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Tributo ao amigo Helmuth Ricardo Krüger

                                                                                                                         

Rio, 09 /12/2020  by Prof. Celso Lugão da Veiga

 Apreciaria deixar registrados “in memoriam”  três fragmentos sobre o amigo de longa data, versam sobre a pessoa, sua integridade, competência, rigor e generosidade intelectual.

1° – Certa vez em Petrópolis, conversando sobre o campo da psicoterapia, sobre temas como o pragmatismo, o contexto da descoberta e da validação, a filosofia da ciência, a pseudociência… Da mesma forma que W. A. Mozart tinha uma capacidade de resposta musical imediata, Helmuth desferiu uma colocação tão precisa quanto esta a seguir que extraí de um artigo de sua autoria; assim evito qualquer distorção mnemônica.

“Tornar pública a base científica das psicoterapias possibilita às pessoas, de modo geral, a obter um conhecimento que pode ser bastante útil acerca delas mesmas, dilatando a sua autonomia subjetiva, que é baseada no saber, no pensar e, nessas condições, a decidir com maior probabilidade de sucesso. Sendo a nossa liberdade pessoal assim ampliada, podemos, de um lado, rejeitar explicações inconsistentes e pseudocientíficas para nossos processos psicológicos e, de outro, dispondo de crenças cientificamente fundamentadas, exercer algum controle de estados psicológicos que nos sejam desfavoráveis”.

Honestidade intelectual, conhecimento profundo, consistente e amplo, e um interesse social e pedagógico contagiante… Quando percebia que a mensagem havia sido captada seus olhos azuis brilhavam de satisfação como se dissessem “mais uma missão cumprida”.

O amigo Helmuth R. Krüger

2° – Pergunta um entrevistador para Helmuth: você observou a psicologia no Brasil florescer e se modificar ano após ano e ainda hoje permanece publicando, ensinando e orientando alunos. O que o motiva a prosseguir o seu trabalho?

“Eu poderia dissertar sobre o significado desta pergunta, mas se assim viesse a proceder certamente iria compor uma resposta monótona, por ser muito pessoal. Assim, com o objetivo de abreviar a resposta, observo apenas que concordo com a declaração de Johann Heinrich Pestalozzi (1746 – 1827), inserida em sua obra “Aforismos sobre o Homem”: “Aquele que sabe e não ensina é o pior pecador de todos”. Acrescentaria apenas: “aquele que (racionalmente baseado) supõe saber”….

 Este era o nobre e lúcido amigo Helmuth, preciso com o uso das palavras, sempre alinhadas com um raciocínio impecável, uma forma de pensar elegante e uma generosidade ilimitada para com aqueles que genuinamente queriam aprender e o consultavam.

3° – Um amigo que foi seu aluno ( R. Salles) , competente profissional, residindo em outro país, quando soube de sua morte enviou-me um áudio… Transcrevo alguns pontos com os quais concordo inteiramente…

 “Ele era uma pessoa impressionante… Parecia que vivia o que ensinava… A parte da ética… Principalmente com os farsantes intelectuais… Ele era inclemente com estas pessoas, era um paladino intelectual!”.

Reflexões e orientações da psicologia clínica diante do momento atual Em 20/03/2020 by Prof. Celso Lugão da Veiga (supervisor em psicoterapia estratégica – IP- SPA- UERJ)

by Diogo Lean "A perspectiva do paciente"
“A perspectiva do paciente” by Diogo Lean Veiga

                                                                                                              

     Muitas questões que assolam o século XXI, como esta pandemia causada pelo vírus Covid -19, assim denominado por determinação da OMS¹,  evidentemente, são provenientes de processos históricos, psicossociais, econômicos e políticos que já eram passíveis de ser notados no século anterior.

Quanto as reflexões e orientações da psicologia clínica que aqui serão expostas, estas giram em torno do entendimento de que em quaisquer das inúmeras abordagens sistêmicas (psicanálise, behaviorismo, existencialismo e cognitivismo, para resumir) existem parâmetros e protocolos comuns, mesmo que com terminologias diferentes.

Algumas reflexões impressas em árvores…
Um tesouro que teme tesouras e água!

Alguns destes parâmetros se referem a acolhida do cliente, ao bom relacionamento com este (rapport), o que permite transmitir e gerar segurança diante do entendimento de sua situação (diagnóstico diferencial), e com isto sinalizar estratégias em prol de soluções saudáveis (o bom prognóstico).

