Lean Veiga)

Abaixo há o resumo da palestra feita no dia   29 de junho de 2012, no X CONGRESSO BRASILEIRO DE HIPNOLOGIA, na UERJ, pelo professor Celso Lugão da Veiga. Após este resumo há uma descrição de como foi realizada e conduzida esta palestra. Mais além será publicado na íntegra o artigo de mesmo nome que originou esta comunicação.     Pretende-se, em um próximo artigo, comentar as impressões sobre o Congresso e se levantar reflexões sobre os rumos da hipnoterapia e da hipnologia, bem como o esclarecimento do que é o empreendimento científico.

 

O nome do próximo artigo inspirado em uma pergunta que foi feita em “portunhol” ao professor será  “De que ciência tu hablas?”. (Lo que la ciencia habla usted?, na versão do  Google tradutor p/ o espanhol).          Conforme os três artigos anteriores editados neste site, vem ocorrendo uma série de confusões no que tange à atividade científica. Em parte isto se deve as tentativas de atividades pseudo-científicas e de criacionistas para criar uma confusão na mente das pessoas para que possam vender suas atividades e produtos aos incautos e desavisados. Como já  foi apontado nos artigos anteriores citados, movimentos como o chamado Pós- Modernismo, servem bem ao propósito destes grupos. Felizmente há um movimento no sentido contrário, ou seja, existem várias atividades de vigilância epistemológica se manifestando. Esta também é uma das finalidades deste site. Espero que apreciem e ponderem sobre a autoridade dos argumentos expressos ao longo do site, posto em ciência não ter o menor valor os argumentos de autoridade.

 
                     IMPROVISAÇÃO, HIPNOSE & PSICOTERAPIA

Autor: Celso Lugão da Veiga

Professor e supervisor em psicoterapia estratégica (SPA-IP-UERJ).

Improvisação é a negação do previsto, do planejado; decorre do processo da criatividade. Portanto, o que se propõe é uma reflexão sobre diferentes ângulos do tema da improvisação frente aos campos da hipnose e da psicoterapia. À guisa de conclusão se declara que é a improvisação que permite manter o ensino de teorias, métodos e técnicas em psicoterapia em constante evolução. Donde, recomenda-se especial atenção às estratégias de treinamento dos terapeutas, bem como acentuar o debate em prol de temas filosóficos como: as vantagens dos sistemas em aberto, o ecletismo crítico, o pluralismo teórico e, quiçá, a busca por uma teoria unificada.

Pela perspectiva evolucionista e histórica, a improvisação remete a assuntos conexos como a sobrevivência das espécies e a simulação. Já por um ângulo epistemológico implicaria em se pensar sobre as mudanças de paradigmas (T. Khun) e cosmovisão (Weltanschauung). E, no que tange à psicologia e ao ensino das psicoterapias, a improvisação permite uma reflexão sobre o tema das crenças, as regras básicas que norteiam todo corpo de conhecimento – crença é a orientação cognitiva fundamental de um indivíduo ou de toda uma sociedade. Sob o viés do pensamento cognitivista as crenças estão inextricavelmente ligadas às emoções, sendo guias permanentes sobre o modo de agir e reagir das pessoas. Logo, a improvisação sugere, clama e garante a flexibilidade das regras, das crenças norteadoras, o que implica em se pensar sobre o tema das mudanças. Seja a mudança de sintomas de um cliente, sob o prisma da psicologia clínica. Seja o treinamento e suas estratégias para transformar alunos em psicoterapeutas, o que remete aos binômios informação versus formação, rigor versus rigidez diante das inúmeras abordagens teóricas. Numa escala mais ampla, filosófica e pedagógica, se poderia argumentar que a capacidade inventiva e criadora para se funcionar com diferentes tipos de metáforas e/ou teorias – a flexibilidade para se transformar o estranho em familiar e o familiar em estranho – favorece as mudanças epistemológicas, auxiliando o conhecimento a prosperar.

Dinâmica  e estrutura da palestra (tempo estimado para expor 25 minutos)

Utilização do powerpoint e de vídeos p/ ilustar com metáforas pictóricas e auditivas os argumentos.

Os três vídeos de música abaixo (extraídos do You Tube) foram exibidos antes da palestra se iniciar com a finalidade de atrair as pessoas que estavam do lado de fora ou conversando dentro do auditório. Isto ativou a atenção e gerou sentimentos como o prazer e o humor, como se poderá entender vendo os vídeos, e também preparou o argumento principal da palestra, que se propõe a examinar o tema da improvisação em diferentes contextos –> a improvisação será tanto mais eficiente e elegante se existe todo um repertório de competências previamente treinado.

