Einstein tornou-se célebre pela Teoria da Relatividade, e não pela Teoria da Arbitrariedade: Uma entrevista sobre o X Congresso de Hipnose.

EinsteinEinstein tornou-se célebre pela Teoria da Relatividade, e não pela Teoria da Arbitrariedade: Uma entrevista sobre o X Congresso de Hipnose.

Professor Lugão, poderia comentar duas perguntas?

(Grupo de alunos que estiveram presentes no X Congresso de Hipnose)

Quais foram as vossas impressões sobre o Congresso de Hipnose recentemente ocorrido na UERJ?

A atual crise da ciência apontada pelo movimento Pós-Moderno é preocupante?

 Responderei a 1ª pergunta, pois a resposta para a segunda está publicada neste site num artigo dizendo o que penso sobre tal movimento; recomendo em especial que se leiam as posições de Noam Chomsky (que comparo em sua sensatez à Bertrand Russel) e Richard Dawkins.

 O título do artigo é Considerações pós-modernas sobre a ciência, ou… Tudo que tem casca voa!  (http://www.psicoterapiaestrategica.com.br/?p=1558).

E também irei colocar no site outros artigos sobre esta 2ª pergunta.

Quais foram as vossas impressões sobre o X Congresso de Hipnose ocorrido na UERJ?

Bem, o Projeto de Extensão de Psicoterapia Estratégica participou do X Congresso de Hipnose na UERJ (de 28 a 30 de junho de 2012) de várias maneiras. Ajudamos na organização, inclusive convidando nossos estagiários e ex-alunos, que fizeram um excelente trabalho de apoio, desde as inscrições até o suporte para os palestrantes; apresentamos também dois trabalhos: um exposto por mim, Improvisação, hipnose e psicoterapia e outro pela Prof.ª Tamine J. Lean,  A Importância do uso da metáfora na hipnose Ericksoniana.

 No endereço http://www.hipnose.org.br/livro_congresso.pdf  se pode ter uma visão panorâmica do congresso e destas palestras. Postei neste site a minha palestra também (ver http://www.psicoterapiaestrategica.com.br/?p=1803)

 Bom… Não assisti a todas as palestras, portanto só posso comentar algumas que me chamaram a atenção. No geral, as palestras cobriram um vasto leque de aplicações da hipnose e os palestrantes mostraram seus esforços para auxiliar seus clientes.

 Apreciei as palestras das Dras. Célia Martins e Adriana Fiszman, envolvendo o tema da Imobilidade tônica. O Dr. Rui Fernando Cruz Sampaio do Laboratório de Hipnose Forense, do Instituto de Criminalística do Estado do Paraná, que falou sobre a  Hipnose e o transtorno de conversão, também apresentou um trabalho claro, no sentido de não se valer de idéias místicas ou de idéias que fazem uma confusão sobre os princípios da ciência, gerando a tal da pseudociência. Realmente não precisamos de mais confusão nos campos da hipnologia e da hipnoterapia. Lutamos por banir uma série de práticas tendenciosas e não podemos permitir o retorno destas confusões. Ainda hoje, a despeito dos Conselhos Federais de Medicina e de Psicologia, temos que nos manifestar contra a hipnose de palco, prática considerada equivocada por motivos clínicos e éticos.  Ao longo dos anos, na história da hipnose, afastamo-nos do misticismo, vigiamos o charlatanismo e o enquadramos em leis, então temos que ter muito cuidado com as nossas práticas e com as mensagens que passamos para os nossos clientes e para a sociedade. A ciência tem uma responsabilidade social enorme, portanto, devemos evitar um retrocesso…

 Tentando explicar melhor o que percebi no Congresso…

 Houve um debate no final do mesmo, do qual participei, que me permite tecer comentários pontuais; talvez eu tenha provocado este debate por ter conversado com algumas pessoas, tanto da platéia quanto de palestrantes que reivindicavam uma palavra de ordem sobre o campo da hipnologia em virtude de alguns poucos trabalhos que apresentaram propostas confusas, místicas e/ou pseudo-científicas.
Richard Feynman: Pseudociências (Legendado)

 Por exemplo, encontrei-me com uma colega após termos assistido a uma confusa apresentação em que o palestrante falava do uso de médiuns para auxiliar seu trabalho (Sic). Ela estava chocada, pois era a primeira vez que ela participava de um encontro sobre hipnose. Disse que ficou irritadíssima e me perguntou se “hipnose era aquilo… Como permitiam tais trabalhos num congresso?”, ela indagou. Naturalmente, não sendo da comissão científica de seleção de trabalhos eu não poderia responder.