Nos dias atuais, após os inúmeros congressos sobre a evolução da psicoterapia, se pode asseverar que a metáfora usada por M. H. Erickson sobre o trabalho terapêutico se aplica a todas as abordagens sistêmicas… Tal metáfora se refere ao entendimento de que o cliente, seja este um indíviduo, um casal, uma família, ou um grupo de pessoas, pode ser entendido como uma  planta em um solo… Portanto, ao se cuidar da planta se deve prestar atenção ao solo em que está; a qualidade,  nível, e a quantidade, grau, de seus nutrientes.

Embora se possa criar estratégias ou abordagens específicas para cada cliente diante de tal entendimento, não se pode menosprezar as influências do solo, e é justamente neste sentido que a psicologia social, a história e as demais áreas já citadas no primeiro parágrafo se fazem necessárias para uma compreensão abrangente dos reflexos do solo na planta.

Em um estudo sobre a relevância da “psicologia social frente ao poder e ao controle da destrutividade” ² foi possível se investigar sobre os armamentos, isto por volta da década de 80… Constatou-se que muitas ameaças pairavam no ar, desde as armas nucleares até as igualmente letais armas químicas e biológicas. A trinca de gases neurotóxicos, sarin, soman e tabun, assim como certos venenos e armas biológicas com poder devastador mostravam a necessidade de controle extremo sob pena de se promover um caos social sem precedentes.

Não se está com isto afirmando que houve uma intenção em se liberar um agente bélico biológico, mas sim que tais cenários já foram e são estudados, faz tempo, por inúmeras agências de pesquisa militares e conexas. Tendo gerado uma onda de filmes neste sentido, como “Epidemia”, “Fuga”, Dia dos mortos”, etc.

Dados sobre os armamentos e os filmes  podem ser encontrados num rápido passeio, hoje em dia,pelo Google, mas não é este o propósito aqui.

Mas, além de filmes produzidos na década de 90, todos devem lembrar do ato de terrorismo perpetrado por membros do culto apocalíptico chamado Aum Shinrikyo em 20 de março de 1995…Em cinco atentados coordenados, os autores liberaram o gás sarin em várias linhas de metrô de Tóquio, matando doze pessoas, ferindo gravemente cinquenta e mais ligeiramente 6.000 pessoas.

Então, retornando ao  entendimento anterior sobre protocolos- padrão em todas as formas de psicoterapia, seria importante um entendimento dos processos que ocorrem durante situações de stress, que H. Selye chamava de síndrome de adapatação geral.

Quando ocorre um estímulo, seja este qual for, o organismo entra em alerta (primeira fase). As funções da percepção (adaptação, defesa, vigilânica e predição) fazem o seu papel, observando que tipo de ação deve ser tomada. Se estamos estudando e começa a chover, prestamos atenção na chuva e somos informados por nossos sensores e por nossa mente que nada precisa ser feito, talvez apenas fechar uma janela, mas podemos continuar estudando. Na medida que a chuva continua ela passa para um segundo plano, ou seja, o foco está no estudo. Mas, para o foco estar no estudo precisaremos nos “desligar” do ruído da chuva. Tecnicamente, precisamos dissociar do estímulo. Porém, ele continua lá, o ruído da chuva.

 Então, se entra numa segunda fase da teorização de H. Selye sobre o stress, a fase de resistência… Para se entender o mecanismo por trás de síndromes como o “burnout” é preciso entender que embora você esteja estudando, você está resistindo ao ruído da chuva.

Para uma maior compreensão… Substitua o barulho da chuva por um panelaço ou pelo som altíssimo da festa no play abaixo de sua janela… Se você está estudando para uma prova naquela semana certamente irá perceber o tremendo cansaço proveniente de tentar manter o foco nos estudos, e logo chegará a uma terceira fase, a exaustão

Sons e etc

Nesta fase, em geral o organismo para, desistimos de estudar e verbalizamos isto… “Não aguento mais, estou exausto!”

Quando se insiste, por razões de personalidade  e/ou necessidade se pode chegar a uma quarta fase, a morte, a falência geral do organismo.

