A PSICOTERAPIA ESTRATÉGICA NO SPA DA UERJ

Daniel e Pão de Açúcar A PSICOTERAPIA ESTRATÉGICA NO SPA DA UERJ by DANIEL EVANGELISTA DE SOUZA JUNIOR

ORIENTADOR: PROFº CELSO LUGÃO DA VEIGA

Monografia apresentada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro como pré-requisito para a obtenção do grau de bacharel em Psicologia em Agosto de 2013

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo apresentar o Projeto de Psicoterapia Estratégica existente na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que é conduzido pelo Prof. Celso Lugão da Veiga. A partir da revisão bibliográfica dos referenciais epistemológicos e psicoterápicos,serão descritas as diferentes abordagens, técnicas e teorias que contribuem para a metodologia da terapia estratégica.

A partir da integração das diferentes abordagens e da influencia do modelo ericksoniano, será possível perceber as mudanças nos paradigmas terapêuticos, onde surgirá a valorização da subjetividade do sujeito e o incentivo a mudanças capazes de ampliar seu modelo de mundo. Com o distanciamento dos paradigmas tradicionais, que eram utilizadas no século passado, um psicoterapeuta estratégico terá a capacidade de interferir diretamente no processo de mudança do paciente, desenhando as soluções em parceria e promovendo a criação de um novo futuro, gerando autonomia para ele. Das diferentes abordagens que influenciam o projeto, serão abordados as contribuições de Jay Haley e sua Terapia Estratégica, Milton H. Erickson e sua hipnoterapia ericksoniana, Alfredo Moffat e sua Terapia de Crise, Richard Bandler & John Grinder e a Programação Neurolinguistica e Robert Dilts, com sua técnica para organização de diferentes casos clínicos. Seguindo este caminho, esta monografia busca consolidar a visão de que o psicoterapeuta precisa estudar muito e estar preparado para qualquer problema que seu cliente apresentar, oferecendo uma terapia feita sob medida, provocando mudanças efetivas e duradouras, e não apenas classificá-lo segundo uma abordagem em particular.
Daniel poseDedico este trabalho,

Aos meus pais, Daniel e Margarida, pelo amor, dedicaçãoe incentivo que sempre me deram, acreditando que eu poderia realizar qualquer coisa que desejasse. Amo Vocês.

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus, pela vida e sabedoria que flui dentro de mim. Sem isto, nada seria possível.

Ao Profº Celso Lugão, meu orientador, por despertar em mim o espírito científico, o desejo de evoluir constantemente e por todos os ensinamentos que transmitiu.

Ao Profº Nilson Doria e a Profª Debora Gill, avaliadores desta monografia e professores com os quais tive a oportunidade de aprender bastante durante os semestres letivos.

Aos amigos que acreditam no meu potencial.

A toda minha família: minha mãe, Margarida Tavares; ao meu irmão, Luis Fernando; as minhas tias, Luzinete e Edineuza; aos meus primos André Luiz, Thamires Oliveira, Thiago Oliveira e Thais Oliveira; ao meu avô, Luis Gonzalo e a minha namorada, Hannah Carvalho. Obrigado pela torcida, por todo o incentivo, por toda educação, por todos os ensinamentos, por criarem um ambiente saudável para o meu crescimento, por toda amizade e por todo o amor que me dão.

A todos, muito obrigado!

Frase de A. Robbins

SUMÁRIO:

INTRODUÇÃO……………………………………………………………11

Motivação Epistemica…………………………………………………….12

Organização da monografia……………….13

CAPÍTULO 1 –  A PSICOTERAPIA ESTRATÉGICA……………..15

  1. Origem………………………………………………….15
  2. A Psicoterapia Estratégica e o SPA da UERJ…………………………17
  3. Referenciais Epistemológicos e Psicoterápicos……………………..17
  4. Objetivos da Psicoterapia Estratégica………………………………..19
  5. Pressupostos da Psicoterapia Estratégica……………………………21

CAPÍTULO 2 -O PRIMEIRO REFERENCIAL: MILTON H. ERICKSON E O “DIAMANTE DE ERICKSON”…………………..22

2.1Dados Bibliográficos ………………………………………………….22
2.2 Hipnose, Terapia e técnicas ericksonianas………………………24
2.2.1 Lidando com a resistência ………………………………………24
2.2.2 Oferecer uma alternativa pior …………………………………….25
2.2.3 Encorajar a recaída …………………………………………………..26
2.2.4 Encorar uma reposta através de sua frustação………………………………………………………..26
2.2.5 O uso do espaço e de posições……………………………………………………………………………..26
2.2.6 Enfatizar o Positivo…………………………………………………………………………………………….27
2.2.7 Despertar e Desaprender …………………………………………………………………………………….27
2.2.8 Evitar a auto-exploração…………………………………………….27
2.2.9 O ciclo da vida familiar …………………………………………..28
2.3Princípios do Diamante Ericksoniano ……………………………29
2.4 As características diagnósticas de Jeffrey Zeig ……………………31
2.5 As classificações perceptuais e de processamento de diagnóstico ……….32

CAPÍTULO 3 –  O SEGUNDO REFERENCIAL: A. MOFFAT E A TERAPIA DE CRISE…….

Definição de Crise …………………………………………..34

3.2 Contenção ……………………………………………….35
3.2.1 Contato ………………………………………………..35
3.2.2  Enquadramento ……………………………………..36
3.2.3Contenção Corporal …………………………………36
3.3 A Exploração………………………………………….37
3.3.1 O imaginário.. ………………………………………37
3.3.2 Máquina do Tempo …………………………………37
3.3.3 O Vínculo Fantasma……………………………….38
3.4 O Projeto……………………………………………….39
3.4.1 A explicação compartilhada…………………………40
3.4.2 Projeto do Destino………………………………….40
3.5  A Atividade ……………………………………………..40

CAPÍTULO 4 – O TERCEIRO REFERENCIAL: PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUISTICA E OS 5 NÍVEIS LÓGICOS

4.1Breve História da PNL ……………………………………42

4.2 Modelagem…………………………………………………43
4.2.1 Terapia e Modelagem ………………………………….44
4.3 Pressupostos da PNL ……………………………………45
4.3.1 O mapa não é o território …………………………….45
4.3.2 As experienciais possuem uma estrutura………….45
4.3.3. É impossível se comunicar …………………………46
4.3.4 Todo comportamento tem uma intenção positiva…………….46
4.3.5 As pessoas sempre fazem a melhor escolha disponível para elas……..46
4.3.6 Se o que você está fazendo não está funcionando, faça outra coisa…..47
4.4. Rapport…………………………………………………47
4.5Backtracking Frame……………………………………48
4.6 Sistemas representacionais ……………………………48
4.7 Níveis Lógicos…………………………………………………….49

CAPÍTULO 5 – O QUARTO REFERENCIAL: SCORE….52

5.1 Definição………………………………………52
5.2 Sintomas …………………………………….53
5.3 Causas ………………………………………53
5.4 Objetivos …………………………………….53
5.5 Recursos ……………………………………..54
5.6 Efeitos ………………………………………..54

CONSIDERAÇÕES FINAIS

APÊNDICES………………………………58

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:…….61

INTRODUÇÃO

Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.


Crescimento saudável(Carl Jung)

Esta monografia pretende apresentar o Projeto de Psicoterapia Estratégica existente na Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, que possui como supervisor e orientador o professor Celso Lugão da Veiga. Atualmente, o projeto funciona dentro do Serviço de Psicologia Aplicada – SPA UERJ, sendo fundamental para o atendimento do público interno e externo, como também para o treinamento e desenvolvimento dos futuros psicólogos que participam das supervisões conduzidas pelo profº Lugão. Nesta perspectiva, esta monografia irá realizar a revisão bibliográfica dos referenciais teóricos e epistemológicos que são utilizados pela Psicoterapia Estratégica da UERJ, com o objetivo de proporcionar ao leitor a capacidade de compreender como o projeto funciona e a sua contribuição tanto para os alunos, quanto para os pacientes.

Considerado por muitos alunos e professores como sendo um excelente psicoterapeuta, o Profº Lugão foi pioneiro ao realizar a implantação do Projeto de Psicoterapia Estratégica na UERJ, trazendo uma metodologia de trabalho bastante recente e até então desconhecida por muitos no meio acadêmico, adquirindo dessa forma tanto admiradores, quanto pessoas que não se identificam com esta metodologia moderna de se conduzir uma terapia.

Baseado nas constantes disputas que foram presenciadas pelo autor, durante o andamento do curso de Psicologia, sobre qual é a melhor e mais efetiva abordagem para resolução de casos clínicos, e influenciado pelo metodologia de trabalho da Psicoterapia Estratégica, esta monografia se propõe também a apresentar os diferentes referenciais teóricos de maneira organizada, para que o leitor possa observar como é possível combinar diferentes abordagens, sem anular as demais, realizando uma terapia sob medida para cada cliente.

Motivação Epistêmica

Com a permissão do leitor será usada, apenas nesta seção, a primeira pessoa do singular, isto porque a denominação motivação epistêmica, implica em revelar as motivações e interesses particulares do orientando sobre o tema escolhido. Desta forma, expondo aquilo de que tem consciência, o orientando busca uma forma de honestidade intelectual que pode informar ao leitor sobre as tendências subjetivas da confecção do presente estudo.

“Quando iniciei meus estudos na faculdade de Psicologia da UERJ, achava muito estranho a pressão exercida por professores e alguns colegas de classe para a escolha de uma abordagem em específico. Durante minha trajetória, visualizei alguns defenderem suas abordagens com extrema arrogância, desqualificando a escolha realizada por outros profissionais.

Apesar de considerar todas as abordagens excelentes, não conseguia entender o porquê de tanta disputa dentro da faculdade, sendo esta visualizada por outros alunos também e transmitida entre os departamentos. Enquanto observava algumas discussões acaloradas, sobre qual abordagem era mais efetiva, ficava extremamente triste ao ter que optar apenas por uma área para atuar profissionalmente, pois considerava que todas as abordagens ensinadas na faculdade, possuíam pontos de contribuição para a compreensão e intervenção dos diferentes casos clínicos. Além disso, achava um tanto contraditório os professores nos ensinarem que não existe verdade absoluta na ciência, sendo esta apenas uma aproximação, e considerarem suas abordagens como as representantes da verdade em Psicologia, negando a existência das outras correntes.

Levando em consideração este cenário, procurei então por alternativas que saciassem minha vontade de conciliar as diferentes abordagens e outros elementos que os demais campos da ciência oferecem. Em minha busca, acabei por encontrar o Projeto de Psicoterapia Estratégica, que é conduzido pelo Profº Celso Lugão. Ao ler um pouco sobre o que ele oferecia, pude enfim entender a proposta da Psicoterapia Estratégica e como ela contribui para a resolução de problemas. A partir de então, venho estudando o máximo possível para atuar de acordo com a metodologia da Terapia Estratégica, onde são elaboradas diferentes estratégias com todo o conhecimento que o psicoterapeuta possui, a fim de transformar seu paciente, proporcionando a realização dos objetivos minimamente estabelecidos e contribuindo para outros ganhos que possa ter. Dessa forma, o psicólogo pode estudar continuamente e combinar diferentes abordagens para fazer uma terapia sob medida, onde todo o conhecimento das áreas de Psicologia servirá ao paciente, que está mais preocupado em resolver suas próprias demandas do que alimentar um sistema de disputa entre as abordagens existentes.

Assim quanto mais o psicoterapeuta estuda e se organiza, mais a teorização progride e se amplia para açambarcar os novos referenciais. “Com isto, a teorização está sempre viva, se adaptando e utilizando novos insights e conhecimentos, que podem ser utilizados em prol dos pacientes”. (comunicação pessoal do prof. Celso Lugão da Veiga).

Organização da monografia

Motivado por estas questões, esta monografia foi estruturada em 6 capítulos, conforme o plano descrito a seguir:

  • O primeiro capítulo apresenta o surgimento da Psicoterapia Estratégica, seus principais referenciais teóricos e a forma como a mesma foi organizada e implantada no SPA da UERJ;
  • O segundo capítulo apresenta o 1º referencial epistemológico e psicoterápico que norteia o Projeto de Psicoterapia Estratégica da UERJ, sendo composto pelo Trabalho de Milton H. Erickson e o “Diamante de Erickson”. No decorrer deste capítulo, será possível conhecer um pouco da biografia de Erickson, sua relação com a terapia estratégica, as contribuições de seus alunos Jay Haley e Jeffrey Zeig, e a capacidade de integrar-se com outras técnicas e outros referenciais teóricos;
  • O terceiro capítulo aborda o 2º referencial da Psicoterapia Estratégica da UERJ, sendo composto pelos estudos de Alfredo Moffat (1987), que elaborou a “Terapia da Crise”. Neste capítulo, será possível entender como são realizados os atendimentos de inúmeros casos de clientes em crise;
  • O quarto capítulo apresenta o 3º referencial epistemológico e psicoterápico, que possui origem nas contribuições de R.Bandler (1987) e J.Grinder (1986), criadores da Programação Neuro-linguistica. Neste capítulo, serão abordados os principais conceitos da PNL, como modelagem, sistemas representacionais, níveis lógicos, rapport e as principais contribuições de Milton H. Erickson;
  • O quinto capítulo aborda o 4º referencial da Psicoterapia Estratégica da UERJ, denominado “SCORE”. Este é mais um dos conceitos da Programação Neuro Linguística, sendo elaborado por R..Dilts (1993), que desenvolveu um conceito capaz de sintetizar os principais itens da terapia; os sintomas apresentados pelos pacientes; as causas que levaram a origem destes sintomas; os objetivos que o paciente gostaria de alcançar; os recursos que ele possui; e os efeitos da psicoterapia na vida do cliente;
  • Por fim, serão apresentadas as considerações finais sobre o Projeto de Psicoterapia Estratégica e sua contribuição para o Serviço de Psicologia Aplicada da UERJ.