Houve também um “trabalho” no qual o expositor fez uma verdadeira salada usando termos, conceitos e temas da física para dizer algo sobre hipnose que só ele deve saber. Em geral tais pessoas citam os conceitos de relatividade de Albert Einstein, o princípio da incerteza de Werner Heisenberg… Falam sobre holografia, física quântica, e não localidade, como se entendessem algo disto, como se isto tivesse abalado toda a estrutura científica e permitido uma visão mágica do universo. Esquecem estas pessoas que tais temas são fruto da pesquisa científica e que apenas os especializados em matemática podem alcançar tais idéias e suas aplicações. É bem conhecida a colocação de Richard Feynman… “Se você pensa que entende física quântica é porque não entende física quântica”. Creio que ele iria achar bem divertido e demolir alguns destes palestrantes se estivesse presente no congresso. Era um sujeito que pensava e produzia conhecimento o tempo todo e não dava tréguas ao charlatanismo, ao pensamento ingênuo, ou a pseudociência.
Richard Feynman – Deus provincianos demais.

 Voltando ao debate final… Pelo que percebi existem muitas confusões sobre a atividade científica, um dos colegas chegou a me perguntar durante este debate, num “portunhol”, “De que ciência tu hablas?”. Respondi, mas não sei se ele ouviu: “Da única que existe, não existem duas formas de ciência!”.

 Pode haver e tem que haver conflito de paradigmas, de teorias, pois isto faz parte da ciência, é assim que ela avança,  resolvendo os conflitos através da pesquisa, usando a metodologia científica.

Enfim, ele me pareceu uma boa pessoa e bem intencionado para com o próximo enquanto clínico; entretanto revela uma confusão perigosa… Imaginem um pesquisador que  seria capaz de fazer um experimento que… Pela ciência “a” faria o remédio curar a pessoa… Pela ciência “b” aquele remédio mataria a pessoa.

É um absurdo! Algumas pessoas devem ter visto o mesmo seriado de televisão que eu quando criança… Perdidos no espaço, só que ficaram por lá, perdidos no espaço… Confundindo ciência com ficção científica… Assim, pela “ciência da ficção” no espaço sideral se escuta cada coisa, rs.

Pela ciência talvez seja mais difícil se escutar algo no espaço sideral. (Não há propagação de som no vácuo, assim os cientistas têm que usar sistemas complexos de amplificação para “ouvir” os sons do Universo).

Portanto, posso apenas tecer comentários e propor reflexões como no caso do uso da palavra quântica vinculada à hipnose. Por exemplo, nos séculos XVIII e XIX, a Física deslumbrava o mundo com as descobertas sobre a eletricidade e o magnetismo. Surgiam os fundamentos da termodinâmica e do eletromagnetismo, então, no século XVIII, F. A. Mesmer atribuiu os efeitos da hipnose ao magnetismo animal. Como a física está sempre se desenvolvendo através das pesquisas científicas há uma tendência nas pessoas de tentar dar um “ars”de cientificidade usando termos da física como se isto explicasse alguma coisa. É claro que fenômenos elétricos e magnéticos fazem parte do mundo em que vivemos, assim como fenômenos quânticos, porém, no meu entender, nada será acrescentado ao campo da hipnologia se você ficar usando ficções explanatórias, como B. F. Skinner chamava esta tendência de usar conceitos que não explicam nada, apenas parecem explicar. Reitero, creio que chamar a hipnose de hipnose quântica é uma ingenuidade semelhante a de Mesmer, que a chamou de magnetismo animal… Talvez seja uma ingenuidade pior ainda porque significa que muitos colegas ainda desconhecem os caminhos da ciência, sua história e sua metodologia, ou seja, não aprenderam com os erros do passado.