Luganus Capuz
Luganus e seu Ômega Capuz

Logo, diante das notícias sobre a pandemia e sobre tantos outros aspectos da vida³ temos que manter o foco, isto não signfica que não está havendo um desgaste proporcional aos estímulos que estamos suportando de forma dissociada. É como varrer a poeira para baixo do tapete, ela ficou em segundo plano mas está lá, produzindo contaminações, hormônios como cortisol.

O que fazer diante disto? A recomendação é se fortalecer, aquilo que se convencionou chamar de resiliência. A metodologia que aqui será exposta, para simplificar, é uma fusão de recursos provenientes da psicologia oriental e ocidental, uma fusão de técnicas das duas vertentes.

O tubarão concordou em participar da brincadeira pictórica

Resiliência é possuir energia para enfrentar crises, traumas, perdas, graves adversidades, transformações na vida (traições, separações), rupturas e desafios, elaborando as situações e recuperando-se para seguir em frente.

O termo é usado há mais de 30 anos pela psicologia, porém o conceito ganhou popularidade depois do ataque terrorista ao World Trade Center, nos EUA, em 11 de setembro de 2001.

Diogo e Rodrigo Water Men
Water men

Após a tragédia, o governo distribuiu cartilhas às pessoas envolvidas com o acidente para ensiná-las e estimulá-las a retomar a vida, superando o trauma.

Resiliência e resistência são conceitos próximos, mas há diferenças, pois a pessoa resiliente vai além da resistência… Além de suportar a pressão aprende com as dificuldades e os desafios, utiliza-os como feedback e usa sua flexibilidade para se adaptar e sua criatividade para encontrar soluções alternativas, novos caminhos.

Portanto, como o stress faz parte da vida, assim como a agressividade, e assim como esta se diferencia da destrutividade, o “distress” seria o mal stress e para lidar com ele alguns pontos são fundamentais…

Primeiro, se deve entender que as supra renais4 são as glândulas que recebem o impacto do stress, logo, beber muito líquido é sempre importante, de preferência água, água de coco, chás claros ou sucos coados. Tomou um susto, beba mais água.

Junto com este hábito saudável de ingerir água, a prática diária de exercícios, em particular do que se convencionou chamar de  exercícios de respiração para a coerência cardíaca deve fazer parte da rotina das pessoas.

Tais exercícios têm a função de aumentar o poder do sistema psiconeuroimunológico.

Exemplificando um deles. Inspire e faça uma contagem mental, isto será “x”.

Retenha 3x, assim se você contou 3, se x= 3, 3x=9.

E na expiração, você conta 2x, ou seja, seis.

Inspira, x, retém, 3x, e expira, 2x.

Faça isto três vezes seguidas, pela manhã. Ou sempre que precisar ou quiser.

Isto irá “alinhar” o teu sistema nervoso autônomo, o ortossimpático e o parassimpático, levando ao estado de coerência cardíaca, o que fortalece o teu sistema imunológico.

Maiores informações poderão ser obtidas no endereço eletrônico http://www.psicoterapiaestrategica.com.br/tecnica-de-formulacao-de-recursos/

O momento portanto, requer calma e fortalecimento do sistema imunológico e para se obter isto é fundamental dar atenção ao próprio corpo começando com as práticas de respiração, a alimentação saudável, muita ingestão de água, exercícios fisícos… Como dizia o monge Thich Nhat Hanh “Como tu amas a ti mesmo?… Em primeiro lugar, inspire! Com toda a tua mente e perceberás que tem um corpo.”

No link abaixo poderão assistir a palestra integralmente.

Uma mensagem fundamental.

                                                                                                                                      Em 20/03/2020

         Professor. Celso Lugão da Veiga (supervisor em psicoterapia estratégica – IP- SPA- UERJ)

Notas

¹ A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que o nome oficial da doença causada pelo novo coronavírus passará a ser Covid-19.

“Agora temos um nome para a doença e é Covid-19”, disse o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a repórteres em Genebra.

 Segundo a OMS, a palavra coronavírus refere-se ao grupo de vírus ao qual pertence, e não à última cepa. O vírus em si foi designado como SARS-CoV-2 pelo Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus. Os pesquisadores vêm clamando por um nome oficial para evitar confusão e estigmatização de qualquer grupo ou país.

“Tivemos que encontrar um nome que não se referisse a uma localização geográfica, um animal, um indivíduo ou grupo de pessoas, e que também seja pronunciável e relacionado à doença”, disse o chefe da OMS.