A seguir, será apresentado o capítulo 1, referente a Psicoterapia Estratégica.

CAPÍTULO 1 –A PSICOTERAPIA ESTRATÉGICA

IMG_20140929_081202089Se a única ferramenta que você tem é um martelo, tudo começa a parecer com um prego.
(Abraham Maslow)

Como explicitado na introdução, esta monografia pretende realizar uma revisão bibliográfica sobre a Psicoterapia Estratégica e seu funcionamento no SPA da UERJ. Baseado nisto, este capítulo irá apresentar a origem da Psicoterapia Estratégica, criada por Jay Haley; a implantação do Projeto de Psicoterapia na UERJ, através do Profº Celso Lugão, como também sua forma de ensinar psicoterapia e os referenciais epistemológicos e psicoterápicosque são utilizados em sua prática clínica.

(Foto: prof. Celso Lugão da Veiga)

A história da psicoterapia estratégica remete aos nomes de Milton Erickson, Gregory Bateson (O Projeto Bateson, de 1952), Don Jackson e o Instituto de Pesquisa Mental (MRI-Mental Research Institute),fundado em 1958, bem como os de Jay Haley, Salvador Minuchin, Bráulio Montalvo e Cloé Madanés.

O período entre 1952 e 1967 foi dedicado mais a pesquisa sobre a terapia do que a sua prática; enquanto que, de 1967 a 1973, o grupo de Filadélfia, composto por B. Montalvo, J. Haley e S. Minuchin, criou um modelo de intervenção e também de formação de terapeutas. Sendo que, em 1975, C. Madanés e J. Haley fundaram o Instituto de Terapia Familiar, em Washington. De lá para cá, esta abordagem tem inspirado uma série de terapeutas e instigado um amplo debate sobre a prática das psicoterapias.

  1. Origem

O conceito de terapia estratégica ganhou impulso a partir da década de 50, com o desenvolvimento da terapia familiar e das terapias condicionantes. Aproximadamente em 1956, Jay Haley na companhia de John Weakland e de Milton H. Erickson desenvolveram um trabalhode cunho terapêutico. A partir desse grupo de estudos, surge a Psicoterapia Estratégica, tendo Jay Haley como criador. Por este trabalho ter sido desenvolvido a partir da ótica ericksoniana, Milton H. Erickson é considerado por muitos autores como o co-criador da terapia estratégica.

Sendo considerado um tipo de atuação bastante recente…

A terapia pode ser chamada de estratégica quando o clínico inicia o que se desenrola durante a terapia e designa uma abordagem particular para cada problema. Quando um terapeuta e uma pessoa com um problema se encontram, a ação que ocorre é determinada pelos dois, mas na terapia estratégica, a iniciativa é amplamente tomada pelo terapeuta. Ele precisa identificar problemas solucionáveis, estabelecer objetivos, planejar intervenções para atingir esses objetivos, investigar as respostas que recebe para corrigir sua abordagem, e, por último, examinar o resultado de sua terapia para verificar se foi efetiva. O terapeuta precisa ser realmente sensível e receptivo ao paciente e ao seu campo social, mas a maneira como age é determinada por ele mesmo (Haley,1991,p.19).

A utilização da Psicoterapia Estratégica provocou uma mudança de paradigmas pois…

Durante a primeira metade deste século, os clínicos eram treinados para evitar planejar ou iniciar aquilo que aconteceria na terapia e para esperar que o paciente dissesse ou fizesse alguma coisa. Só então o terapeuta podia agir. Sob a influência da psicanálise, da terapia rogeriana e da terapia psicodinâmica em geral, desenvolveu-se a idéia de que a pessoa que não sabe o que fazer e procura ajuda deveria determinar o que ocorre na sessão terapêutica. Esperava-se que o clínico se sentasse passivamente e só interpretasse ou fizesse retornar ao paciente aquilo que este estava dizendo ou fazendo. (Haley, op.cit).

DSC09255Segundo Haley (1991), A terapia estratégica não é uma abordagem particular ou uma teoria, mas um nome para os tipos de terapia nos quais o terapeuta assume a responsabilidade de influenciar diretamente as pessoas. Durante algum tempo houve controvérsia sobre se era errado o terapeuta agir para ocasionar uma mudança, mas agora parece claro que a terapia efetiva requer esta abordagem, e as discordâncias acabaram.

A proposta da Psicoterapia Estratégica difere das correntes tradicionais da primeira metade do século XX, como a Psicanálise ou as terapias rogeriana e psicodinâmica. Dentre outros aspectos, a terapia estratégica propõe o estabelecimento de objetivos, destacando as mudanças, reduzindo as resistências e dependências com relação a terapia. Se isto não ocorre, o terapeuta deve reavaliar sua estratégia até encontrar uma estratégia adequada que leve do conflito para a solução.

  1. 2. A Psicoterapia Estratégica e o SPA da UERJ

Em 1988, influenciado pelo estilo de Jay Haley, o Profº Celso Lugão da Veiga, resolveu implantar o Projeto de Psicoterapia Estratégica na UERJ, oferecendo supervisões sobre o tema, o treinamento na metodologia e a capacitação de estagiários para realizarem atendimentos para a comunidade interna e externa da UERJ, proporcionando a estes clientes os benefícios das técnicas utilizadas na terapia estratégica.

Por ter sido pioneiro na utilização da Psicoterapia Estratégica dentro da UERJ, o Profº Lugão precisou esclarecer as diferentes dúvidas que foram surgindo sobre o projeto. No que diz respeito ao aspecto prático, o Profº Celso Lugão utilizava as técnicas de Jay Haley, da Gestalt Terapia e de outros famosos psicoterapeutas, criando seu próprio estilo.

Para J. Haley (op.cit), a psicoterapia estratégica é qualquer tipo de terapia onde o terapeuta inicia o que acontece durante o processo terapêutico, criando uma metodologia específica para abordar cada problema do caso clínico em questão. “Desta forma, esta metodologia incluirá um conjunto de técnicas destinadas a resolver os problemas; se isto não ocorre o terapeuta deve reavaliar sua estratégia até encontrar uma estratégia adequada que leve do conflito para a solução” (VEIGA,2001,p.2).

  1. 3. Referenciais Epistemológicos e Psicoterápicos

A fim de direcionar o aprendizado em Psicoterapia Estratégica, o professor Celso Lugão organizou e listou diferentes autores e abordagens que deveriam ser estudados pelos supervisandos, pelo período mínimo de 1 ano, para que os mesmo pudessem desenvolver suas habilidades como psicoterapeutas. A partir disso, as leituras recomendadas passariam a comporos referenciais clínicos e epistemológicos servindo de orientação para que os alunos pudessem realizar seus atendimentos com resultados bastante efetivos.

Além disso, a metodologia utilizada pela Psicoterapia Estratégica é clara tanto teoricamente quanto pragmaticamente, procurando dar conta da demanda pedagógica, como também para explicar aos demais interessados, de onde surgiam e para onde convergiam tantas ideias, já que o “certo” seria seguir uma corrente teórica, evitando os perigos e confusões do ecletismo. “Se por um lado, percebe-se o desconforto de alguns com a metodologia utilizada pela Psicoterapia Estratégica, por outro pode-se observar a congruência com o mundo das psicoterapias fora das universidades”(VEIGA,op.cit).

Nesta perspectiva, a atitude pedagógica adotada pelo Projeto de Psicoterapia Estratégica distancia-se dos argumentos de autoridade, comumente utilizados em alguns contextos do universo acadêmico, “procurando utilizar a autoridade dos argumentos como uma medida para disseminação do conhecimento, visto que este possui mais valor para ciência do que aquele”.(idem)

Dentre os referenciais epistemológicos adotados pelo Profº Lugão em seu estilo terapêutico, pode-se mencionar as idéias e ensinamentos de M.H.Erickson, compiladas e apresentadas por diferentes autores, Haley (1991) e Zeig (apud Robles, 2005), como os conceitos de Moffat (1987), Bandler (1987) e Dilts (1993).

Embora os referenciais teóricos possam aumentar a medida que o psicoterapeuta estratégico adquire novas formações, esta monografia irá apresentar apenas os quatro referenciais epistemológicos e psicoterápicos definidos pelo Profº Celso Lugão e que norteiam o Projeto de PsicoterapiaEstratégica.

O primeiro referencial epistemológico e psicoterápico que norteia o Projeto de Psicoterapia Estratégica da UERJ é a hipnose ericksoniana e as contribuições da vida de Milton H. Erickson, suas contribuições e as contribuições de seus seguidores. Nesta perspectiva, será apresentado o “Diamante de Erickson”, conceito que foi desenvolvido por J.Zeig, atual presidente da Milton Erickson Foundation, como também outras características da psicoterapia estratégica de base ericksoniana, descritos por Jay Haley, mostrando como é possível a integração de técnicas e outros referenciais teóricos, já que na prática clinica o bem estar do cliente está em primeiro lugar. Este referencial será apresentado no capítulo 2 desta monografia.

O segundo referencial psicoterápico surgiu através de A. Moffat (1987) e sua “Terapia da Crise”, que foi adaptada para servir de instrumento epistemológico. “A utilização da obra de Moffat surgiu devido ao atendimento de inúmeros casos de clientes em crise”. (VEIGA,2001,p.4), sendo apresentado no capítulo 3 desta monografia.

Bandler e Grinder (Young)

O terceiro referencial epistemológico e psicoterápico utilizado tem origem nas contribuições de R.Bandler (1987) e J.Grinder (1986), criadores da Programação Neuro-linguistica, que desenvolveram conceitos como modelagem, rapport, sistema representacional e cinco níveis lógicos. “Estes, servem tanto para diagnosticar e prescrever  o uso de técnicas, quanto de chave epistemológica para integrar diferentes abordagens”. (VEIGA, loc.cit). Todas estas técnicas serão apresentadas no capítulo 4.

R. Dilts

Robert Dilts

O quarto referencial epistemológico que será apresentado nesta monografia, denomina-se “SCORE. Este é mais um dos conceitos da Programação Neuro Linguística, sendo de autoria de Robert Dilts (1993), onde cada letra tem um significado: S – sintomas; C –causas; O – objetivos; R – recursos e E- efeitos da terapia. Cada um deste itens será explicado com mais profundidade no capítulo 5 desta monografia.

Como dito anteriormente, além dos referênciais que serão apresentados nesta monografia, um aluno que siga a metodologia da Psicoterapia Estratégica, poderá utilizar outras teorias, técnicas e abordagens para sua atuação clínica. Neste aspecto, além dos referenciais básicos, o profº Lugão aborda diferentes assuntos que considera úteis na formação do psicólogo, por isto em suas supervisões, ele apresenta temas relacionados a Tanatologia, Terapia Sistêmica Familiar, traumas, lutos, abusos e demais temas relacionados a ciência em geral, como as obras de Carl Sagan, Richard Dawkins, Stephen Hawking, dentre outros.  Assim, o aluno é sempre incentivado a aplicar outros conhecimentos sob orientação dos referenciais epistemológicos, exercitando-se conforme seu ritmo pessoal, onde quanto mais se organizar e estudar, poderá integrar mais abordagens, sejam elas biológicas físicas ou psicológicas. “Conforme esta integração, será possível utilizar diferentes abordagens dentro de um mesmo caso, trata-se de uma fobia, de uma psicose, trauma ou fenômenos psicossomáticos (VEIGA,op.cit,p.5).

Em resumo, cada um dos referenciais em psicoterapia é considerado como mapas que ajudam o psicoterapeuta, e o cliente, a pensarem sobre como realizarão a mudança terapêutica.