Eric Clapton

Four hands Guitar

Grupo Mozart

 Ao final da apresentação parcial destes três vídeos o professor Celso Lugão iniciou a palestra…

“Bom dia, Привет Меня зовут Селсу Lugão. Я учитель. Я живу в Рио-де-Жанейро. Спасибо” . Em seguida explicou para as pessoas: “Na verdade se alguém aqui fala russo deve ter entendido algo,  do contrário isto soou incompreensível, mas se vocês tivessem o código da linguagem teriam decifrado ” Olá, eu me chamo Celso Lugão. Eu sou professor. Eu moro no Rio de Janeiro. Obrigado”.

Portanto, tudo se resume a obter o código, o algoritmo… De certa forma foi o que C. Darwin fez com sua teoria da evolução, que Karl Popper preferia chamar de  “Programa de Ação”. Tais programas servem como um quadro geral de referência para consultas, troca de informações e fomento de hipóteses. Mas isto é outro assunto… Meu propósito aqui não é falar sobre isto e nem tampouco ensinar a improvisar em psicoterapia, mas para não frustrar aqueles que julgaram que este fosse o teor da palestra posso dar uma pequena demonstração de improvisação em um caso clínico. Mas antes quero deixar claro que os vídeos que estavam sendo exibidos mostram que estes músicos só conseguem fazer o que fazem porque são muito bons naquilo que fazem. Parece brincadeira… E é, o ludus no seu sentido específico de brincar com responsabilidade, preparo, competência. Voltarei a isto; agora farei uma demonstração sobre o ato de improvisar em psicoterapia  (Enquanto narrava o que será lido abaixo o professor usou as cadeiras com rodas do palco de conferencia para simular a situação).

“Possuo duas cadeiras com rodas em meu consultório, normalmente sento numa delas p/ trabalhar. Há uma poltrona e um sofá também e os clientes sentam-se neles, mas também na outra cadeira com rodas aonde os coloco quando uso certas técnicas. Eu não tenho uma sala de espera, de tal modo que um cliente chega em seu horário e o outro sai. Em geral se cruzam na entrada. Bem… Fiz um bom trabalho com uma cliente e como ela estivesse satisfeita com as mudanças e sentada naquela cadeira com rodas e de bom humor eu disse-lhe: “Hoje você também irá sair diferente daqui”, e a empurrei até a saída, ambos se divertindo com aquilo. Eu sabia quem iria chegar, um jovem que adora estas coisas diferentes e pitorescas, então quando abri a porta, lá estava ele, estupefado e sorrindo. Ela levantou-se, sorriu e me abraçou agradecida. Eu disse p/ o jovem: ” E hoje, você irá entrar diferente… Sente-se aqui”, e lá foi ela rindo e ele entrou rindo. Ancorei ambos os clientes com o estado de humor de alegria. Como os psicoterapeutas sabem esta é uma poderosa ferramenta em psicoterapia, muito usada em Programação Neuro-Lingüística.

Repito,  prestando atenção a qualquer um dos três vídeos anteriores perceberão que há uma improvisação em todos eles. E esta só é possível porque aqueles músicos são excelentes, dominam a arte da execução musical, por isto podem improvisar com muita qualidade e resultados estupendos que nos encantam e prendem a nossa atenção, gerando mudanças espontâneas em nosso estado de humor. Portanto, este é meu exemplo de improvisação em psicoterapia.

Agora iremos assistir a mais um vídeo… Reparem que quando nós usamos o programa denominado Powerpoint estamos replicando o  mundo de cores que a biologia do camaleão já conseguia fazer. Se você tem o código, a chave, então você pode copiar o que a natureza faz através da perspectiva evolucionista.

Camaleão

Neste próximo vídeo veremos de onde provém o gritinho que consagrou Michael Jackson (Risos na platéia)… Notem que nesta ficção, com Ringo Starkey, o baterista dos Beatles, há também uma idéia de como os paleantropídeos teriam criado a música… Embora fictício e divertido é bem provável que tenha sido através de improvisações e ensaios que teríamos chegado, pouco tempo depois (pouco, numa escala geológica) a capacidade de produzir a música como no próximo vídeo.