“Ter um nome é importante para impedir o uso de outros nomes que podem ser imprecisos ou estigmatizantes. Também nos fornece um padrão a ser usado em futuros surtos de coronavírus.”

O novo nome é retirado das palavras “corona”, “vírus” e “doença”, com 2019 representando o ano em que surgiu (o surto foi relatado à OMS em 31 de dezembro).

² Dissertação de mestrado do autor que pode ser achada na plataforma Lattes. Basicamente a destruvidade é um conceito de E. Fromm para separar a agressividade, que é inerente a vida.

“Observa-se uma dose de comportamento agressivo na maior parte dos animais, pois é essa a condição necessária para a sobrevivência. Seria implausível se pensar o ato de sobreviver sem se considerar a presença da agressividade para que o ciclo da vida continue. No entanto, é importante observar que essas relações sempre visam, em última instância, o equilíbrio do número de animais de cada espécie. Por isso, podem ser classificadas como situações agressivas naturais e não, violentas. Nas relações humanas parece ter havido uma espécie de metamorfose do instinto de agressividade. Essa transformação pode ser observada na negatividade que o conceito de agressividade ganhou. Uma pessoa chamada de agressiva na atualidade é quase que imediatamente comparada a alguém violento, destrutivo. A agressividade passou a ser concebida portanto como sinônimo de destrutividade. No entanto, torna-se pertinente frisar que a agressividade tem aspectos positivos no que tange à luta pela sobrevivência e também em situações nas quais é preciso defender-se de algo ou de alguém”.

 ³Recentemente as pessoas no Rio de Janeiro, tiveram o problema estadual da contaminação da  água, pela geosmina… Os problemas de segurança, do narco tráfico, das milícias, do sistema de saúde e de transporte. O rompimento de barragens. A ameaça de guerras que sempre gera tensões internacionais e pessoais, embora se varra para debaixo do tapete para se ir vivendo, mantendo o foco.

4 As glândulas supra renais têm vários papéis metabólicos no corpo humano. Nossas duas glândulas supra renais podem ser encontradas na parte superior de cada um dos nossos rins. Juntos, eles liberam os hormônios que nos ajudam a metabolizar, atuam na maturação sexual à medida que crescemos, além de responder ao estresse. Este último pode ser conhecido como a resposta primitiva de “luta ou fuga”. O hormônio chamado cortisol é a chave para coordenar os processos que nos permitem lutar ou fugir das ameaças.

Texto publicado na Segunda Edição do Boletim do Instituto de Psicologia da UERJ.

O terapeuta-elefante e os clientes xícara de porcelana e copos de geléia.

Milton H. Erickson

Conforme eu havia colocado nas supervisões de psicoterapia estratégica, certos casos ilustram tipos de intervenção necessárias em alguns destes.

Foi o caso da moça que pensava em se suicidar e foi buscar a ajuda de M. Erickson. Este caso está descrito na obra Terapia Não-Convencional de Jay Haley (Editora Summus, 1991, p. 111-115). O leitor interessado deve se remeter até esta fonte. Não é o propósito deste artigo narrar um caso particular, mas sim tecer considerações gerais sobre as intervenções em psicoterapia. Entretanto, este caso citado é realmente espetacular, mostra toda a maestria de M. Erickson no manejo de técnicas e sua infinita compaixão pela vida humana.

Quando a cliente entra e conta sua história os “olhos” e “ouvidos” do terapeuta-elefante M. Erickson, toda a sua experiência, sensibilidade, fazem uma avaliação, um diagnóstico, e traça uma estratégia, então age…
 E se não funcionar?! Mude de estratégia… Sempre lembrando que o cliente tem que assumir a sua parte de responsabilidade pelo êxito da terapia. Nenhum remédio irá funcionar se você não o tomar, então há casos em que a batalha inicial é este “convencimento” do cliente para se comprometer com a psicoterapia. 
Vocês já viram aquelas pessoas que precisam de fisioterapia, às vezes, intensiva?
 Elas chegam na clínica, fazem o básico e o fisioterapeuta diz, “continue fazendo em casa, ponha gelo, exercite a perna, blá, blá,blá”…