  1. 4. Objetivos da Psicoterapia Estratégica

Ao elaborar a proposta do projeto, o Profº Celso Lugão da Veiga, aborda os cinco principais objetivos da Psicoterapia Estratégica na UERJ, sendo eles:

1º) Treinamento de alunos;

2º)Assegurar um atendimento psicoterápico a mais para a população, tanto no SPA, quanto no HUPE;

3º) Observar a eficácia e aceitação da Psicoterapia Estratégica no tratamento dos diferentes casos clínicos;

4º)Observar a sua articulação com os modelos institucionais;

5º) Fornecer uma contribuição para o próprio desenvolvimento do sistema de saúde.

Para que o 1º objetivo seja cumprido, o Profº Lugão informa que são realizados a seleção de alunos semestralmente, onde os aprovados deverão realizar a leitura dos referências epistemológicos e psicoterápicos e participar das supervisões semanais.

Levando em consideração, que o currículo do curso de Psicologia da UERJ foi elaborado com o intuito de oferecer aos alunos a realização de dois anos e meio para estágios obrigatórios e para garantir que o 2º objetivo seja realizado com qualidade, o tempo mínimo de capacitação recomendado antes de realizar os atendimentos é de 1 ano. Mesmo que exista esta orientação,o Profº Lugão informa que a responsabilidade do treinamento é compartilhada com o estagiário (a), porque entende-se que cada um deva realizar sua função neste período: enquanto um ensina, o outro estuda e aprende. “Por isto, a palavra final sobre a seleção e realização dos atendimentos para os pacientes que estão inscritos no SPA é do supervisor, já que ele possui maior responsabilidade sobre o processo”. (ibid,p.13).

O 3º e 4º objetivos serão conseqüência dos relatórios, reuniões e avaliações entre supervisor e estagiários, podendo contar também com a presença de outros profissionais especializados. Por fim, o 5º objetivo, que está relacionado aos demais, é composto pela elaboração de relatórios, artigos, publicações, seminários, cursos, eventos, tanto para informar e comunicar os resultados, quanto para desenvolvimento de alunos, supervisores e professores.

  1. 5. Pressupostos da Psicoterapia Estratégica

Os pressupostos da Psicoterapia Estratégica foram desenvolvidos por J.Haley (op.cit), com base na visão ericksoniana, sendo utilizados por outros autores como O’Hanlom (1994) e Zeig (apud Robles, 2005)  : orientação naturalista, responsividade e flexibilidade.

O HanlonSegundo O’ Hanlom (op.cit), os seres humanos são naturalmente capazes de preservar e manter a própria sanidade, se isso lhes for permitido. Com isto, o pressuposto da orientação naturalista“é a capacidade de resolver problemas contida em todos os organismos vivos”(Veiga,op.cit,p.15), sendo os sintomas considerados apenas como respostas adaptativas em prol da sobrevivência diante dos recursos disponíveis naquele espaço-tempo, bloqueando o processo de cura natural, quanto menos se atrapalhar maior a capacidade de cura.

A responsividade envolve a noção de co-responsabilidade, vinculo ganhos e êxitos a cada sessão, gerando confiança entre todas as partes envolvidas no tratamento. Segundo O’Hanlom (op.cit), esta co-responsabilidade sugere uma construção em prol da saúde, aonde cada um faz a sua parte, “pois de que valem as prescrições se o cliente não consegue cumpri-las ?”(Veiga,loc.cit).

Por fim, o psicoterapeuta deve permanecer flexível em sua postura, oferecendo alternativas para a experiência humana, já que nenhuma abordagem por si só é suficientemente completa para abordar o ser humano em todas suas perspectivas. Com isto, para atingir uma meta, o terapeuta poderá adotar diferentes técnicas porque,

“cada pessoa é um indivíduo. A psicoterapia, portanto, deveria ser formulada para fazer frente à singularidade das necessidades do indivíduo, e não esquartejar a pessoa de modo a encaixá-la no leito de Procusto de uma teoria hipotética do comportamento humano” (Erickson, 1979 in O’Hanlom,1994,p.24).

CAPÍTULO 2 – O PRIMEIRO REFERENCIAL: MILTON H. ERICKSON E O “DIAMANTE DE ERICKSON”

EricksonNão há dor que dure para sempre, após a chuva, vem o sol.

(Milton Erickson)

Como a origem da Psicoterapia Estratégica, obteve grande influência do trabalho realizado pelo Dr.Milton H. Erickson pode-se dizer que a leitura sobre hipnose faz parte dos referenciais teóricos que um psicoterapeuta estratégico deve realizar.

Embora seja uma técnica que tenha sido utilizada por grandes nomes da história da psicologia, como Sigmund Freud, a hipnose ganhou através de Milton H. Erickson uma nova leitura e possibilidade de utilização clínica. Erickson foi capaz de extrair o essencial desta técnica que já era utilizada durante os séculos e desenvolveu seus próprios métodos de sugestãoe metáforas, para lidar com as resistências do cliente e levá-lo a estados alterados de consciência, provocando a cura de fobias, traumas, dentre outros problemas apresentados pelos seus pacientes. O conjunto destas novas técnicas acabaram por serem nomeadas de hipnoterapia ericksoniana.

Este capítulo pretende apresentar a vida de Milton, as contribuições da hipnose ericksoniana e o “Diamante de Erickson”, sendo uma técnica desenvolvida por um de seus alunos, J. Zeig e adotada pelos psicoterapeutas estratégicos.

  1. Dados Bibliográficos

Milton Hyland Erickson nasceu em Nevada, no dia 15 de dezembro de 1901. Durante toda sua vida, apresentou vários problemas de saúde, dentre os mais dramáticos, um ataque de poliomielite aos 17 anos, que acarretou graves seqüelas, tornando-se quase totalmente paralítico por vários meses, mantendo sua visão, audição e pensamentos intactos.

No que diz respeito a sua formação, Erickson era médico e mestre em Psicologia, atuando na área de psiquiatria e como professor. Como psiquiatra, teve uma boa formação em psicoterapia e por possuir seu lado intuitivo e observador muito desenvolvido, foi se envolvendo ao longo da sua vida com a hipnose, sendo considerado o pai da hipnose médica moderna, provando uma enorme criatividade, desenvolvendo novos métodos, escrevendo livros e artigos sobre o assunto.Milton H. Erickson foi o fundador e presidente da Sociedade Americana de Hipnose Clínica, e fez várias viagens para ensinar hipnose aos profissionais de terapia, a ponto de ser conhecido nos Estados Unidos como “Sr.Hipnose”.

Apesar de tantas atividades e dos problemas de saúde, publicou mais de 1700 páginas de artigos acadêmicos e alguns livros. Entretanto, grande parte de suas contribuições foram registradas pelos seus seguidores como Ernest Rossi, Jay Haley e J. Zeig, como por outras pessoas que se interessavam pelo seu trabalho, como Richard Bandler e John Grinder.

Segundo Haley (op.cit), a hipnose é um processo entre as pessoas, uma maneira pela qual as pessoas se comunicam umas com as outras. Ela contribuiu fortemente para ajudar o desenvolvimento de várias disciplinas que fazem parte da psicoterapia, como por exemplo, a Gestalt – Terapia com Fritz Perls, a psicanálise de Sigmund Freud, a Análise Transacional de Eric Berne e o behaviorismo de Joseph Wolpe. Todos estes terapeutas conheciam perfeitamente as técnicas hipnóticas, mas a rejeitaram para utilizarem o seu próprio modelo de terapia e suas próprias teorias de personalidade e mudança. Erickson por sua vez, continuou praticando a hipnose, porque percebeu nesta técnica um meio capaz de provocar mudança nos pacientes. Milton H.Erickson desenvolveu um método de trabalho que utilizava os recursos interiores de seus pacientes e fugia dos métodos tradicionais,

Atuando de maneira diferenciada com cada paciente, como conselheiro, analista, conciliador, árbitro, advogado, mediador, mentor, aceitando autoridade ou agindo como um pai punitivo, Erickson realçava as características únicas de cada indivíduo que, motivado por necessidades singulares e defesas negativas, requeria modelos originais de abordagem ao invés de técnicas ortodoxas, dogmáticas e sem imaginação. Ele considerava a si mesmo e suas palavras, entonação, jeito de falar e movimentos corporais como veículos de influência que poderiam promover mudanças. Muito mais interessado em ação do que em teoria. Erickson considerava a teoria tradicional uma espécie de obstáculo que ancorava os terapeutas numa pedreira de imponderáveis desesperanças (ZEIG, s/d,p.17).

Milton H. Erickson era um gênio não só como psicoterapeuta, mas também como professor e como indivíduo. Esta genialidade é apresentada por Haley (op.cit) em “Terapia Não-Convencional”, que “garante a notoriedade de Milton Erickson, como o pai dos métodos estratégicos breve em psicoterapia.” (ZEIG,1993 apud ROBLES, 2005,P.28).

Apesar de toda originalidade de Erickson como hipnoterapeuta, psicoterapeuta ou professor, cabe mencionar o seu lado enquanto indivíduo, que em sua maneira de viver era capaz de vencer os espantosos obstáculos físicos que poderiam impedi-lo de viver plenamente, sendo capaz de vencer a poliomielite em diferentes fases de sua vida. Apesar dos terríveis problemas físicos, Erickson demonstrava muita alegria, ampliando cada vez mais sua capacidade como terapeuta e como professor.

Todas as vezes que um paciente ia se consultar com Milton H. Erickson viam um terapeuta que lutava contra o sofrimento e contra muitos obstáculos, mas que ainda assim apreciava a vida. Apesar dos obstáculos, Erickson considerava que a poliomielite era o melhor professor que ele teve. Como praticava a auto-hipnose constantemente, grande parte de “seu êxito com os pacientes era devido ao fato de aplicar suas técnicas em seu próprio caso”. (ibid,p.20).

Em 1969, com a acentuada dificuldade para se locomover e sofrendo de deficiências musculares relacionas a síndrome pós-poliomielite, Erickson passou a permanecer em cadeiras de rodas por tempo integral. Nos anos seguintes, abandonou definitivamente suas atividades de psicoterapeuta clínico, falecendo no dia 27 de março de 1980, em Fênix, Arizona, vítima de infecção aguda.

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  1. 2. Hipnose, terapia e técnicas ericksonianas

Apesar de todas as doenças que desenvolveu durante a vida, Milton H. Erickson foi reconhecido como um dos maiores hipnoterapeutas que já existiu, conseguindo superar diferentes dificuldades em sua própria vida e proporcionou mudanças profundas na vida de seus pacientes. Este tópico pretende apresentar algumas das técnicas que Erickson utilizava para conseguir êxito em sua prática clínica.

  1. Lidando com a resistência

Esta técnica ericksoniana que é utilizada em Psicoterapia Estratégica, basea-se na validação da resistência apresentada pelos pacientes, conseguindo utilizar a resistência como aliada no processo terapêutico.

Quando um sujeito não responde tão bem quanto devia, e portanto resiste, o hipnotista tem maneiras rotineiras de lidar com o problema. Milton Erickson, mais do que qualquer outro hipnotista, se preocupou em desenvolver técnicas capazes de persuadir sujeitos resistentes e levá-los a atingir seus objetivos. Enquanto explorava a resistência hipnótica, Erickson desenvolvia ao mesmo tempo meios de lidar com os problemas humanos em terapia. Sua maneira de lidar com pessoas com problemas quando não está usando formalmente a hipnose é essencialmente a mesma que utiliza quando há resistência à hipnose. Uma vez que se tenha aprendido esta similaridade, muitas das técnicas terapêuticas de Erickson seguem-se logicamente. (Haley,1991,p.25)

Quanto mais o psicoterapeuta validar e aceitar as características apresentadas pelo paciente, melhor será seu resultado na terapia pois,

Essa abordagem de aceitação é típica da hipnose, e também é a abordagem fundamental de Erickson para os problemas humanos, quer ele use ou não a hipnose. O que acontece quando “aceitamos” a resistência do sujeito e até mesmo a encorajamos? O sujeito é apanhado numa situação onde sua tentativa de resistir é definida como comportamento cooperativo.[..] Por exemplo, se uma pessoa procura ajuda porque sofre de dores de cabeça que não têm causa física, Erickson “aceita” a dor de cabeça como aceitaria a resistência hipnótica. Ele se concentrará na necessidade de dor de cabeça, mas a duração, a freqüência ou a intensidade pode variar, até a dor chegar a um ponto em que desapareça. (ibid,p.26)

  1. 2. Oferecer uma alternativa pior

Um psicoterapeuta estratégico prefere que o paciente inicie ele mesmo um novo comportamento e escolha o próprio rumo na vida, mas ao mesmo tempo quer que o paciente mude dentro de um enquadramento. Este é um desafio que o psicoterapeuta precisa enfrentar, pois ao mesmo tempo em que o sujeito precisa seguir as diretivas da terapia, ele precisa adquirir autonomia para tomar decisões e novos caminhos.