Cave Man

 Notem como nós evoluímos, o vídeo mostra o violinista David Garret em uma performance fantástica, inclusive combinando o clássico, o erudito, com o estilo mais pop do guitarrista…

David Garret

(Quando o vídeo termina o professor brinca com a platéia)

“Ok, terminamos a palestra… Brincadeira… Iremos expor, através do Powerpoint algumas idéias…”

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Aqui estão dados para contato e também o nosso site. Desenvolvemos um projeto de extensão denominado psicoterapia estratégica. Deste projeto surgiu um outro que é o AVI Psi-Lugano. Não há tempo para explicar ambos mas no site existem tais explicações caso possam nos dar o prazer de visitá-lo. Leciono na UERJ desde 1986 e criei também o setor de psicoterapia estratégica no SPA, aonde sou supervisor. Através dos projetos podemos desenvolver inúmeras atividades, inclusive auxiliar eventos como este. Há uma série de supervisandos e alunos e ex-alunos que estão no momento colaborando. Queria agradecer a todos desde já.

No próximo slide temos alguns títulos de artigos publicados no site. Tais artigos poderão reforçar e tornar mais claro o que irei declarar adiante.

DSC09696Estes textos mostram o ponto de vista da ciência atual sobre uma série  de confusões que têm sido feitas e propagadas. Os títulos mostram que não compartilho de certos “modismos”, como a idéia de se falar em hipnose qüântica, por exemplo. Devo inclusive alertá-los que sou provocador, pois, a polêmica é a parteira da verdade, como dizia Marcel Roche,  um médico venezuelano especializado em endocrinologia e medicina nuclear; um cientista e um grande promotor da ciência para os leigos.  O texto intitulado Sobre Física Qüântica ou os gatos verdes de Lugão explicam a posição da ciência sobre o assunto… Considerações pós-modernas sobre a ciência ou … Tudo que tem casca voa! É outro artigo que tece críticas ao tal movimento Pós-Moderno. No entender de Noam Chomsky, Richard Dawkins e outros, como eu, este movimento não traz nada de novo, mas se presta a aumentar a confusão sobre o conhecimento científico. O texto de Carl Sagan sobre ceticismo é especialmente útil para nos despertar a atitude de vigilância epistemológica, no sentido de controlar que o saber que se ensina nas escolas não se desvia substancialmente do saber erudito ou científico.

O próximo slide é um resumo da comunicação e irei ler rapidamente e desenvolver os conceitos em seguida.

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Improvisação é a negação do previsto, do planejado; decorre do processo da criatividade. Portanto, o que se propõe é uma reflexão sobre diferentes ângulos do tema da improvisação frente aos campos da hipnose e da psicoterapia. À guisa de conclusão se declara que é a improvisação que permite manter o ensino de teorias, métodos e técnicas em psicoterapia em constante evolução. Donde, recomenda-se especial atenção às estratégias de treinamento dos terapeutas, bem como acentuar o debate em prol de temas filosóficos como: as vantagens dos sistemas em aberto, o ecletismo crítico, o pluralismo teórico e, quiçá, a busca por uma teoria unificada.

Pela perspectiva evolucionista e histórica, a improvisação remete a assuntos conexos como a sobrevivência das espécies e a simulação. Já por um ângulo epistemológico implicaria em se pensar sobre as mudanças de paradigmas (T. Khun) e cosmovisão (Weltanschauung). E, no que tange à psicologia e ao ensino das psicoterapias, a improvisação permite uma reflexão sobre o tema das crenças, as regras básicas que norteiam todo corpo de conhecimento – crença é a orientação cognitiva fundamental de um indivíduo ou de toda uma sociedade. Sob o viés do pensamento cognitivista as crenças estão inextricavelmente ligadas às emoções, sendo guias permanentes sobre o modo de agir e reagir das pessoas. Logo, a improvisação sugere, clama e garante a flexibilidade das regras, das crenças norteadoras, o que implica em se pensar sobre o tema das mudanças. Seja a mudança de sintomas de um cliente, sob o prisma da psicologia clínica. Seja o treinamento e suas estratégias para transformar alunos em psicoterapeutas, o que remete aos binômios informação versus formação, rigor versus rigidez diante das inúmeras abordagens teóricas. Numa escala mais ampla, filosófica e pedagógica, se poderia argumentar que a capacidade inventiva e criadora para se funcionar com diferentes tipos de metáforas e/ou teorias – a flexibilidade para se transformar o estranho em familiar e o familiar em estranho – favorece as mudanças epistemológicas, auxiliando o conhecimento a prosperar.

A frase criada por Woody Allen, no próximo slide, extraída da obra de Cloé Madanes, nos mostra algo importante… Se eu pegar um machado agora e puser meu braço sobre esta mesa e descer o machado com força nele todos vocês sabem o que irá acontecer… Vocês realmente sabem… Isto é realidade, embora possamos filosofar sobre o que é a realidade nossos corpos têm um limite bem tangível, bem paupável, bem real. Não devemos fazer especulações sobre a natureza sem respeitar o contexto aonde estas especulações são feitas. Isto mais atrapalha do que ajuda o conhecimento.