Elas voltam na clínica e dizem: “Não está funcionando, quando é que eu irei melhorar? , já quase aos prantos. A fisioterapeuta pergunta: “O senhor tem feito as compressas em casa?” …. “Não”.
São pessoas que funcionam empurradas, nunca se cuidam. São um peso para os demais, podem arrasar com a energia de qualquer um, pulam nas costas do terapeuta e exigem milagres. E muitas são dóceis e cativantes… Muitas vezes vi umas velhinhas e velhinhos deste tipo, mas também jovens, muitos jovens, seja nas clínicas de fisioterapia, seja em outras clínicas, seja na vida.
Como estive me tratando em muitas clínicas por anos seguidos devido as lesões do futebol, no tempo em que jogava quatro vezes por semana,  vi estes quadros se repetirem… Havia uns que ainda estavam lá quando uma nova lesão me acometia e eu voltava … Um ano depois!!!”

Escadas

Sempre lamentando e se queixando… “Oh vida, oh azar” … Plantam e cultivam a depressão, é sua condição existencial.

Claro que tem uma história por trás disto, sempre tem.

“E culpar a história não irá mudar a tua vida, você tem que agir”…

Olha eu aí, banguela. 1 aninho.

Eu não era nada, então nasci, sem dentes, não falava nada, nem compreendia, precisava ser alimentado, me mijava e me cagava todo… Cuidaram de mim… Eu recebi isto, aprendi a falar, meus dentes cresceram, aprendi a me limpar, a controlar meu corpo… Foi uma troca entre cuidadores e a minha pessoa, faz tempo, mas aproveitei os ensinamentos, o carinho, a dedicação… Tiveram brigas, frustrações, momentos variados de alegria e tristeza, mas sempre focalizei no carinho, na generosidade, e percebi quando eu estava abusando da tolerância, claro que é bom ser servido de vez em quando, tem momentos na vida em que estamos cansados, mas prefiro ter a força de meus músculos para levantar e pegar a minha água, mesmo que os joelhos doam…

Alguns ancestrais das distantes Baixa Eslobóvia e Transilvânia

Se eu não me movimentar, além da dor aumentar meus joelhos ainda perderão a mobilidade que resta. O líquido sinovial para ser produzido precisa de movimento. A vida precisa de movimento.

Luganus em 2019 com seu último par de nadadeiras Orca que têm aproximadamente + de 30 anos. A fábrica fechou há muito tempo e com ela este excelente produto entrou em extinção. Não há mais nadadeiras com esta qualidade no mundo onde o obsolentismo planejado impera.


 Por isto os casos de drogadicção são muito árduos e exigem muito do psicoterapeuta, e este tem que estar atento para não ser devorado pelo envolvimento com tais pessoas.

Por isto os medicamentos são importantes…É imprescindível em tais casos estarem estes medicados para alterar a bioquímica e dar algum gás para se engajarem no tratamento.
Bem…

A psicoterapia requer o conhecimento de metodologia e técnicas variadas.
O estudo de um método permite o uso de uma variedade de técnicas sempre em prol de “sub goals”, submetas, que permitem a psicoterapia avançar na direção de um objetivo maior.
A metáfora de uma construção permite entender que primeiro você explora o terreno para ver que tipo de fundações ele precisa, após estas serem implantadas o psicoterapeuta-engenheiro segue com a estratégia obedecendo seus cálculos, há sempre uma metodologia por trás disto tudo (uma teoria açambarca conhecimentos metodológicos e técnicos)… Logo, há uma estratégia para se construir algo, sejam edificações, sejam pessoas.
Por exemplo, ainda seguindo com a metáfora, há materiais mais resistentes do que outros… Portanto, para uma estrutura de personalidade “porcelana”, bela porém frágil, o terapeuta deve ir com muito cuidado… Você pega uma xícara de porcelana sempre com muito cuidado, você a lava com cuidado… Não é como estes copos de geléia que aguentam um bom tranco. Notem o passado desta jovem, deste cliente…

Luganus 2015

Respondam a uma pergunta dentro da filosofia dicotômica… (Notem que diagnósticos são construídos necessariamente por uma epistemologia dicotômica, entretanto um psicoterapeuta não deve tratar/pensar de forma dicotômica seu cliente, depois explicarei isto)…

Bem…A pergunta é…

Luganus 2009

Esta cliente é uma xícara de porcelana ou um copo de geléia?

Reflitam sobre isto. 