Milton H. Erickson utilizava uma estratégia que consistia em oferecer uma alternativa que não agradasse seus pacientes, forçando-os a escolherem alternativas, desenvolvendo dessa forma maior autonomia frente a suas vidas.

Ao discutir esta questão, Erickson afirmava: “Com este tipo de diretiva, estabelece-se uma classe de coisas que o paciente não deve fazer, assim como uma classe de exercícios. Então, oferece-se um item desta classe que ele não ficará muito contente em fazer. O que se deseja é que ele encontre espontaneamente outro item nesta classe. É um bom modo de inspirar alguém a encontrar as coisas que pode fazer, que são boas para ele e que pode apreciar e conseguir fazer”. (ibid,p.27)

  1. 3. Encorajar a recaída

Quando uma paciente se recuperava muito rapidamente, Erickson costumava conduzir seus pacientes para uma recaída, verificando de fato se os resultados eram efetivos. Isto pode parecer completamente incomum, mas tem uma lógica baseada na resistência à hipnose.

Um paciente muito cooperativo que tende a melhorar rapidamente,pode simplesmente estar apresentando uma resposta de fuga, sendo esta uma demonstração de resistência ao processo terapêutico, podendo até se tornar relapso e demonstrar desapontamento com a terapia em momentos futuros. Para lidar com isto, Erickson aceita a melhora, mas induz uma recaída, verificando se recuperação foi verdadeira e o paciente irá continuar melhorando. Um exemplo,

de seus procedimentos mais gentis é dizer-lhe: “Quero que você volte e se sinta tão mal quanto se sentia quando veio aqui pela primeira vez, porque quero que veja se há alguma coisa daquela época que deseja recuperar e salvar do incêndio”. (ibid,p.32)

  1. 4. Encorajar uma resposta através de sua frustração

Outra técnica utilizada por Erickson e adotada pela Psicoterapia Estratégicapara lidar com a resistência é a habilidade de encorajar uma pessoa através de sua frustração.Este procedimento consiste em levar o individuo a se comportar de uma determinada maneira, gerando frustração, e depois conduzi-lo para o que realmente importa.

Erickson utiliza um procedimento semelhante para fazer com que o marido não cooperativo decida “espontaneamente” participar do tratamento da esposa. Se o marido se recusa a comparecer as sessões, Erickson receberá a mulher sozinha. Em cada encontro, menciona algo com o que sabe que o marido não concordaria e diz: “Acredito que seu marido compreenderia isso”. Ao saber, pela esposa, que o doutor o está compreendendo mal, o marido exercitará sua livre vontade e insistirá para que ele marque uma hora para que possa esclarecer o assunto com Erickson, tornando-se, assim, disponível para a terapia. (ibid, p.33)

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  1. 5. O uso do espaço e de posições

A hipnose preocupa-se bastante com orientação espacial, estudando como um sujeito pode se desorientar em relação ao espaço e ao tempo, sendo estes experiências subjetivas. Através de uma indução hipnótica, o sujeito pode estar em uma sala e acreditar que está em outra, pode sentir o tempo diferente e até mesmo acreditar que o psicoterapeuta é outra pessoa. Com isto, o psicoterapeuta começa a perceber que as sugestões podem modificar a orientação e comportamento das pessoas. Por exemplo, Milton H. Erickson,

[..]quando lida com sujeitos hipnóticos resistentes, ele aceita a resistência de vários jeitos e a classifica localizando-a numa posição geográfica. Por exemplo, ele dirá algo como: “Você se percebe muito resistente sentado nesta cadeira”. Pede então à pessoa que se desloque para outra cadeira, deixando a resistência no lugar antigo, onde ela fora estabelecida. (ibid,p.34)

  1. 6. Enfatizar o Positivo

Milton H. Erickson acreditava que o inconsciente era uma força positiva. Dessa forma, o inconsciente seria capaz de fornecer as melhores soluções para o próprio paciente. Em Psicoterapia Estratégica, os pacientes são constantemente estimulados a enfatizar o positivo em suas vidas, sendo uma das metas de cada sessão fazer com que ele saia melhor do que quando entrou.

  1. 7. Despertar e Desaprender

Erickson utilizou sua experiência para despertar diferentes sujeitos de seus transes automáticos do dia-a-dia, ajudando-os a desaprender os comportamentos e crenças que eram prejudiciais. Ele foi capaz de desenvolver sugestões que alteram todo o comportamento, postura corporal e entonação vocal, tirando o sujeito do transe para uma interação mais social.

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  1. 8. Evitar a auto-exploração

Embora seja algo que fuja dos padrões do que é realizado por muitas abordagens, uma das características de sua abordagem ericksoniana “é a ausência de interpretações das supostas causas do comportamento” (ibid, p.31).

Em sua forma de trabalhar, Milton H. Erickson acredita que os terapeutas que tentam ajudar as pessoas a tentarem compreender o “por que” de fazem determinada coisa, impede uma mudança terapêutica real. Embora tenha recebido um adequado treinamento em psiquiatria, Erickson seguiu seu próprio caminho e desenvolveu um estilo original de fazer terapia. Estudou hipnose e ainda utilizou algumas molduras freudianas, praticando a hipnoanálise, que trazia à percepção consciente os traumas passados e as idéias inconscientes.

Após um tempo, ele preferiu utilizar a hipnose de uma maneira diferente, optando por pensar maneiraspara ocasionar uma mudança terapêutica ao invés de somente ajudar as pessoas a tomarem consciência do porquê faziam o que faziam. Com esta alteração, abandonou os métodos da psiquiatria tradicional, elaborando novos procedimentos para melhorar os resultados de sua terapia, que foi se desenvolvendo ao longo dos trinta anos que utilizou experimentações de modos diferentes, a fim de propiciar mudanças.

É mais fácil dizer o que Erickson não faz em terapia, do que dizer o que faz, a não ser oferecendo exemplos de casos. Seu estilo de terapia não se baseia no discernimento dos processos inconscientes, não ajuda a pessoa a compreender suas dificuldades interpessoais, não faz interpretações da transferência, não explora a motivação da pessoa, nem simplesmente as recondiciona. Sua teoria da mudança é mais complexa: parece estar baseada no impacto interpessoal do terapeuta fora da percepção do sujeito, fornece instruções que causam mudanças de comportamento  e enfatiza a comunicação por metáforas. (ibid,p.40)

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  1. 9. O Ciclo da vida familiar

Erickson possuía estratégias para solucionar problemas em qualquer etapa do ciclo de vida familiar, levando em consideração os objetivos terapêuticos que precisariam ser cumpridos·.

Mais do que qualquer outro terapeuta, ele tem em mente os processos “normais” ou comuns da vida das pessoas. Ele não trataria um casal recém-casado como faria com outro, casado há vinte anos, nem abordaria uma família com crianças pequenas do mesmo modo que uma família  cujos filhos  já tem idade para sair de casa. Com freqüência,  a conclusão de seus relatórios soa apropriada porque em geral, seus objetivos são simples. Na época do namoro, o sucesso é a realização do casamento. Durante a primeira fase deste, o sucesso é o nascimento dos filhos. Qualquer que seja o estágio da vida familiar, a transição para o próximo estágio é um passo crucial no desenvolvimento da pessoa e de sua família. (ibid, p.41).

Milton H. Erickson acreditava que a terapia constituía um problema e não uma solução, sendo encarado como o problema o fato dos clientes estarem em terapia. Segundo Haley (op.cit), a solução seria fazê-los sair da terapia para que recomecem a levar uma existência o mais rápido possível. A teoria estratégica de Erickson era um “um método baseado no senso comum que, em geral abordava, de frente, o problema o qual levava o paciente a consultá-lo”. (ZEIG apud ROBLES, 2005, p.28). As estratégias que Erickson empregava foram capazes de fazer a terapia sair da cabeça dos pacientes e do consultório, para “fazê-la entrar na vida real e isso com muita facilidade a qual é um dos aspectos de sua inventividade e de sua criatividade excepcional”. (ibid,p.29).

Uma das características principais de Milton H. Erickson, era sua capacidade de comunicação, sempre utilizando-a de maneira pertinente e sempre com um objetivo em mente, sempre motivando. Para ele, as pessoas já possuem os recursos necessários para efetuar uma mudança, logo não deveria existir diferença entre hipnose, ensinamento e psicoterapia, já que nesses campos, são utilizados as capacidades de aprendizagem do inconsciente. “Portanto, a psicoterapia, a hipnose e grande parte do ensinamento são procedimentos que visam revelar e desenvolver os recursos de uma pessoa para ajudá-la a combiná-los de uma maneira nova e mais eficaz”. (ibid,p.31).

Em resumo, a hipnose é uma maneira de embrulhar ideias como se fossem presentes e apresentá-las ao paciente de forma bem atrativa. Esta é uma excelente técnica focada na comunicação, pois através das sugestões do terapeuta, os pacientes conseguem acessar suas próprias potencialidades, resolvendo assim os problemas que existiam.

Caricatura Erickson2.3Princípios do Diamante Ericksoniano

Jeffrey Zeig (1993, apud Robles, 2005) desenvolveu o então chamado Diamante Ericksoniano, elaborando cinco princípios relacionados a uma terapia ericksoniana feito sob medida. Estes princípios elaborados por Zeig foram incorporados ao Projeto de Psicoterapia Estratégica pelo Profº Lugão, como um excelente referencial para utilização das técnicas ericksonianas. Os princípios utilizados são:

  1. Ter uma meta, de modo que o psicoterapeuta saiba para onde levar a terapia, permitindo saber se alcançou seu objetivo ou não. Apesar de este conceito parecer bem simples, na prática pode ser bastante complicado, principalmente no caso dos pacientes que possuem dificuldades em elaborar metas.
  1. Embrulhar as sugestões para presente, assim que a meta tenha sido estabelecida. Isto pode ser realizado fazendo uso de uma metáfora, uma história, hipnose, a prescrição de um sintoma, um símbolo, dentre muitas outras técnicas.
  1. Fazer a meta sob medida, aumentando o poder da terapia, para que se encaixe dentro do estilo particular do cliente. Se a terapia for personalizada, será muito mais significativa para o paciente.
  1. Estabelecer um processo, que será seguido no decorrer das sessões. Quanto melhor definido for o processo terapêutico, maiores serão as chances de sucesso.
  1. Utilização, explorando tudo o que paciente traz, seja no estilo de se vestir, na orientação religiosa, no problema, na linguagem, dentre outras características. Tudo o que o paciente trouxer é aproveitado como material para o bom resultado da terapia.

Além dos princípios apresentados, Zeig (op.cit) acredita que é possível fazer uma terapia sem metacomunicação, ou seja, sem interpretar a história de vida do cliente, mas provocando a mudança através de vivencias. Enquanto os questionamentos de uma intervenção baseada em metacomunicação são as palavras por que, buscando justificar o que está acontecendo, o enfoque da psicoterapia ericksoniana é baseado na experiência e vivencia, utilizando perguntas com a palavra como, buscando comportamentos e resultados que possam transformar os motivos que levaram o cliente ao consultório.

2.4 As características diagnósticas de Jeffrey Zeig:

Para realizar uma terapia sob medida ao máximo possível, Zeig (op.cit) desenvolveu uma metodologia de diagnóstico das características apresentadas pelo clientes, fazendo com que as intervenções sejam mais eficazes dependendo do estilo de cada paciente.  As seis categorias de diagnóstico de Zeig são:

  1. Atenção interna ou externa: uma pessoa mais externa põe toda sua atenção no meio ambiente, conseguindo captar tudo o que acontece ao seu redor, estando com seus sentidos visuais, auditivos e sinestésicos voltados para fora. Uma pessoa mais interna possui uma atenção focada para dentro, voltada para suas fantasias, sonhos e sentimentos.
  1. Atenção focada ou difusa: uma pessoa focalizada tende a olhar apenas uma coisa de cada vez de uma maneira bastante intensa. Por outro lado, uma pessoa difusa olha tudo ao redor, percorrendo o olhar por todos os lados.
  1. Visual, auditivo ou cinestésico: refere-se ao sistema sensorial que o paciente utiliza com mais frequência. O psicoterapeuta deve utilizar uma linguagem que explore ao máximo o sistema sensorial de preferência do cliente.
  1. Linear ou mosaico: refere-se a elaboração de raciocínio que é utilizado pelo paciente, podendo ser classificada em linear ou mosaico. Um cliente linear processa a informação sequencialmente, seguindo uma ordem de raciocínio. Por outro lado,uma pessoa em mosaico elabora a informação e discurso utilizando diferentes temas, processando um pouco disso, outro daquilo, dentre outros processamentos.
  1. A quinta categoria pode ser classificada em Ampliador ou redutor: um individuo ampliador, tende a aumentar tudo o que vê, aumentando a sensação sobre o fato. O redutor por sua vez, tende a reduzir todos os acontecimentos, fazendo com que os fatos vivenciados sejam apresentados com pouca importância.