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O slide sobre a perspectiva evolucionista, contém inúmeros temas; não será possível desenvolver todos no tempo que temos para esta palestra. Aliás, ontem tivemos duas palestras: Hipnose e imobilidade tônica e Trauma e imobilidade tônica, respectivamente proferidas pelas doutoras Célia Martins Cortez e Adriana Fiszman, que nos economizará tempo…

Sob a perspectiva evolucionista a combinação de processos de mutação e seleção é fundamental para a sobrevivência das espécies. Neste sentido, o mimetismo, a capacidade de se camuflar, inclusive se fingindo de morto (tanatomimese) é importantíssima. Dando um salto gigantesco na evolução da vida até chegarmos ao aparecimento da nossa espécie, diria que o processo de dissociação, a nossa capacidade de perceber a realidade de um ângulo externo ao nosso corpo, talvez tenha sido gerada em nossos processos mentais devido a estes mecanismos de camuflagem. Por exemplo, para se caçar é preciso inferir os passos que a presa dará. Precisamos ter um conhecimento do comportamento da presa. Assim, como todos os animais predadores, formamos uma consciência que precisa ter um parâmetro num ponto futuro e externo, ou seja, mesmo institivamente, quando caça, a leoa deve ter noções de tempo para saber quando dar o bote sobre a sua presa. Precisa ter um certo mapa do território e nossos ancestrais, e nós mesmos, ainda hoje, temos a capacidade de perceber uma situação de vários ângulos.

A imobilidade tônica, justamente, é uma reação involuntária do organismo, bem mais comum do que se imagina. É, por exemplo, o que acontece muitas vezes com mulheres vítimas de estupro. Muitas delas passam a se sentir culpadas, especialmente quando lhes perguntam por que não gritaram ou por que não lutaram, quando, na verdade, não teriam a menor condição para isso. A imobilidade tônica é uma das estratégias involuntárias de defesa bastante difundida em várias espécies. “Na natureza, é uma reação adaptativa, com que alguns animais conseguem escapar de um predador. Imóveis, sem se debater, muitas vezes eles provocam o desinteresse do predador e passam a ter maiores chances de sobrevivência”, explica E. Volchan. Como o leitor pode não ter assistido as palestras mencionadas, colocaremos um resumo delas no final deste artigo e remetemos também ao texto de Vilma Homero que divulga o trabalho de Eliane Volchan e Ivan Figueira da UFRJ.

Imobilidade tônica: reação une animais e humanos diante do perigo

in  http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=7736

DSC09698Portanto, a auto-hipnose e a hipnose  são processos que certamente envolvem tais mecanismos evolutivos de dissociação e associação. Donde sua função terapêutica de proteção em prol da sobrevivência do indivíduo.

Da mesma forma, a capacidade de improvisar e simular implicaram em um incremento da criatividade. Os neurônios-espelhos certamente são relevantes para a capacidade de simular, de copiar o comportamento do outro. Fenômenos como o rapport, ou pacing, têm que se nutrir de uma base psiconeurofisiológica, e os neurônios espelho fazem parte destes mecanismos. O próprio ato de mentir só é possível porque somos hábeis em simular, em prever o comportamento dos outros e em improvisar certas histórias, metáforas, que atraem para iludir a outra pessoa. Se pode inclusive chegar a acreditar nas próprias mentiras, a auto-ilusão. Porém, devido ao tempo, deixarei para desenvolver tais argumentos no texto que motivou esta palestra. Portanto, não falarei sobre os iconoclastas ou sobre o conceito de marginal de E. Morin…

Diria agora que graças a nossa capacidade de simular criamos explicações sobre os fenômenos do universo, geramos as crenças sobre o mundo e sobre quem somos nós, e finalmente chegamosao conhecimento científico… E desde Charles Darwin muitas das crenças sustentadas antes pelos criacionistas e por outros grupos religiosos ruíram, já não satisfazem mais aos crivos da metodologia científica. Passamos a entender que processos algorítimos estão na base da vida, que um exércitode macacos teclando sem cessar aleatoriamente (mutações) realmente não escreveriam um texto como Shakespeare. Entretanto, se além das mutações aleatórias, há uma seleção, aonde as estruturas mais adaptadas procriam, então, realmente o texto de Shakespeare poderia ser gerado, tanto que foi. ( O leitor poderá encontrar uma rápida explicação da teoria da evolução na obra de B. Jordan, citada na bibliografia, em especial o 2° capítulo: Um exército de macacos).