PS. Dizem os terapeutas africanos que somente os elefantes, devido às suas imensas orelhas, são capazes de ouvir o choro de crianças aprisionadas dentro de pedras, e assim podem as libertar. O terapeuta-elefante tem uma força descomunal combinada com esta sensibilidade e percepção aguçada. O termo deriva de um excelente texto escrito pelo psicoterapeuta Paulo Barros na obra Ser terapeuta, também da editora Summus, 1985. Organizado por ele e por Ieda Porchat.

https://books.google.com.br/books?id=FEFlQ2u1RXEC&pg=PA9&hl=pt-BR&source=gbs_toc_r&cad=3#v=onepage&q&f=false
Neste link se encontra algumas partes da obra reeditada.


 Atenciosamente   

     Prof. Celso Lugão da Veiga 

   Supervisor em Psicoterapia Estratégica     

                (SPA  IP   UERJ)

Especializações em Psicologia Clínica e Hospitalar

Uma reflexão sobre os referenciais epistemológicos e clínicos


Uma pequena reflexão… Oriunda e inspirada no Google Tradutor…A little reflection … Oriented and inspired by Google Translator …
Una pequeña reflexión … Oriunda e inspirada en Google Traductor …
一點反思……面向谷歌翻譯並受其啟發……
Un peu de réflexion … Orienté et inspiré par Google Translator …Küçük bir yansıma … Google Tercüman tarafından yönlendirildi ve ilham alındı … (Tivemos uma aluna proveniente da Turquia que poderia corrigir, se necessário).
A kekere otito … Ti ni atilẹyin ati atilẹyin nipasẹ Google Onitumọ …
Немного размышлений … Ориентирован и вдохновлен Google Translator .Eine kleine Überlegung … orientiert und inspiriert von Google Übersetzer …
القليل من الانعكاس … موجه ومستوحى من Google Translator

Amazônia, fim de tarde, 2018

Enfim, este aplicativo nos permite perceber a infinidade de idiomas que existem de uma maneira como nunca aconteceu antes, inclusive com alguns efeitos sonoros, ou seja… Podemos ouvir as pronúncias e em alguns casos, como eu costumo brincar, chinês por exemplo, tenho certeza de que estão de gozação com a nossa cara… Apenas fingem que estão falando algo, realmente ninguém pode entender aqueles sons estranhos… O mesmo vale para o 阿拉伯語 e para o  土耳其… Arapça e Türk…
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Entretanto, se você tem as chaves de decodificação você consegue perceber a idiossincrasia dos idiomas e das pessoas… Os códigos de valores, as preferências…
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Outra questão também é como uma criança se expressa com facilidade em mongol, russo, ไทย… Tailandês!!! Como isto é possível?!!! เด็กที่พูดภาษาไทย….Uma criança que fala tailandês!!!

E tem gente que escreve e é capaz de ler estes “hieróglifos”, rsss
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Bem, desde pequena ela ouve “aquilo”, aprende a escrever “aquilo” e a ler, interpretar “aquilo”………………………………………………………………………

Amazônia, 2018. Artesanato produzido por povos indígenas.

E com relação a minha avó e ao meu avô… Bem, eu os amei do meu jeito, é sempre do nosso jeito, não há outro… E lembro de cada um deles com enorme carinho e mesmo agora, enquanto escrevo me emociono… Assim como me emociono ao lembrar de meus amigos que se mudaram para a Baixa, a Média e a Alta Eslobóvia, sempre lembrando que a Alta fica mais abaixo do cume das cordilheiras, pois a Baixa é que fica mais acima…. A referência é a temperatura… A Baixa Eslobóvia é muito mais fria justamente porque fica no topo da cordilheira…

Meus pais e avós paternos e meu irmão mais velho.

E justamente este carinho, este amor, ligado a estas pessoas com quem convivemos, alguns desde a infância, como nossos pais, irmãos e alguns amigos… Outros que aprendemos a gostar na adolescência, e outros ainda já na vida adulta… Assim, todos estes afetos, catexias, estão em nossas memórias e no nosso imaginário… Permeado de lembranças… De emoções… E assim é com os idiomas… Muitas pessoas nascem e aprendem um idioma, depois outro… O fato é que há um nativo e outros agregados… Como um primeiro amor que se não foi traumático permitirá a vida fluir… Novas experiências poderão acontecer… E estará tudo bem… O idioma nativo está “guardado” e agora você fala mais um idioma… Se você o escolheu é porque sentiu alguma motivação, alguma afinidade, algum motivo há…