ZeigCom relação a parte prática destas categorias, Zeig (op.cit), acredita que o ideal é fazer com que o paciente possa ter estes pontos equilibrados. Por exemplo, um paciente que é bastante tímido e não consegue se relacionar pode ser estimulado a captar mais informações do ambiente externo, para vencer a timidez. Da mesma forma, um paciente que é bastante agitado e estressado, pode ficar mais tranqüilo através da hipnose, focando sua atenção para o interior.

2.4 As Classificações perceptuais e de processamento de diagnóstico:

Além das categorias apresentadas no tópico anterior, os praticantes da psicoterapia ericksoniana e da terapia estratégica podem utilizar as oito classificações perceptuais e de processamento que serão apresentadas abaixo, como uma possibilidade de diagnóstico de seus pacientes:

  1. Diagnosticar a estrutura familiar do paciente, podendo classificá-lo em filho mais velho, do meio ou caçula. Milton H. Erickson utilizava estas classificações porque segundo os dados estatísticos, os filhos mais velhos ou únicos são os que mandam, estão acostumados a se encarregar das coisas, a cuidar dos pais ou escolher uma profissão que exerçam este papel. Os irmãos do meio tendem a ser mais rebeldes, mais artísticos e as vezes até mais amistosos. Por fim, os filhos caçulas tendem a ser mais conciliadores, mais complacentes. Isto não é uma verdade absoluta, mas são dados estatísticos baseados em cinco anos de pesquisa.
  1. Avaliar se o cliente cresceu em ambiente rural ou urbano: esta classificação é utilizada como referencia para quais tipos de metáforas serão utilizados. Outro detalhe importante é que as pessoas da cidade tendem a ser orientadas para o agora, enquanto as pessoas do campo, tendem a ser orientadas para o futuro.
  1. Intrapunitivo ou extrapunitivo: o indivíduo intrapunitivo é aquele que sempre coloca a culpa em si mesmo, dizendo: “É minha culpa! Como pude ser tão idiota?”. Em contrapartida, a pessoa extrapunitiva é aquela que direciona a culpa para o exterior, dizendo: “Por que você não me acordou mais cedo?”.
  1. Absorver ou emitir: enquanto algumas pessoas absorvem energia das relações interpessoais, outras são como sol,  emitem energia o tempo todo
  1. Pesquisador e autoprotetor: uma pessoa auto protetora tende a retirar-se, a evitar contatos sociais, enquanto uma pessoa pesquisadora explora sempre o ambiente em busca de algo novo.
  1. Dominante e submisso: onde o cliente dominante controla e define a relação e a pessoa submissa simplesmente responde as demandas do outro. Por exemplo, em uma brincadeira, a pessoa dominante irá dizer: “Eu vou ser chefe”, enquanto a pessoa submissa irá brincar dizendo “Você será o chefe”. Em resumo, o dominante controla e define a relação e o submisso responde.
  1. Auditivo, visual e cinestésico: definir qual é o modelo perceptivo utilizado pelo cliente, sendo classificado em auditivo, visual ou cinestésico.
  1. O oitavoitem consiste em descobrir quais das outras categorias estão mais desequilibradas e qual deverá ser trabalhada durante as sessões.

Com essas categorias bem definidas, o psicoterapeuta pode realizar uma terapia sob medida, já que possui todas as informações básicas e necessárias para a aplicação das intervenções.

Em resumo, o Processo de Psicoterapia Ericksoniana é composto por basicamente três passos: preparação, intervenção principal e acompanhamento. Na primeira, são definidos a base da terapia. No segundo, busca-se estimular o surgimento de recursos que possam resolver os problemas.E na terceira, temos o acompanhamento.

CAPÍTULO 3–O SEGUNDO REFERENCIAL: A TERAPIA DE CRISE

Quando escrito em chinês a palavra crise compõe-se de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade.

(John Kennedy, ex-presidente dos EUA)

Embora seja recomendado que todas as pessoas que apresentam situações mal resolvidas em suas vidas passem por um processo terapêutico, esta procura só costuma acontecer nos momentos em que estaslembranças desagradáveis se tornaram tão intensas que que o individuo não consegue mais seguir adiante, entrando assim em um estado de crise.

Como em Psicoterapia Estratégica, um psicoterapeuta precisa utilizar todas as ferramentas disponíveis para solucionar os mais variados casos, como abusos sexuais, dependência química, luto, dentre outros casos dos mais simples aos mais complexos. A teoria elaborada por Moffat tornou-se uma ótima possibilidade de trabalho para a resolução dos casos em que o paciente encontra-se desesperadamente em crise.

A MoffattNesta perspectiva, este capítulo pretende apresentar os conceitos da “Terapia da Crise”, elaborada por Alfredo Moffatt (1987) e como estas intervenções podem ser usadas pelos psicoterapeutas para retirar um paciente da crise, proporcionando resultados efetivos e autonomia para o paciente assumir o controle da própria vida novamente ao término do processo terapêutico.

 

3.1 Definição de Crise

Segundo Moffat (op.ct), a crise se manifesta pela inversão de uma experiência de paralisação da continuidade do processo da vida, fazendo com que o individuo se sinta  confuso e só, com o futuro vazio e o presente congelado. A intensidade da perturbação, resulta numa crise de crescimento (evolutiva) ou de consequência de uma mudança imprevista (traumática), com isto o individuo começa apresentar uma experiência de despersonalização, provocando uma descontinuidade em sua vida, deixando de ter uma história coerente e organizada. Neste aspecto, o que adoece no estado de crise é o “processo de viver”, pois a história do indivíduo fica descontínua, e, portanto, o paciente pode se perceber sem saber como atuar em novas situações; pois as estratégias com que contava já não se adaptam às novas circunstâncias, com isto entra-se em crise.

Em seus estudos, Moffat (op.cit) diz que a teoria Freudiana e a teoria da temporalidade podem ser representadas da seguinte forma: vínculo (sexo) + perda (tempo)=Neurose. Com isto, quando alguma coisa que o individuo ama ou odeia, apareça um “fantasma”, uma neurose. Moffat elaborou o seu esquema de trabalho dividido em quatro partes, destinadas a organização do processo de tratamento. Dessa forma, um psicoterapeuta estratégico pode se inspirar em Moffat e adotar seu esquema de trabalho descrito a seguir, para resolver os casos de pacientes em crise:

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  • A CONTENÇÃO
  • A EXPLORAÇAO
  • O PROJETO
  • A ATIVIDADE

3.2  Contenção

A contenção é a capacidade do terapeuta de organizar uma estrutura de sustentação, para que o paciente se apoie, recuperando assim suas energias. Na cultura popular, existem diferentes técnicas em que estão presentes este trama, na qual alguém se encarrega da ansiedade do outro.

A contenção pode ser classificada em três técnicas básicas: Contato, Enquadramento e Contenção Corporal.

3.2.1 Contato

O contato permite que o paciente fique em um estado de alerta, saindo da freqüência angustiante. Dessa forma, o psicoterapeuta deve entrar no mundo imaginário do paciente e passar a analisar o que está acontecendo com ele, oferecendo os recursos que o paciente precisa para sair do problema. O psicoterapeuta precisa primeiro, conseguir a identificação de seu paciente, para depois usar a dissociação, conseguindo restituir a função vincular.

Diversidade3.2.2 Enquadramento

O enquadramento é a segunda técnica para casos de crise, permitindo a reconstrução de um modelo de contato, estruturando lugares, horários, regras de operação, dentre outros, permitindo a reinserção no mundo da cultura. Como esta é baseada na palavra, em termos de modelo de pensamento, pode-se dizer que o terapeuta possui modelos de pensamento que integrem as estruturas de contato e enquadramento.

3.2.3  Contenção Corporal

Existem duas formas para se realizar uma contenção, são elas: baseada na atualização perceptual e a baseada no relaxamento muscular. A contenção corporal baseada na atualização perceptual é o terceiro recurso utilizado para baixar os níveis de ansiedade durante o tratamento. Este recurso consiste em reconectar o paciente com sua capacidade de usar os sentidos que está perdida, pois o processo doentio se desenvolve no imaginário. Um exemplo disto ocorre através do conceito gestáltico de atualização perceptual correspondente ao “aqui e agora”, no qual ocorre o encontro entre as duas pessoas sem que haja projeções. Esta técnica de contenção tem por objetivo a diminuição do nível de ansiedade, como também a reconexão com o real.

A contenção corporal baseada no relaxamento muscular basea-se no aproveitamento da relação músculo-emoção, desenvolvido pela terapia de Willhem Reich, na qual a contração é baseada no medo. A medida que a intervenção corporal é realizada, o psicoterapeuta consegue acesso direto a consciência perturbada do cliente. Estas contrações musculares que podem levar a colapsos corporais, está simultaneamente relacionada as nossas emoções e é um processo que existe há milhares de anos, sempre utilizado inconscientemente nos momentos em que o homem precisava contrair sua musculatura para a ação de fuga ou ataque.
Segundo Moffat (op.cit), diante de um quadro de crise aguda, é conveniente utilizar alguma técnica de relaxamento muscular como forma de contenção. Como por exemplo, a mãe que abraça o filho para amenizar um pânico infantil, ou um namorado que abraça sua namorada.

3.3 A exploração

A exploração consiste em buscar informações que serão extremamente importantes para a compreensão e resolução dos diferentes casos clínicos. Na fase de exploração, um psicoterapeuta pode utilizar as seguintes técnicas: exploração do imaginário, máquina do tempo e o vínculo fantasma

3.3.1 O imaginário.

A exploração do espaço imaginário consiste na habilidade de recriar, reviver ou predizer eventos, abrindo portas de entrada no imaginário, gerando assim “máquinas do tempo” mentais. A utilização de técnicas de exploração oferece a possibilidade de acessar a mente inconsciente, permitindo ao psicoterapeuta descobrir características referentes ao passado, como também referentes ao futuro, indicando quais são os fantasmas que esperam o cliente adiante.

3.3.2  Máquina do Tempo

Entrar no imaginário e explorar o passado constitui uma tarefa muito sutil, podendo a qualquer momento o consciente voltar a impor-se no presente. Por isto, qualquer técnica de exploração profunda depende da possibilidade de montar uma “máquina do tempo”, criando as condições necessárias para produzir fatos traumáticos passados, aumentando os recursos do cliente para que o mesmo enfrente a cena temida.

O psicoterapeuta deve resolver todos os problemas do paciente que estão em seu imaginário, utilizando técnicas que percorram o tempo e espaço, fazendo com que o mesmo modifique as situações que vivenciou, possibilitando assim cicatrização de suas feridas. Algumas das técnicas existentes que permitem esta viagem no tempo são: o Psicodrama, as técnicas gestálticas, os sonhos dirigidos e a hipnose ericksoniana.

  • O Psicodrama é um técnica que surgiu no teatro, como uma possibilidade de imitar, evocar e imaginar a vida. Durante a dramatização, o cliente consegue vivenciar um momento diferente, encenando eventos inacessíveis do passado e do futuro, conseguindo assim mudar seu estado, faltando apenas consolidar o novo final de sua história. “A representação de um novo final permite conceber outra alternativa, para, depois de dramatizada, transferi-la para a vida real, que é o lugar onde todas as terapias terminam”(MOFFAT,1987,p.135), liberando o cliente das más recordações, finalizando as cenas incompletas de sua vida.
  • Conforme apresentado no tópico psicodrama, todas as características mencionadas também valem para as técnicas gestálticas, com acréscimo da filosofia zen, realizada por Fritz Pearls, que focou na exploração do imaginário sobre a atualização perceptual, desenvolvendo o conceito de aqui-agora das sensações corporais. Isto proporcionou o diálogo entre as diversas partes do corpo, como também a detecção de projeções, ampliando as capacidades de ver, ouvir e sentir do paciente espontaneamente.
  • O sonho dirigido pode proporcionar ao paciente imagens internas em sua consciência, em seu filme interior, estando totalmente protegido das cenas que teme. Em psicoterapia estratégica, esta técnica pode ser potencializada através do uso da hipnose ericksoniana.

Fantasma

  1. 3. O Vínculo Fantasma

O conceito de vínculo fantasma descreve o que ocorre quando alguém se comporta como se certo personagem ou cena fossem reais. O indivíduo entra em crise por temer que as situações desagradáveis que aconteceram no passado, voltem a acontecer novamente no futuro.Como o imaginário é composto pelo conjunto de percepções armazenado na memória, as lembranças negativas são responsáveis por construir as neuroses. Moffat (op.cit) propõe três conceitos operacionais para organizar a exploração do ignorado: a cena temida, o personagem complementar e a criança fantasma.