 O que se precisa é de pesquisa. Soube que o neurocientista Miguel Nicolelis, agora também no Brasil ( no Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra), chegou a estender um convite para um colega, mas este declinou por razões pessoais, segundo o próprio me disse.

Quanto à hipnoterapia ericksoniana existem cursos em expansão, mas da mesma forma que os comentários que fiz acima sobre conceitos que nada acrescentam, existem alguns aspectos que me preocupam. Um deles é a tendência de atribuir poderes mágicos à Milton Erickson.

Milton Erickson, em particular, chegou a fazer demostrações sobre “ler a mente” de outras pessoas, usando seu treinamento e sua capacidade para ler pistas não-verbais de captação mínima. Fez isto exatamente para mostrar que muitas pessoas, cartomantes por exemplo, iludem ao próximo. Ele era uma pessoa especial, mas creio que não apreciaria ser confundido com um bruxo porque isto seria uma qualidade mágica dificilmente passível de ser ensinada pedagogicamente. Tanto que ao prefaciar a obra de R. Bandler e J. Grinder mostrou sua satisfação com o fato deles estarem conseguindo explicar claramente uma parte do que fazia.

E a outra parte professor Celso? Não estaria aí a bruxaria, o inexplicável?

Bem, você me lembra o argumento do deus das lacunas, ou seja,  sempre que alguém diz: Ah! Mas, então a ciência não consegue explicar tudo?! Portanto, só pode ser coisa de deus, ou deuses (se o sujeito for politeísta) ou bruxaria. É o deus das lacunas.

Note, não há lógica em tal tipo de conclusão. O fato de que hoje não se consegue explicar algo, não significa que não poderá ser explicado amanhã. A história do conhecimento está repleta destas passagens. Era impossível o avião, o telefone, o telefone sem fio, decifrar o código genético. E aí está, tudo sendo explicado e realizado. E as lacunas estão dimuindo e o nível de complexidade das perguntas aumentando. As “explicações” religiosas perdem cada vez mais terreno quando confrontadas com a ciência, as perguntas religiosas têm alcance cada vez mais limitado. Porém, muitos se apegam a idéias irracionais, sem a menor lógica.

Esta postura proveniente de um passado de crenças é perniciosa para o conhecimento, pense bem… Se as pessoas não tivessem se dedicado a  pesquisar a anestesia, ou como fazer vacinas contra a póliomielite ou contra outras mazelas, ainda estaríamos orando para os deuses e esperando os milagres.

planetaO planeta Terra possivelmente será alvo um dia de algum meteoro, como já foi no passado, há evidências de uma enorme colisão há 65 milhões de anos atrás. A vida neste planeta já esteve ameaçada de extinção. Isto está muito claro hoje.

 Há pouco tempo se falou que dependendo da trajetória do meteoro Apophis quando ele passar por aqui em 2029, ele poderá se chocar com o planeta em 2036 ou atingir a lua. Os astrônomos têm monitorado centenas de meteoros e este está sendo observado desde que foi percebida esta possibilidade. Se não for este será outro. O jogo de probabilidades mostra que se algo ocorre no espaço e já ocorreu, então nada impede que poderá ocorrer de novo.
Neil DeGrasse Tyson – Morte por Meteoro Gigante, Apophis (legendado)

Existem duas opções: orar ou elaborar projetos científicos para interceptar ou desviar este meteoro… Os cientistas têm se empenhado em resolver tal questão, e eu recomendaria aos religiosos rezarem para que estes encontrem uma solução a tempo. Se os seres humanos tivessem ficado rezando ao invés de procurar pelas soluções ainda estaríamos num estágio longe de qualquer possibilidade de intervenção sobre o destino da espécie humana. Aqueles que estão bem informados pelas mentes brilhantes, como a de Stephen Hawking, Carl Sagan e outros astrofísicos, sabem que a evolução só poderá prosperar se nós conseguirmos sair do planeta e habitar o espaço. É uma corrida contra o tempo, e depende de um planejamento rigoroso ser levado a cabo. Se um grupo de fanáticos religiosos assume o poder e resolve, digo isto metaforicamente, destruir novamente a Biblioteca de Alexandria, sofreremos um novo atraso que talvez venha a ser fatal desta vez. Se é que já não foi fatal.
Uma breve história de Alexandria e sua grande biblioteca