Casa de ancestrais na Suíça


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E desta maneira, é o uso dos referenciais epistemológicos e clínicos… Quanto mais você os conhece, quanto mais os incorpora ao teu dia a dia mais fluente você é…………………………………………………………….
E podem ser vários os referenciais psicoterápicos, alguns usam os referenciais da psicanálise…. E o fazem muito bem… E segue a lista de alguns psicoterapeutas… C. G. Jung, A. Adler, H. S. Sullivan, W, Reich, F. Perls, A. Lowen, A. Beck, V. Satir, C. Whitaker…

Como diziam os samurais… A espada deve ser um prolongamento do braço… A técnica se transforma em algo que flui espontaneamente… E para isto é preciso praticar, praticar, praticar…
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Estudar e praticar

Então, pessoal, se vocês tiverem as chaves poderão abrir os cofres e as portas… Cada cliente é de um jeito, um idioma a ser decifrado… Ou ele te devora, como a velha metáfora da Esfinge…

Ou você aprende os códigos ou não se meta com isto, praticar psicoterapia não é assunto para amadores… Imagine-se como um cirurgião… Você tem que ter conhecimentos sobre estruturas e funcionamento… Anatomia e Fisiologia, no mínimo, é básico.Por isto, você não pode fazer psicoterapia sem entender que ao tocar num trauma, se o cliente não tiver recursos ele irá se retraumatizar… Isto é primário…

Como fazer e criar recursos? Na sintaxe deste idioma, “psicoterapês”, seja em russo, alemão ou swahili isto é básico…Um médico, um profissional, um psicólogo o recebe e sorri ao abrir a porta, você sorri de volta… Ambiente, quinto nível lógico, recurso sendo implantado no ambiente, 5° nível lógico.

Ele diz… “Hoje está um lindo dia e respira fundo e diz sente-se, relaxe e me conte como posso ajudar”… Comportamento, quarto nível lógico, recurso sendo implantado no 4° nível lógico…

Notem, há pessoas que são naturalmente, selvagemente, terapêuticas… Nem imaginam que há uma teoria por trás de tudo que estão fazendo, mas fazem aquilo muito bem… Ancoram bons estados de humor, implantam e/ ou reforçam estratégias que funcionam (Estratégias, 3° nível lógico – Recursos poderosos).

Mexem com as crenças e com a identidade (a autopercepção: a autoimagem, o auto conceito, a auto estima)… Segundo e primeiro níveis lógicos e você sai muito melhor daquele encontro, e diz…”Foi terapêutico estar aqui em pleno sábado escrevendo estas linhas para vocês… Obrigado. Agradeço a paciência com a minha prolixidade… O carinho por vocês é recíproco… Todos e todas vocês são ótimas pessoas e se cuidarem de vossos “eus” infantis e se aliarem a eles poderão cada vez mais espalhar segurança e conforto por este planeta…

Gaia merece.
 Atenciosamente 

Centro de Psicologia da Amazônia, 2018.

       Prof. Celso Lugão da Veiga

     Supervisor em Psicoterapia Estratégica 

                    (SPA  IP   UERJ)Especializações em Psicologia Clínica e Hospitalar

Sobre a aprendizagem da psicoterapia

2012-03-10 16.14.10  Olá.

Na verdade o título original deste pequeno artigo segue abaixo. Eu o produzi em 2002 diante da percepção de que muitos supervisandos ou “aprendizes de feiticeiro” entram em pânico ou se abatem diante de sentimentos, experiências e leituras quando chegam no estágio de psicoterapia estratégica e se deparam com a enciclopédia, com o mito, e antes de tudo honorável e humilde Lugão. Esta experiência, relatada por muitos, de nada saber, ou de que nunca conseguirá chegar aonde o professor chegou; enfim, este sentimento de se sentir oprimido pelo enorme manancial de conhecimento externo… Em qualquer área de aprendizagem… Acreditem, esta é uma experiência universal, se assim se pode chamar as experiências que ocorrem neste pálido planeta azul, como diria Carl Sagan.