  • A cena temida é composta por uma experiência negativa dolorosa, que ficou sem acabar de acontecer, uma situação incompleta. Enquanto a situação não for fechada, ela conterá energia psicológica, interferindo em outras situações do futuro.
  • O personagem complementar refere-se ao fato do individuo procurar alguém que o complete segundo a matriz que aprendeu na infância. Por exemplo,qualquer matriz vincular possui dois personagens: um reprova, o outro sente culpa; um ataca, o outro evita; o masoquista necessita de um sádico e o submisso precisará de um dominante, senão o jogo não é possível. Segundo Moffat (op.cit), todo sintoma tem a ver com um personagem complementar fantasma, sendo apenas um deslocamento daquilo que aconteceu com o individuo em uma relação com uma figura arcaica importante. As principais matrizes vinculares se relacionam com o tipo de vinculo que se mantinha com os pais. Muitos sintomas são apenas recordações que o individuo guarda através dos anos, por não conseguir se separar do papel complementar de alguns aspectos loucos de mamãe, papai, um irmão, um tio, etc. No trabalho terapêutico, se um paciente quiser conservar um sintoma como “recordação familiar”, isto deve ser respeitado, especialmente se o sintoma não for mutilante.
  • A criança fantasma é conceito utilizado para representar os momentos importantes da infância que foram muito traumáticos e não elaborados. Como consequência conserva-se internalizada na pessoa uma criança encapsulada, não integrada na personalidade adulta.

Fantasmas

Através de técnicas como hipnose, sonho dirigido e gestalt é possível a conexão com esta criança fantasma. Segundo Moffat (op.cit), o nível da vivencia pode ser tão profundo que tanto terapeutas quanto pacientes podem conversar imaginariamente com a criança fantasma, explicando-lhe o que lhe aconteceu na infância, pois por ter sido traumático, não pode ser compreendido por esta.

3.4 O Projeto

O projeto é a elaboração do que será feito com as informações que foram obtidas através da etapa de exploração. A etapa de projeto pode ser dividida em: a explicação compartilhada e o projeto do destino.

3.4.1 A explicação compartilhada

Após a etapa de exploração, será percebido que o material obtido está desarticulado. Para que o material se torne coerente, é preciso elaborar hipóteses. Esta é a etapa de montagem dos quebra-cabeças, indicando um movimento de orientação da pessoa, a meta para a qual quer avançar.

3.4.2 Projeto do Destino

Como nas etapas anteriores, será proposta a divisão conceitual deste tema nas dimensões de tempo, para ajudar a montar este quebra cabeças, que é o Projeto de Destino.

  • Passado: Leva em consideração a história familiar (o segredo familiar), compreendendo três gerações, a dos avôs, a dos pais e a dos filhos, detectando os temas e problemas não resolvidos; E a história infantil (o segredo familiar), explorando recordações, matrizes de vínculos, papeis, que recobrirão o núcleo do eu, fugindo das projeções realizadas pelos pais.
  • Presente: O paciente decide a procurar ajuda quando seus sintomas começam a impedi-lo de fazer o que deseja, quando já está em angustia.
  • Futuro: Refere-se as possíveis saídas da terapia e à construção de futuro.No momento em que a história de vida do paciente se integra, as saídas começam a se configurar, e o paciente deve fazer o que antes era impossível, ir em direção a sua meta

3.5 A Atividade

É a saída do processo terapêutico, sendo considerada a ultima etapa de toda terapia. Segundo Moffat (op.cit), a etapa da mudança efetiva é muito delicada, pois é aqui que pode surgir o perigo de o paciente viver sentimentos de despersonalização. Por isto, o processo terapêutico requer certo tempo, sem precipitações, onde o psicoterapeuta pode aumentar a  eficiência e acelerar o processo, mas nunca além do que permite a capacidade de transformação do paciente.

Os três conceitos operativos usados nesta etapa são: Prescrição da ação, trama cotidiana e funcionalização da perturbação;

  • Prescrição da ação: Uma ação é prescrita como parte do tratamento, porque se o paciente não começar a fazer o que teme agora, não será possível saber o que vai lhe acontecer quando tiver que fazer no futuro. A cura tem seu preço e o cliente deve estar disposto a pagar.
  • A trama cotidiana: A mudança no presente é a etapa que consolida e estabiliza a cura. Com isto, o individuo reconstrói sua trama cotidiana, seu novo sistema de realidade.
  • Reintegração na família e no trabalho: O paciente que se transformou deve voltar à interação familiar a partir de outro papel, pois o papel que tinha anteriormente contribuía para sua doença. Nesta perspectiva, o psicoterapeuta deve ajudar seu paciente a se socializar novamente, encontrando o melhor ajuste social.

Segundo Moffat (op.cit), o homem está são, não quando está livre da angustia, mas somente quando sabe quem é, que sentido tem sua vida, qual é esse processo único que é sua história, da necessidade de ficar em paz consigo mesmo. A partir disso, um bom psicoterapeuta além de tentar retirar o seu paciente da crise o mais rápido possível, irá desenvolver todo um trabalho focado na história do paciente, fazendo com o que o mesmo possa adquirir autonomia sobre sua vida novamente, conseguindo ficar em paz novamente.

CAPÍTULO 4 :O TERCEIRO REFERENCIAL: A PROGRAMAÇÃO NEURO-LINGUISTICA E OS 5 NÍVEIS LÓGICOS

É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer.

(Aristóteles)

As ideias deste referencial foram criadas com a finalidade de nortear o clínico que pretende realizar intervenções mais poderosas. O psicoterapeuta poderá então adotar uma postura de aceitação incondicional, aplicando técnicas de dessensibilização progressiva ao nível comportamental ou até mesmo modelar as estratégias mais eficazes para ajudar seus pacientes.

Este capítulo pretende apresentar a origem da Programação Neurolinguistica, seus conceitos, técnicas e pressupostos que servem como contribuição para a metodologia da Psicoterapia Estratégica, proporcionando mudanças rápidas e duradouras para os diferentes pacientes.

4.1Breve História da PNL

Bandler e Grinder YoungA PNL foi criada por Richard Bandler e John Grinder no inicio de 1970, como um conjunto de modelos e princípios que descrevem a relação entre a mente e a linguagem verbal e não verbal, revelando como o seu funcionamento pode ser organizado para provocar mudanças na mente, no corpo ou no comportamento do indivíduo. Na época, Bandler e Grinder passaram a agir como o famoso terapeuta Fritz Perls em dois encontros semanais, onde conduziam grupos de estudos em Gestalt. Com o avançar dos encontros, foram capazes de descobrir a essência de suas técnicas e o que o fazia ser diferente dos outros terapeutas da época Dessa forma, “haviam iniciado a disciplina de Modelagem da Excelência Humana”. (ANDREAS, 1995,p.25).

Com o sucesso que estavam conseguindo com o grupo, decidiram por modelar outros profissionais, que eram referencias em suas áreas de atuação. Com isto, passaram a estudar uma das grandes fundadoras da terapia familiar, Virgina Satir; o filósofo, pensador de sistemas, Gregory Bateson, e posteriormente o Doutor Milton H. Erickson, fundador da Sociedade America de Hipnose Clínica, sendo amplamente reconhecido como o mais notável hipnotizador do mundo.

Quando a PNL surgiu, Bandler e Grinder estudavam as pessoas com dificuldades variadas, observando que todas as que sofriam de fobias pensavam no objeto do medo como se estivessem passando por aquela vivência no momento. Por outro lado, quando estudaram as pessoas que já haviam se livrado de fobias, perceberam que todas pensavam na experiência do medo em terceira pessoa, como se estivessem vendo acontecer com outra pessoa. Segundo Andreas (1995), a partir destas descobertas, surgem os conceitos de associado e dissociado. Quando um paciente está associado a uma experiência negativa, ele pode se sentir paralisado pelo medo, por outro lado, quando um paciente consegue se dissociar deste trauma, ele tende a conseguir resolver o problema com mais facilidade.

Embora tenha surgido através de estudos terapêuticos, hoje a PNL pode ser utilizada em diferentes áreas de atuação, seja para comunicação, vendas, aprendizagem, dentre outras áreas. Em resumo, pode-se dizer que a PNL é o estudo da excelência humana, sendo “um processo para modelagem de padrões mentais de pensamentos, ações e sensações de verdadeiros realizadores” (ibid, p.27).

4.2Modelagem

Segundo Dilts (1993), a modelagem do comportamento diz respeito à observação e ao mapeamento de processos bem sucedidos, com o objetivo de identificar os elementos essenciais de pensamento e de ação e torná-lo um modelo de comportamento que poderá ser usado por qualquer pessoa para reproduzir ou simular aspectos desse desempenho e obter o resultado desejado. O conceito de modelagem tem como base a idéia de que se uma pessoa pode fazer alguma coisa, todos podem aprender a fazê-lo também.

Os procedimentos da modelagem na PNL envolvem a descoberta de como o cérebro está operando, a análise dos padrões de linguagem e a comunicação não verbal. Os resultados dessa análise são depois colocados em estratégias de passo a passo ou programas que podem ser usados para transferir essas habilidades para outras pessoas e áreas.

Com o intuito de divulgar a PNL, Bandler e Grinder escreveram diversos livros onde compartilham suas descobertas. No livro “Usando a sua Mente”, Bandler explica o que é a modelagem e como ele utiliza, dizendo que,

“[…]A modelagem coloca o computador para fazer o mesmo que um ser humano. Como conseguir que uma máquina ligue e desligue as luzes na hora certa e resolva um problema de matemática? Os seres humanos fazem isto. Alguns sempre bem, outros de vez em quando e outros ainda nunca conseguem fazê-lo bem. O modelador tenta obter a melhor representação da maneira como uma pessoa desempenha uma tarefa e torna-a disponível para a máquina. Não me importa se a representação reflete realmente o modo como a tarefa é desempenhada por alguém. Os modeladores não têm de ser os donos da verdade. O que é necessário é descobrirmos algo que funcione. Somos os autores do livro de receitas. Não precisamos saber por que se trata de um bolo de chocolate, queremos saber o que colocar no bolo para que saia do jeito que queremos. O fato de seguir uma única receita não quer dizer que não existam outras maneiras de se fazer o bolo. O que desejamos saber é como, a partir dos ingredientes, fazer o bolo de chocolate, de uma maneira detalhada. Também queremos ser capazes de saber, a partir do bolo de chocolate, que ingredientes foram usados, quando alguém não deseja nos fornecer a receita.” (Bandler,1987,p.22)

4.2.1Terapia e Modelagem

Além da modelagem de resultados de excelência, a terapia estratégica utiliza os conceitos desenvolvidos por Bandler e Grinder, para modelar os comportamentos de um paciente e compreender sua estrutura e assim mudar sua estrutura.

DSCN0196Em seu estilo terapêutico, Bandler utiliza a modelagem com bastante frequência para descobrir a perspectiva do cliente, dizendo…

“Quando alguém me diz que está deprimido, faço o de sempre: quero descobrir o que ela faz para ficar deprimida. Acho que se puder refazer os seus passos de maneira metódica e descobrir o que esta pessoa faz tão bem que possa repeti-lo, então posso dizer-lhe o que fazer para mudar a maneira de agir, ou achar alguém que não esteja deprimido e descobrir o que este faz para não ficar.” (ibid,p 39)

Ao ser capaz de mergulhar na experiência de vida do paciente e modelar seus comportamentos e crenças, Bandler consegue proporcionar uma mudança rápida e duradoura para seus clientes, demonstrando que uma terapia não precisa durar anos para ser efetiva. Apesar disso,

Infelizmente, no campo da psicologia, não existe muito incentivo para descobrir o que funciona rápido e facilmente. Na maioria dos negócios as pessoas são pagas pelo que conseguem fazer. Mas em psicologia os profissionais são pagos à hora, quer tenham sucesso ou não. Se um terapeuta for incompetente, ele ainda recebe mais do que aquele que consegue atingir rapidamente o resultado desejado. Muitos terapeutas têm uma regra contra a eficiência. Eles acham que estão sendo manipuladores se influenciarem alguém diretamente, e que é ruim manipular alguém. É como se eles dissessem: “Você está me pagando para influenciar você. Mas não vou fazer isto porque não é certo”. Quando eu ainda recebia clientes, sempre cobrava pela mudança, em vez de pela hora; só era pago quando obtinha resultados. Isto me parecia um desafio maior. (ibid,p.65)

A seguir, será apresentado os pressupostos da PNL, que permitiram que seus criadores a capacidade de reorganizar a experiência interna, conseguindo ótimos resultados em suas intervenções.

4.3 Pressupostos da PNL:

4.3.1 – O mapa não é o território.

Cada individuo possui um mapa mental do mundo, apesar disso, estes não correspondem a forma como o mundo (território) funciona em sua totalidade. Nesta perspectiva, a pnl diz que os indivíduos reagem a seus próprios mapas mentais e não ao mundo diretamente. Os Mapas mentais de cada indivíduo são compostos especialmente por sensações e interpretações e podem ser atualizados com mais facilidade do que se pode mudar o mundo.