Assim, desde Darwin,  os criacionistas têm esperneado, tentando manter idéias absurdas vivas diante do que se sabe, e portanto se comprova, sobre a vida neste planeta.  Este é outro assunto com inúmeras variáveis posto que envolve interesses de poder, financeiros e ideológicos de um lado… e por outro lado, há uma legião de pessoas que ainda dependem destas crenças, fruto da evolução, para sanar suas angústias existenciais e sofrimentos diversos. (Sobre a criação de crenças, a obra A parte divina do cérebro é magistral, e caso o leitor seja religioso e se sinta desamparado psicologicamente caso acate tais argumentos, recomendo a obra de Batchelor, Budismo sem crenças, que poderá tazer esclarecimentos sobre como atingir a paz sem se ter que estar envolvido com algum culto religioso, o que no mais das vezes implica em ser onerado e até explorado por pessoas de má índole que se intitulam representantes de algum poder superior).

O próximo slide..   A relevância sobre as mudanças de paradigmas… DSC09699

Portanto, neste slide se procura expor a relevância da improvisação sobre as mudanças de paradigmas. São colocados esclarecimentos sobre a atividade científica e, à guisa de conclusão, se sugere que os processos criativos (oriundos da atividade de improvisar e observar o mundo por diferentes ângulos – diferentes tipos de conhecimento, metáforas ou abordagens teóricas), são fundamentais para o crescimento do conhecimento científico.

Portanto…

A ciência se faz através de momentos diferentes, há um primeiro momento, denominado contexto da descoberta e há o chamado contexto da validação.

De tal forma que quando se  ousa explorar idéias muito novas e/ou complexas no contexto da descoberta se tem que ter argumentos sólidos ao enfrentar o contexto da validação. Por exemplo, se um pesquisador diz que há vida em Júpiter e que comprovou isto através de uma viagem astral ou telepatia, terá que antes de tudo validar os “métodos”  utilizados da viagem astral e da telepatia. Neste momento, alguém da palestra poderia estar se perguntando… “Ué, e a ciência não comprovou a viagem astral e a telepatia?”  Este é o problema, embora tais assuntos narrados por várias culturas e épocas possam vir a ser esclarecidos pela ciência, portanto são de interesse científico, eles ainda estão no contexto da descoberta. Logo, você não pode comprovar que há vida em Júpiter usando uma metodologia que não foi comprovada. Isto parece óbvio?!

A ciência observa a regularidade de fenômenos, busca um padrão que possa ser estudado, pois se algo sempre se repete é mais fácil se estudar aquilo… Maçãs que caem, por exemplo.  Entretanto, há fenômenos que estão em escalas de tempo ou magnitudes fora da capacidade humana de observação direta, sobre estes fenômenos podemos inferir ou inventar meios de observá-los… Microscópios, telescópios, ressonância magnética, são alguns exemplos destas invenções para sondar o microcosmo e o macrocosmo. Os fenômenos geológicos e os evolutivos,  assim como os fenômenos da física de partículas se inserem nesta categoria que foge a nossa observação direta. Portanto, temos fenômenos de baixa complexidade e de alta complexidade.

A ciência observa uma parte do fenômeno, isolando esta parte… O chamado fato bruto, depois gera um fato depurado pela análise, e a partir daí gera hipóteses, métodos e técnicas, criando assim uma formulação teórica, ou simplesmente, uma teoria. As teorias não são falsas nem verdadeiras, elas buscam uma aproximação do funcionamento da realidade.Uma teoria não é igual a realidade. Isto seria uma epistemologia ingênua. Pretendo divulgar um excelente texto de Isaac Asimov sobre isto no próximo artigo, chama-se “A RELATIVIDADE DO ERRADO” .

Continuando…

A ciência busca justamente observar padrões. Se um comportamento regular é compreendido, temos a possibilidade de representar isto através de um algoritmo, ou seja, se pode extrair da natureza o algoritmo que faz funcionar um sistema específico. Quando isto é obtido se tenta simular o comportamento/fenômeno que foi observado. Se funcionar, isto significa que muitas das variáveis que regem o sistema de decisão daquele comportamento ou fenômeno foram assimiladas pelos cientistas. Os trabalhos dos cientistas Miguel Nicolelis e Eric Kandel são excelentes exemplos no campo das neurociências. Como se sabe, na perspectiva evolutiva e científica, todo o universo e a vida que nele se fez, é fruto de uma série de processos que se foram desdobrando e continuarão se autoconstruindo ao longo do tempo.

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