(Foto tirada no Observatório Nacional – RJ)

A responsabilidade social dos cientistas: porque a epistemologia é importante

A responsabilidade  social dos cientistas ou … Porque a epistemologia é importante by Prof Celso Lugão

Radithor

Radhitor – água radioativa

Hans Jurgen Eysenck, em uma de suas obras, disse que quando um cientista faz declarações fora de sua especialidade, estas têm o mesmo valor das declarações dos leigos, entretanto, por se tratarem de declarações feitas por um cientista, estas têm um impacto social enorme porque pegam emprestado o aspecto de credibilidade da ciência.
A este aspecto, se pode somar ainda as confusões e distorções causadas pela mídia, seja por um desconhecimento da atitude de vigilância epistemológica por parte da imprensa, seja por interesses financeiros ou mesmo escusos de certos órgãos de comunicação.

Radithor, foi um “elixir energizante” feito com água radioativa. Quando da descoberta da radioatividade os interesses comerciais e financeiros criaram vários produtos à base de radioatividade!!! (Adiante, no final deste artigo, faço uma análise de uma reportagem com o curioso título “Maconha é uma das substâncias mais seguras! Diz especialista”… Seria cômico, se não fosse trágico, para dizer o mínimo).

Sobrará algum pó após o Pós-Modernismo?

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Pela importância do tema e em prol de diluir a tremenda confusão que esta corrente ideológica traz, principalmente para os jovens universitários perdidos entre os efeitos da anomia na sociedade e os argumentos pseucientíficos de supostos expertises em assuntos do qual nada entendem, resolvi postar o texto abaixo, com os devidos créditos. Para se pensar com clareza é preciso lucidez e boas informações, assim como para se escrever bem é preciso ler bons autores.
Indagado várias vezes sobre a crise da ciência, por jovens militantes de movimentos descabidos, como a marcha da maconha, resolvi colocar os textos de Bessa e Kentaro aqui também, tentei contato com os autores, mas não consegui.

Bem… Deveria se marchar por outras coisas, mas cada um pensa ser livre para marchar pelo que quer… Pensa ser livre, mas não é, ninguém é livre de uma ideologia, mas é diferente se tua marcha irá conduzir pessoas ao suplício, ao martírio de si e de outros, como foi o caso do nazismo. Muitos viram isto e alertaram na época, muitos não acreditaram…

As melhores armas contra o fanatismo e a corrupção

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“Talvez o próximo Einstein esteja morrendo de fome na Etiópia”

“Há dinheiro eletrônico  suficiente no mundo e tecnologia para resolver a maioria dos problemas humanos em relação à miséria. Lembrem-se, pelos cálculos de 2012, publicados por Yuval Noah Harari, existem 60 trilhões de dólares no mundo (ou seja, a produção anual era de 60 trilhões em 2012), a soma total de moedas e cédulas é de menos de 6 trilhões de dólares. Ou seja, mais de 90% de todo o dinheiro do mundo, mais de 50 trilhões de dólares, (em 2012), existem apenas em servidores de computador, são cifras eletrônicas” (Harari, Y. N. Uma breve história da humanidade – Sapiens, RS, editora LPM, 2016, p. 186.). Esta é a proporção que ainda se mantém, repetindo… Mais de 90% do dinheiro do mundo é virtual, bits, impulsos elétricos em computadores, cifras eletrônicas. Professor Celso Lugão da Veiga -UERJ

 

Sobre a obra Indignai-vos…

Sobre a obra Indignai-vos…

Stéphane Hessel: “Os bancos estão contra a democracia”

Hessel_indignai_vos  Foi aos 93 anos de idade que Stéphane Frédéric Hessel (falecido aos 95 anos; viveu de 20 de outubro de 1917 até 26 de fevereiro de 2013), escreveu a obra Indignai-vos, na qual ele usa sua experiência dos anos de resistência ao nazismo e se baseia no programa elaborado pelo Conselho Nacional de Resistência. Este Conselho  propôs para a França libertada um conjunto de princípios e de valores sobre os quais se apoiaria a democracia após a Segunda Guerra Mundial.

Sobre traumas, personalidade borderline e a dinâmica do psiquismo

fantasy eye Sobre traumas, personalidade “borderline” e a dinâmica do psiquismo

Entrevistadora:  Professor, o senhor poderia explanar sobre o efeito dos traumas?

Prof. Celso Lugão: Bem, sempre que alguém é ameaçado, determinados processos entram em ação. A combinação de vários fatores, como a idade, o tipo de trauma, de ameaça, etc., com estes processos dá uma configuração particular a cada caso.