Na terapia estratégica, os pacientes são estimulados para que sua capacidade de compreensão do mundo seja cada vez melhor, proporcionando experiências que podem desenvolver seus mapas mentais constantemente.

4.3.2 – As experiências possuem uma estrutura.

Ao criarem a programação neurolinguistica, Bandler e Grinder perceberam que todos os pensamentos e recordações possuem um padrão. Quando este padrão ou estrutura é alterado, todas as experiências mudam automaticamente.É possível neutralizar lembranças desagradáveis e enriquecer as que serão úteis, além disso, através da compreensão de uma estrutura, um individuo pode ser capaz de obter os mesmos resultados que uma pessoa que possui êxito em suas ações, pois “se uma pessoa pode fazer algo, todos podem aprender a fazê-lo também” (ANDREAS, 1995.p.16).

Como dito anteriormente através das outras abordagens, um terapeuta estratégico aprende que as pessoas já possuem todos os recursos de que necessitam, podendo elas serimagens mentais, vozes interiores,sensações e sentimentos, dentre outros recursos mentais e físicos.). Através destes recursos, é possível a construção de qualquer pensamento, sentimento ou a vivência desejada, colocando-os depois nas vidas dos pacientes, modificando rapidamente comportamentos que precisariam de anos para serem modificados.

4.3.3 – É impossível NÃO se comunicar.

Este pressuposto é baseado na freqüência da comunicação, seja ela verbal ou não verbal, e nos resultados gerados por estas comunicações. Neste ponto, são consideradas todas as formas de comunicação, seja um sorriso, um suspiro, um olhar, um tom de voz, uma atitude ou movimentos corporais. Em pnl, o significado da comunicação é a reação que se obtém. Assim, quando o indivíduo ouve algo diferente da intenção do comunicar, significa que a comunicação precisa ser ajustada para ser recebida de uma forma mais clara.

4.3.4 – Todo comportamento tem uma intenção positiva.

Dentre os pressupostos da Pnl, encontra-se a crença que todos os comportamentos nocivos, prejudiciais ou mesmo impensados tiveram um propósito positivo originalmente. Como por exemplo, gritar para ser reconhecido; agredir para se defender, dentre outros. Em vez de tolerar ou condenar essas ações, o psicoterapeuta pode separá-las da intenção positiva daquela pessoa para que seja possível acrescentar novas opções mais atualizadas e positivas a fim de satisfazer a mesma intenção.

Erickson and child4.3.5 – As pessoas sempre fazem a melhor escolha disponível para elas.

Tanto a Pnl quanto as outras abordagens, acreditam que as pessoas sempre fazem as melhores escolhas disponíveis, baseadas em sua capacidade de perceber o mundo e os recursos que possui naquele momento. Dessa forma, cada indivíduo possui a sua própria e única história. Através dela, as pessoas aprendem o que querer e como querer, o que valorizar e como valorizar, o que aprender e como aprender.

A partir das experiências vivenciadas, as pessoas fazem todas as suas escolhas, isto é, até que outras novas e melhores experiências sejam acrescentadas, seja em terapia ou em seu próprio dia-a-dia.

4.3.6 – Se o que você está fazendo não está funcionando, faça outra coisa. Faça qualquer coisa.

Como o trabalho estratégico é baseado no alcance das metas estabelecidas nas sessões iniciais, o psicoterapeuta estimula seus pacientes para que sempre façam algo novo para conseguirem alcançar essa meta que sempre quiseram, mas que ainda não conseguiram. Um paciente só conseguirá ser capaz de superar seus problemas, se for capaz de fazer coisas novas, experimentando outras possibilidades para resolver suas próprias demandas. Quando o paciente não souber o que fazer, o psicoterapeuta pode prescrever que ele faça uma coisa qualquer e depois avalie a experiência, pois qualquer movimento em direção a uma mudança é melhor do que permanecer na inércia do sofrimento.

A seguir, será abordado os demais conceitos da PNL, que são bastante úteis para o Projeto de Psicoterapia Estratégica da UERJ.

Richard Bandler old4.4 Rapport:

O rapport é a capacidade de entrar no mundo de alguém, provocando a sensação de um forte laço em comum, demonstrando a habilidade de ir totalmente do seu mapa do mundo, para o mapa de mundo do cliente.  Quando se está em rapport com alguém, o individuo estará prestando atenção, aberto a ouvir e facilitar possíveis acordos.

Além de acontecer de maneira natural e espontânea, o rapport pode facilitar a maneira de conseguir os resultados que o paciente quer. O rapport é obtido quando uma pessoa equipara a sua maneira de comunicar, as palavras que usa, a mesma tonalidade, velocidade e volume de voz e a mesma fisiologia. Um rapport bem realizado garante ao psicoterapeuta êxito em sua atuação, já que é uma das técnicas que podem ser executadas logo no inicio das sessões da terapia.

4.5  Backtracking Frame:

A técnica de Backtracking é compostapela repetição dos pontos-chave usando as palavras da pessoa com quem está interagindo, enfatizando os mesmos tons de voz e linguagem corporal. Além de criar e demonstrar rapport, mostrando que o psicoterapeuta está ouvindo com atenção, o backtracking ajuda a reduzir mal entendidos e permite clarificar os valores da pessoa.

4.6 Sistemas representacionais:

Segundo Andreas (1995), as maneiras como são assimiladas, armazenadas e codificadas a informação na nossa mente com a pnl ocorre através da visão, da audição, do tato, do paladar ou do olfato, sendo chamadas de sistemas representacionais. Nesta perspectiva, quando um individuo pensa sobre o que vê, o que ouve e sente, recria os sons, visões e sente internamente, revisando a informação na forma sensorial em que a percebeu pela primeira vez, ele está utilizando seus sistemas representacionais.

Pistas de captação VisualOs sistemas representacionais são classificados da seguinte forma:

  • (V) – visual;
  • (A) – auditivo (A);
  • (C) – cinestésico (C);
  • (O) – sensações olfativas;
  • (G) -sensações gustativas.

Os sistemas representacionais são classificados em interno e externo. Quando o cliente olha para o mundo externo (Ve); quando ele visualiza mentalmente (Vi). Da mesma forma, o sistema auditivo (A), pode ser dividido entre sons externos (Ae), ou internos (Ai).  Por fim, as sensações formam o chamado sistemacinestésico (C), podendo ser cinestésico externo (Ce) e incluir as sensações táteis,como o tato, a temperatura e a umidade; ou ser classificado como sistema cinestésico interno(Ci) que inclui as sensações lembradas, as emoções e as sensações internasde equilíbrio e consciência corporal, que é conhecida como sensaçãoproprioceptiva e nos dá informações sobre nossos movimentos.

Segundo Andreas (op.cit), os três sistemas básicos, visão, audição e cinestesia são usados o tempo inteiro, embora de forma inconsciente. Apesar disso, as pessoas tendem a favorecer um sentido em detrimento dos outros. Por exemplo, muitas pessoas têm uma voz interior que percorre o sistema auditivo, criando um diálogo interno. Ali, estas pessoas repassam argumentos, ouvem as palestras que vão fazer, pensamem respostas que querem dar e, às vezes, falam consigo mesmas. Entretanto,essa é apenas uma maneira de pensar, os sistemas representacionais não são mutuamente excludentes, logo é possível visualizar uma cena, ter as sensações a ela associada e ouvir com detalhes o que aconteceu.

Steve Andreas

No que diz respeito a terapia estratégica, usar palavras do sistema representacional principal da outra pessoa é uma maneira eficiente de construir rapport, apresentando a informação do jeito que ele normalmente usa para se expressar, sem fazer esforço para uma tradução interna mais próxima da sua própria maneira de pensar. Dessa forma, a maneira mais eficiente para detectar qual Sistema Representacional que uma pessoa usa conscientemente é escutar sua linguagem, as frases que gera e perceber os predicados que adota. Uma pessoa com predominância do sistema visual tenderá a se comunicar utilizando frases contendo as palavras olhar, ver, observar, clarificar, dentre outras. Por outro lado, um indivíduo com predominância do sistema auditivo tenderá a utilizar as palavras ouvir, discutir, comentar, contar, silencio, harmonioso. Por fim, as pessoas com predominância do sistema sinestésico utilizam as palavras pegar, tocar, pesado, leve,sólido, dentre todas outras palavras. Por fim, as pessoas com predominância olfativa e gustativa utilizam palavras como perfumado, azedo, amargo, doce, fedido, dentre outras.

4.7  Níveis Lógicos

Os Níveis Lógicos na PNL formam um modelo simples e preciso para entender as diversas variáveis que afetam a experiência humana, o processo de aprendizagem e principalmente a mudança que pode ocorrer em níveis diferentes quando bem explorados.Através destes, pode-se identificar o melhor ponto para intervenção e definição de estratégias para a mudança desejada. Os níveis lógicos são: Ambiente; Comportamento; Capacidade; Crenças e Valores; Identidade e Espiritual.

  • Ambiente:é um dos elementos que pode contribuir ou não para que o cliente alcance seus objetivos, sendo capaz de questionar onde está inserido atualmente e quais são os recursos existentes que possam contribuir para seu desenvolvimento. Quanto mais rico de informações for o ambiente em que o individuo vive, mais facilidade ele terá para alcançar seus objetivos;
  • Comportamento: está relacionado as atitudes do individuo. Um paciente pode se comportar de forma estratégica, marcando o ambiente e agindo de forma a respeitar o modelo de mundo das outras pessoas, sendo flexível e possibilitando novos caminhos e novas formas de ver as coisas.
  • Capacidades:o nível de capacidade está ligado as habilidades que o cliente possui e quais são as estratégias e habilidades que ele tem disponíveis para alcançar suas metas. Neste aspecto, uma boa formulação de objetivos é essencial para saber quais capacidades serão necessárias desenvolver para alcançar as metas.
  • Crenças e Valores: neste nível é possível através da linguagem, obter informações ocultas na fala com relação aos valores que são importantes para o cliente e quais sãos as crenças que ele possui, revelando o que acredita ser possível fazer ou não. Baseado nisto, é possível modificar a motivação, resignificar experiências e assimilar novas informações, conforme a necessidade do cliente.
  • Identidade: o nível de identidade reforça todos os outros níveis anteriores, já que a identidade é construída ao longo do desenvolvimento dos demais níveis. Segundo Dilts (1993), a identidade é formada a partir do que os indivíduos transmitem e validam através da fala.
  • Espiritual:O propósito espiritual remete ao todo. Neste nível, o cliente é capaz de se questionar qual é a sua missão, a quem mais ele gostaria de estar conectado, o que ele pode agregar com sua experiência. As mudanças neste nível são mais profundas e abrangem todo o universo de níveis lógicos.

Ao realizar a modelagem através dos níveis lógicos, percebe-se como se torna mais fácil a identificação de certos pontos a serem mudados ou melhorados. Com isto, o mapa de mundo do cliente é devidamente ampliado com informações de alto nível, provocando uma mudança profunda e duradoura,podendo até mesmo identificar e alterar padrões e hábitos há muito tempo enraizados em sua socialização.

CAPÍTULO 5: O QUARTO REFERENCIAL – SCORE

 

 

Com organização e tempo, acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito.

(Pitágoras)

O quarto referencial epistemológico e psicoterápico possui origem nas técnicas da Programação Neuro-Linguistica, herdando a influência do trabalhos realizados por Bandler e Grinder, como também G. Bateson (na foto) e Milton H. Erickson.

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Este capítulo pretende apresentar o conceito SCORE, que é utilizado pelos alunos do Projeto de Psicoterapia Estratégica da UERJ, para organizar as informações, estabelecer metas e desenvolver recursos que possam ajudar o paciente na terapia, direcionando sua vida de um estado atual para o estado desejado.

5.1 Definição

Elaborado por Robert Dilts, o SCORE é essencialmente um modelo de resolução de problemas que identifica os componentes primários necessários para organizar de maneira efetiva a informação sobre o espaço-problema. Esta técnica representa a quantidade mínima de informação para lidar de maneira eficaz com o problema, sendo adotada pelo Projeto de Psicoterapia Estratégica da UERJ, como um referencial que permite a organização de uma terapia como também a definição de metas específicas a serem alcançadas durante as sessões.

29 abr 2015 (2)

Segundo Robert Dilts (1993), este não é um processo linear, podendo ser iniciado a qualquer momento e por qualquer um dos itens que serão apresentados, pois o ponto de partida irá depender do problema e de como ele será descrito pelos pacientes. As letras em sua composição abordam os seguintes itens:

  • (S) sintomas;
  • (C) causas;
  • (O) objetivos;
  • (R) recursos;
  • (E) efeitos da terapia.

5.2 Sintomas

Os sintomas são os sinais imediatos de que um problema existe e necessita de uma resolução. A partir desta perspectiva, o psicoterapeuta pode analisar o que não está funcionando na vida do cliente e propor soluções. Por exemplo, um sintoma pode ser representado pelo fato de um funcionário odiar seu chefe.