Na verdade, faço a minha parte alertando e não me deixando corromper por tolices que têm, de modo geral, a finalidade de angariar dinheiro e poder. Para tanto, muitas pessoas, chegam a assumir ideologicamente causas que a história já mostrou que caíram e cairão por terra. Reitero, o próprio Milton Erickson era tremendamente contrário a tais vínculos; infelizmente não me recordo (caso alguém saiba me indique a fonte bibliográfica, por enquanto vale a palavra de Lugão, rs) aonde li sobre as experiências que ele fazia demonstrando os truques de pessoas que diziam ler a mente de outra. 
Channel 4 – Richard Dawkins – Os Inimigos da Razão – Escravos da Superstição – Episódio

Vincular à hipnose as idéias pseudocientíficas e espiritualistas é retroagir no caminho da busca de uma prática eficaz e bem fundamentada, seja na clínica ou   nos laboratórios de neurociências.

E mais, existe uma única ciência, assim como existe uma única hipnose, como bem colocou o colega Dr. Joel Priori Maia durante o Congresso; embora possamos desenvolver técnicas e abordagens, o fenômeno se processa por bases anátomo-neurofisiológicas padrões. Existem técnicas de indução diferentes mas sempre sobre o mesmo fenômeno ou processo.

Repito, seria como dizer, para efeito de comparação, que o processo digestivo se dá, pela abordagem da ciência “x” da boca p/ o intestino, e na “y” do coração para o cérebro, ou seja, isto seria um absurdo… O sistema envolvido tem que ser o mesmo.

No caso da ciência “a” este foguete sobe e leva o robo até Marte, pela ciência “b” o foguete resolve se revoltar contra o criador e parar na lua para ler os textos dos chamados “pós-modernistas quânticos” (já deve existir tal coisa, rs).

Resumindo, o X Congresso mostrou trabalhos sérios e outros que são produto destas incompreensões sobre a atividade científica; chamaria de pseudociência algumas apresentações, e outras diria simplesmente que são produto de confusões de seus autores.  Creio que as comissões de seleção devem ficar atentas e não aceitar inscrições que envolvam a pseudociência ou temas místicos e religiosos.
1/3 Carl Sagan – Última Entrevista

Carl Sagan – Planet Of The Idiots (Planeta dos Idiotas)

Bertrand Russell fala sobre deus (Legendado PT-BR)

Stephen Hawking coloca grandes questões sobre o Universo

 Ok professor, quanto à segunda pergunta, iremos ler o artigo recomendado e aguardar pelas próximas publicações. Muito obrigado pelas observações.

Após ter editado este artigo, um meteorito caiu na Russia, em 15 de fevereiro de 2013. Resolvi anexar esta informação para os interessados. Creio que todos deveriam estar interessados, pois isto diz respeito aos fatos que mencionei acima, ou seja, a sobrevivência da vida.


16/02/2013 – 09h05
Meteoro que caiu na Rússia causou danos de US$ 30 milhões
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

As autoridades da região de Chelyabinsk, nos Montes Urais, calculam em mais de US$ 30 milhões os danos materiais causados pela queda do meteoro que nesta sexta-feira deixou mais de 1.000 feridos.

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“Ao redor de 100 mil proprietários de imóveis foram afetados. Os danos chegam a mais de 1 bilhão de rublos (US$ 30 milhões)”, disse o governador da região, Mikhail Yurevich, em entrevista coletiva.

Yurevich acrescentou que 30% das janelas quebradas pela onda explosiva do meteoro já foram reparadas, e o restante será consertado durante a próxima semana.
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1231817-meteorito-que-caiu-na-russia-causou-danos-de-us-30-milhoes.shtml

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