5.3 Causas

As causas são as condições antecedentes, que deram origem aos sintomas vivenciados pelo paciente. As causas nem sempre são obvias a primeira vista, servindo apenas de suporte para desencadear os sintomas. Eles fazem parte do estado atual do cliente. Por exemplo, no caso de um funcionário não gostar de seu chefe, por se sentir intimidado por ele. Neste ponto, a causa é ser intimidado no ambiente de trabalho.

Embora a Psicoterapia Estratégica, não busque ativamente as causas que justifiquem o porquê os pacientes se encontram em uma condição de sofrimento, alguns clientes acabam por demonstrarem as possíveis causas e origens de seu sofrimento durante as sessões. Quando isto acontece, o psicoterapeuta utiliza a informação fornecida e a utiliza em prol da mudança que o paciente quer alcançar. Não apenas registrando estas causas, mas usando-as para criar estratégias que possam resignificar estas experiências.

5.4 Objetivos

Os objetivos são apresentados pelo cliente, onde o mesmo informa aonde quer chegar com a psicoterapia. São representados pelos novos comportamentos necessários para substituir os atuais, sendo considerado o estado desejado. A partir dos objetivos, o psicoterapeuta irá conduzir todo o processo terapêutico e mensurar se o cliente conseguiu alcançar o que desejava. Por exemplo, os objetivos para quem não é reconhecido no trabalho podem ser fazer com que o chefe aprecie tudo o que o funcionário faz.

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5.5 Recursos

Os recursos são as capacidades e habilidades que o cliente possui para resolver um problema. Podem ser recursos do passado, do presente ou do futuro, ou até mesmo ferramentas, processos e técnicas que o cliente possua e que serão necessárias para eliminar as causas. Por exemplo, a capacidade de comunicação pode ser um recurso eficaz para aumentar o diálogo com o chefe e fazer com que o mesmo reconheça a capacidade profissional de seu funcionário.

5.5 Efeitos

Os efeitos são os resultados do trabalho realizado, onde o paciente consegue sentir que alcançou a mudança que precisava, observando tudo o que aconteceu desde o momento em que começou a terapia até o momento em que alcançou os resultados que desejava. Por exemplo, os efeitos proporcionados pelo aumento na comunicação com o chefe pode proporcionar um aumento da satisfação profissional, observando uma melhora na vida no trabalho e até mesmo em casa.

Este referencial epistemológico pode ser utilizado também para análise das psicoterapias, permitindo a organização do que existe de mais eficaz em cada uma das abordagens, montando a partir do entendimento da psicoterapia estratégica o caminho que deverá ser utilizado para aplicação das técnicas relativas ao diagnóstico e condução do tratamento para os pacientes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta monografia apresentou a visão e a metodologia de trabalho da Psicoterapia Estratégica, através de seus referenciais clínicos e suas contribuições, fazendo um resumo de cada uma das abordagens que podem ser utilizadas diante dos diferentes casos clínicos. Esta nova forma de trabalhar, provoca uma ruptura com os métodos utilizados no século passado, onde o terapeuta adotava uma postura passiva e trabalhava apenas com as informações que o paciente levava para as sessões.

Outro aspecto importante apresentado foi a integração das diferentes técnicas, abordagens e especialmente no que diz respeito a mudança da postura do terapeuta, contribuindo para o novo olhar sobre a realização do processo terapêutico. Seguindo esta perspectiva moderna, a Psicoterapia Estratégica vem apresentando resultados terapêuticos cada vez mais efetivos e duradouros, utilizando menos sessões que os métodos tradicionais para isto.

Através da apresentação do Projeto de Psicoterapia Estratégica, foi possível afirmar que sua metodologia representa o novo paradigma terapêutico, que valoriza a subjetividade do sujeito na busca de soluções e mudanças capazes de ampliar seu modelo de mundo. Neste, o psicoterapeuta intervém diretamente no processo de mudança do sujeito, contribuindo ativamente para isto, através do uso de diferentes técnicas. Este novo paradigma diferencia-se dos paradigmas tradicionais, como o da Psicanálise, por exemplo, onde o psicanalista trabalha com a análise das informações que são levadas pelo paciente, preocupando-se primeiramente com a análise das informações e em segundo lugar com o processo de cura, já que este seria conseqüência daquele.

Embora uma terapia estratégica possa usar diferentes formas de intervenção, esta monografia limitou-se a apresentar apenas quatro que podem ser consideradas extremamente efetivas tanto para o diagnóstico como para a condução de qualquer processo terapêutico. Foram elas: Hipnose Ericksoniana, Terapia da Crise, Programação Neuroliguistica e o método SCORE.

20 julho 2015

No que diz respeito ao uso do método ericksoniano, foi apresentado a vida de Milton H. Erickson e a riqueza de suas técnicas hipnóticas. Através do trabalho ericksoniano, foi apresentado a sua contribuição para a origem da programação neurolinguistica e da psicoterapia estratégica, servindo de modelo para as técnicas de rapport, modelagem, uso da linguagem verbal e não verbal, dentre outras. Erickson contribuiu à prática e ao ensino de técnicas relacionadas a psicoterapia, influenciando os trabalhos de Jeffrey Zeig, Jay Haley, Richard Bandler, John Grinder , servindo inclusive como inspiração para o Profº Lugão, em seu Projeto de Psicoterapia Estratégica da UERJ.Tanto a psicoterapia estratégica de Haley, quanto a Programação Neurolinguistica de Bandler e Grinder certamente não teriam alcançado seus propósitos caso seus idealizadores não tivessem acompanhado o trabalho de Erickson de perto, a partir do qual esboçaram os fundamentos mais importantes de suas teorias.

Outra característica da Psicoterapia Estratégica que foi apresentada, consiste em oferecer sugestões práticas a partir do presente, desenhando junto com seu cliente, ações que promoverão as mudanças necessárias para a criação de um novo cenário no futuro, conquistando autonomia em sua vida.

O aprendizado referente a qual intervenção empregar é a parte mais simples da formação da psicoterapia estratégica. Os fundamentos do diagnóstico e da intervenção são ensinados em poucos meses, apesar disso, o aprendizado da efetiva manutenção do relacionamento cooperativo com os pacientes, em casos envolvendo toda a escala de problemas presentes e contextos socioculturais, demanda dois anos de supervisões. Seguindo o conceito de  aprendizado, esta monografia também apresentou Projeto de Psicoterapia Estratégica da UERJ, conduzido pelo Profº Celso Lugão, onde o mesmo realiza a capacitação de estagiários na visão da Terapia Estratégica, além da possibilidade de  oferecer atendimentos terapêuticos eficazes tanto para o publico interno quanto externo da UERJ.Um terapeuta estratégico adequadamente formado sabe como lidar com um leque completo dos problemas básicos que se apresentam à terapia, como males físicos, envolvendo drogas, abuso sexual, psicoses, de relacionamento conjugal e multigeracional, distúrbios psicossomáticos e problemas de comportamento de crianças e adolescentes, dentre outros casos.

Hoje, se apresentam mais terapeutas para a formação em Terapia Estratégica do que no passado, devido ao aumento da pressão para se graduar terapeutas prontos para o trabalho, e não apenas prontos para receber uma formação posterior. Além disso, faz-se necessário que cada terapeuta seja capaz de atender a toda a gama de problemas que são levados à terapia. A formação em terapia estratégica vem-se concentrando mais do que nunca em produzir terapeutas bem-formados, que possam atender as dificuldades da sociedade moderna.

Como foi dito anteriormente, a terapia estratégica está voltada para a premissa de que os terapeutas devem obedecer a um estilo de prática ativo, diretivo e capacitado. Neste sentido, a terapia estratégica foi elaborada especificamente para guiar os terapeutas em seu trabalho de auxiliar seus pacientes de maneira efetiva e benéfica, sendo um dos modelos mais simples quanto ao seu aprendizado, embora os que se dedicam ao seu ensino nos lembrem que são necessários dois ou três anos de formação intensiva para dominá-la.

Infelizmente, os resultados da psicoterapia estratégica costumam ser questionados, especialmente por aqueles que buscam conhecer seu método em vez de experimentá-lo, é comum encontrar pessoas que criticam sua obra sem mesmo conhecê-la.Ao ter explorado os diferentes referenciais teóricos do Projeto de Psicologia Estratégica da UERJ, o autor desta monografia concluiu que o projeto conduzido pelo profº Lugão é um projeto pragmático, não ortodoxo e não teme controvérsias, sendo claro, simples e o mais prático possível, sendo a clareza, simplicidade e praticidade as características marcantes dos Projetos de Psicoterapia Estratégica, tanto do profº Lugão, quanto a de Jay Haley.

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APÊNDICES

Caso: Cliente de 30 anos

Obs: dados foram alterados para preservar a identidade da cliente.

SCORE:

Resumo do caso:

Jovem de 30 anos que havia furtado uma determinada quantia em dinheiro em dois empregos anteriores. Foi descoberta em ambas as ocasiões e foi demitida por justa causa. Apesar de já estar trabalhando em outra empresa, ela sofre por não conseguir esquecer o passado e os erros que cometeu. Além disso, não está feliz em seu emprego atual e sente receio diante das circunstâncias da vida, pois tem medo de voltar a furtar novamente, quando estiver diante do dinheiro de outras pessoas.

Apesar de já ter sido atendida por dois psicólogos anteriormente, acredita que não obteve sucesso no processo, pois ainda estava com muitos arrependimentos e medo, sentindo que sua vida não estava indo para frente. Em função disto, realizou a inscrição no Serviço de Psicologia da UERJ, sendo selecionada aleatoriamente pelos estagiários de Psicoterapia Estratégica, que realizaram o atendimento sob supervisão do Profº Celso Lugão da Veiga.

Descrição das sessões:

Durante as primeiras sessões, a cliente ainda encontrava-se em sofrimento, chorando bastante em algumas ocasiões e sentindo muita tristeza com o rumo que sua vida estava tomando. Diante deste estado emocional, a paciente não conseguia elaborar nenhum projeto ou objetivo para o seu futuro, pois estava com sua mente presa ao passado.

Após algumas sessões e já tendo vivenciado algumas técnicas bastante específicas, a paciente conseguiu elaborar objetivos a serem cumpridos durante o processo terapêutico. Apesar desta mudança de postura no decorrer das sessões, ela não possuía os recursos necessários para alcançar as metas que havia definido. Com isto, as sessões seguintes serviriam tanto para resignificar alguns aspectos de sua vida, como também desenvolver recursos para alcançar seus objetivos, sentindo finalmente os efeitos da terapia.

Na 10ª sessão, a cliente já conseguia se posicionar de uma forma completamente diferente diante de sua vida, demonstrando mais segurança, confiança e conseguindo finalmente alcançar vários dos objetivos que haviam sido definidos anteriormente. Embora sua demanda inicial já estivesse resolvida, os estagiários realizaram mais 3 sessões, com o intuito de estimular a autonomia da paciente.

O trabalho terapêutico foi finalizado com 13 sessões, onde além de ter alcançado os objetivos que havia definido, a paciente adquiriu autonomia novamente diante da vida, estando completamente confiante que seu futuro seria bastante agradável.

Técnicas Utilizadas:

  • Hipnose Ericksoniana: resignificação da cena temida e reorientação para o futuro;
  • Exercícios de Programação Neurolinguistica:
  • Desenvolvimento de Recursos: Adquirindo força e segurança através de seu diploma outros símbolos;
  • Gestalt-Terapia: Exercício da cadeira vazia;
  • Metáforas;
  • Exercícios de separação: testes de autonomia

Total de sessões: 13

BIBLIOGRAFIA

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BANDLER, R. Usando sua mente: as coisas que você não sabe que não sabe: Programação Neurolínguistica. São Paulo. Ed. Summus. 1987

DILTS, R, HALLBOM, T & SMITH,S. Crenças: Caminhos para a saúde e o bem-estar. São Paulo. Ed. Summus, 1993

DILTS, R; HALLBOM,T & SMITH,S. A estratégia da genialidade. São Paulo. Ed. Summus, 1998,

HALEY, J. Terapia não-convencional: as técnicas psiquiátricas de Milton H. Erickson. São Paulo: Summus, 1991.

KEIM, J. A Terapia Estratégica. In: ELKAÏM, M. Panorama das terapias familiares. São Paulo. Ed. Summus, 1998, p.259-293

MOFFATT, A. Terapia de crise: teoria temporal do psiquismo. São Paulo. Ed. Cortez, 1987.

O’HANLON,W.H.Raízes Profundas. São Paulo. Editorial Psy II,1994

ROBLES, Teresa. Um seminário ericksoniano com Jeffrey K. Zeig. Belo Horizonte: Editorial Diamante, 2005.

VEIGA, C. Projeto de Extensão em Psicoterapia Estratégica. 2002

Daniel e baby

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